De homem-bomba a ex-presidente preso, 8 de janeiro completa três anos dividindo Brasil sobre anistia
Por Tribuna Foz dia em Notícias
De homem-bomba a ex-presidente preso, 8 de janeiro completa três anos dividindo Brasil sobre anistia
Manifestações em todas as capitais, nesta quinta-feira, protestam contra a anistia aos envolvidos na trama golpista
Uma semana após o presidente Lula (PT) subir a rampa do Planalto para receber a faixa presidencial, uma multidão apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) destruiu a Praça dos Três Poderes em uma tentativa de golpe de Estado. Ainda na tarde daquele domingo, em 8 de janeiro de 2023, parte destes invasores desceu a mesma rampa com as mãos algemadas pela polícia.
Nesta quinta-feira (08/01/2026), completam três anos da invasão de uma turba que atentou contra a democracia em Brasília. Estimativa é que os prejuízos causados durante a depredação ultrapassem R$ 20 milhões.
Quase dois anos após 8 de janeiro, a Praça dos Três Poderes voltou a ser alvo de ataques de bolsonarista. Uma bomba foi explodida próxima ao STF (Supremo Tribunal Federal) e em um carro estacionado na Câmara dos Deputados, em 13 de novembro de 2024. O autor do ataque morreu no local.
Manifestações foram marcadas para hoje em várias cidades do país, incluindo em Campo Grande, para protestar contra a anistia aos envolvidos, que tramita no Congresso Nacional.
Desde 2023, 1.901 pessoas foram denunciadas pelo MPF (Ministério Público Federal) por participação nos atos golpistas. Contudo, outras pessoas foram identificadas ao longo das investigações, e este número subiu.
Prisões
Em 2025, o julgamento em destaque foi o do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete acusados de integrar uma trama golpista. Esta foi a primeira vez na história do Brasil que um ex-presidente e militares de alta patente foram julgados por tentativa de golpe de Estado.
Todos foram condenados pela primeira turma do STF (Supremo Tribunal Federal). A maior pena foi aplicada contra Jair Bolsonaro, de 27 anos e três meses.
O ex-presidente cumpriu prisão domiciliar após descumprimento de medidas cautelares, mas, após tentativa de romper a tornozeleira eletrônica, em novembro, acabou sendo levado à Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Condenações
O STF aponta que foram abertas 1.628 ações penais relacionadas aos atos antidemocráticos, sendo 518 por crimes graves e 1.110 por crimes menos graves. Entre os denunciados, 638 pessoas foram condenadas e 141 tiveram prisões decretadas.
Além disso, foram homologados 552 acordos de ANPP (Acordos de Não Persecução Penal), ou seja, quando o acusado confessa o crime e concorda em cumprir algumas obrigações em troca do arquivamento da ação. De acordo com a Suprema Corte, o valor arrecadado em acordos chega a quase R$ 3 milhões (R$ 2.976.100,00).
Entre as condenações recentes, está a de um casal de Mato Grosso do Sul. Os dois servidores públicos aposentados receberam 14 anos de pena por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada. O casal é de Naviraí, a 342 km de Campo Grande.
A dupla ainda terá que dividir, entre os outros condenados pelos atos golpistas, o pagamento da multa de R$ 30 milhões. A multa por danos morais coletivos será destinada ao FDD (Fundo de Defesa de Direitos Difusos).
Ela é aposentada pela Prefeitura Municipal de Naviraí como professora da educação infantil, enquanto ele é aposentado do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).
Militares
Militares que atuaram em Mato Grosso do Sul também foram investigados por participação nos atos golpistas. Em fevereiro de 2025, três militares com ligação ao Estado estiveram entre os 34 denunciados por tentativa de golpe junto do ex-presidente da República, Jair Messias Bolsonaro. A denúncia foi feita pelo procurador-geral da república, Paulo Gonet, e está nas mãos do STF (Supremo Tribunal Federal), que pode tornar o grupo réu.
Dos três militares que já atuaram em MS, dois são ex-ministros de Defesa da gestão Bolsonaro e ocuparam o mesmo cargo também no CMO (Comando Militar do Oeste) como chefe do Estado-Maior da instituição: Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira e Walter Souza Braga Netto.
Além deles, esteve entre os denunciados o major de Campo Grande Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, que foi um dos alvos da Operação Tempus Veritatis, da Polícia Federal. Ele seria suspeito de integrar o núcleo de desinformação e ataques ao sistema eleitoral.
No documento, Gonet afirma que o grupo criminoso “agiu com violência” e “grave ameaça” para impedir o funcionamento dos Poderes da República e tentar depor o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Conforme a acusação, Bolsonaro contou com o auxílio de aliados, assessores e generais para “deflagrar o plano criminoso”, que teria ocorrido por meio de divulgação de desinformação contra urnas eletrônicas, afronta às decisões do Supremo e incentivo ao plano golpista, entre outras acusações.
Fonte: Midiamax
