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Crise trabalhista no Hospital Madre de Dio expõe precarização e mobiliza Sindicato em São Miguel do Iguaçu

Por Tribuna Foz dia em Notícias

Crise trabalhista no Hospital Madre de Dio expõe precarização e mobiliza Sindicato em São Miguel do Iguaçu
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SEESSFIR

Crise trabalhista no Hospital Madre de Dio expõe precarização e mobiliza Sindicato em São Miguel do Iguaçu

Hospital da precarização: quando o "cuidar" vira sinônimo de descaso

Em São Miguel do Iguaçu, o roteiro se repete com a previsibilidade de uma novela ruim. Dessas que ninguém aguenta, mas todo mundo é obrigado a assistir. O palco da vez é o Hospital Madre de Dio, onde a crise trabalhista já deixou de ser exceção para se tornar método de gestão.

"Hospital Madre de Dio: UTI para salários, alta só para o descaso"

A instituição, que presta serviços ao Estado por meio do Sistema de Assistência à Saúde, acumula denúncias que fariam qualquer manual de boas práticas virar peça de ficção científica. Salários atrasados, direitos ignorados e um ambiente de insegurança que transforma o jaleco em uniforme de resistência. Não é exagero: para muitos profissionais, trabalhar ali virou um exercício diário de fé. Não na medicina, mas na esperança de receber pelo que já foi feito.

"O milagre do hospital: Desaparecer com direitos sem deixar vestígios"

E quando se imagina que o fundo do poço chegou, a gestão encontra uma pá. A moda agora atende pelo elegante nome de "Pessoa Jurídica", o famoso PJ, aplicado com uma criatividade que faria corar qualquer departamento jurídico minimamente sério. Na prática, o que se vê é a velha tentativa de driblar a Consolidação das Leis do Trabalho, transformando trabalhadores em "empresas de um homem só", sem férias, sem 13º, sem FGTS. Mas com todas as obrigações de quem segue cumprindo jornada como empregado.

É o tipo de inovação que só funciona no papel. Ou melhor: só funciona para quem paga menos.

O mais irônico. Ou trágico, dependendo do humor do leitor, é que essa história já foi contada antes. Durante a pandemia de COVID-19, quando profissionais de saúde eram aplaudidos das sacadas, o Hospital Madre de Dio, então sob gestão da Pro Saúde, acumulou um passivo trabalhista digno de pesadelo. Verbas rescisórias evaporaram, direitos ficaram no discurso e centenas de trabalhadores herdaram o prejuízo. E o silêncio.

"Da pandemia ao calote: A especialidade que nunca saiu de cena"

A falência da entidade foi o toque final de cinismo: sem recursos, sem pagamento e, para muitos, sem justiça. Uma aula prática de como socializar prejuízos e privatizar responsabilidades. Só que ao contrário do que se espera, quem ficou com o prejuízo foram justamente aqueles que estavam na linha de frente salvando vidas.

Agora, anos depois, o déjà vu não é apenas desconfortável. É revoltante.

O sindicato da categoria, ao que tudo indica, cansou de assistir à reprise. Tem intensificado notificações, ações judiciais e cobranças formais. Recentemente, conseguiu uma vitória que prevê multas por atrasos salariais. Um pequeno freio em uma engrenagem que parece insistir em rodar sem respeito às regras mais básicas.

"Funcionário PJ: Quando o crachá vira piada e o direito vira luxo"

Mas a pergunta que ecoa pelos corredores não é jurídica, é moral: até quando?

Até quando profissionais essenciais serão tratados como custo descartável? Até quando contratos públicos servirão de cortina para práticas privadas que beiram o abuso? E, sobretudo, até quando o poder público fingirá surpresa diante de um problema que já virou rotina?

Porque, no fim das contas, o caso do Hospital Madre de Dio não é um acidente. É sintoma. Sintoma de um modelo que aceita a precarização como estratégia, que tolera o improviso como política e que empurra a conta, sempre para o trabalhador.

"Aqui se cuida da vida, menos da vida de quem trabalha"

Enquanto isso, médicos, enfermeiros e técnicos seguem fazendo o que sempre fizeram: cuidando de vidas. Mesmo quando ninguém parece disposto a cuidar da deles.

E assim, entre atrasos, contratos questionáveis e promessas vazias, a saúde pública vai sendo mantida. Não pela gestão, mas pela resiliência de quem insiste em trabalhar, mesmo quando o sistema claramente já deixou de funcionar.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 433, página 8, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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