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Embraer no Planalto: O E195-E2 pode ser o novo avião presidencial do Brasil?

Por Tribuna Foz dia em Notícias

Embraer no Planalto: O E195-E2 pode ser o novo avião presidencial do Brasil?
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Embraer no Planalto

O E195-E2 pode ser o novo avião presidencial do Brasil?

A possibilidade de o Brasil adquirir um novo avião presidencial voltou ao centro do debate após sucessivos problemas técnicos envolvendo o VC-1A da Força Aérea Brasileira (FAB), aeronave que transporta o presidente da República. O episódio mais emblemático ocorreu em 1º de outubro de 2024, quando o Airbus A319 ACJ, conhecido popularmente como “Aerolula”, sofreu uma pane logo após decolar do aeroporto da Cidade do México, obrigando a tripulação a permanecer por cerca de quatro horas em voo circular para queimar combustível e realizar um pouso seguro. A bordo estava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O incidente acendeu um alerta dentro da FAB e no Palácio do Planalto. Adquirido em 2005, durante o primeiro mandato de Lula, o VC-1A já ultrapassou duas décadas de operação e, segundo avaliações internas, não atenderia mais plenamente aos rigorosos requisitos de segurança, confiabilidade e disponibilidade exigidos para o transporte do chefe de Estado. Diante disso, o presidente solicitou oficialmente que a Aeronáutica avalie a compra de “novos aviões” para o Grupo de Transporte Especial (GTE), responsável pelas missões presidenciais e de autoridades de alto escalão.

A discussão ganhou novos contornos após matéria publicada pelo jornalista Ricardo Moriah, no portal especializado AIRWAY, ao levantar uma questão estratégica e simbólica: a Embraer, maior fabricante de aeronaves do Brasil e terceira maior do mundo no segmento comercial, poderia fornecer o novo avião presidencial?

Tradicionalmente, aeronaves presidenciais são tratadas como ativos estratégicos. Elas não apenas transportam o chefe da nação, como também funcionam como extensões móveis da sede do governo, equipadas com sistemas avançados de comunicação, autodefesa e comando. Por isso, países costumam investir pesado nesse tipo de aeronave, priorizando alcance, redundância de sistemas e segurança máxima.

No caso brasileiro, Lula já manifestou interesse em contar com um Airbus A330-200, modelo widebody de grande porte. A FAB, inclusive, possui dois exemplares do A330 que estão sendo convertidos em aviões-tanque KC-30 MRTT. Contudo, transformar uma dessas aeronaves em um avião VVIP exigiria modificações profundas e custosas, além de reduzir a frota de reabastecimento em voo, considerada estratégica para a defesa nacional.

É nesse contexto que surge a alternativa Embraer. O E195-E2, maior modelo da família E-Jets E2, é hoje o principal produto comercial da fabricante de São José dos Campos. Embora projetado para a aviação comercial regional, o modelo possui características que o tornam candidato viável a uma configuração presidencial, especialmente se seguir a filosofia adotada no antigo Lineage 1000 e no Lineage 1000E, versões executivas de alto padrão derivadas da geração anterior do E190.

A vantagem de optar por um jato nacional vai além do simbolismo. Do ponto de vista econômico, os custos de aquisição, operação e manutenção seriam significativamente menores quando comparados aos de aeronaves executivas de grande porte fabricadas no exterior. O E195-E2 é reconhecido como um dos aviões mais eficientes de sua categoria, equipado com motores de nova geração que proporcionam cerca de 20% de economia de combustível, além de menor emissão de poluentes e redução significativa de ruído.

Internamente, embora tenha uma fuselagem mais estreita que a do A319 ACJ, o E195-E2 permitiria uma configuração executiva moderna, funcional e austera, priorizando segurança, eficiência e conforto operacional. Uma cabine redesenhada poderia acomodar com eficiência cerca de 40 passageiros, entre autoridades, assessores e tripulação, sem o excesso de luxo que impacta negativamente o peso e o alcance da aeronave.

Outro ponto relevante é a integração tecnológica. Um E2 presidencial teria aviônicos de última geração e poderia se integrar de forma mais eficiente com outras plataformas da FAB, como o KC-390 Millennium, os caças Gripen E/F e as aeronaves de vigilância R-99. Além disso, atualizações e suporte técnico seriam realizados no próprio país, reduzindo dependência externa e aumentando a soberania tecnológica.

Entretanto, há um aspecto crítico que pesa contra o jato brasileiro: o alcance. Aviões presidenciais precisam voar longas distâncias com poucas ou nenhuma escala, garantindo agilidade e segurança nas viagens internacionais. O atual A319 ACJ do presidente possui autonomia estimada em cerca de 11.100 quilômetros, permitindo voos diretos de Brasília para importantes capitais da Europa e da América do Norte.

O E195-E2, em sua versão comercial, tem alcance aproximado de 4.815 quilômetros. Porém, uma versão executiva, inspirada no antigo Lineage 1000E, poderia ampliar consideravelmente essa autonomia. O Lineage 1000E alcançava cerca de 8.519 quilômetros, e estimativas indicam que um E195-E2 presidencial, maior e equipado com motores mais eficientes, poderia atingir algo próximo ou até superior a 10.000 quilômetros.

Embora isso represente cerca de 1.000 quilômetros a menos que o atual ACJ, na prática o alcance seria suficiente para cobrir toda a Europa Ocidental e alcançar inclusive a costa oeste dos Estados Unidos a partir de Brasília. Para destinos mais distantes, como a Ásia, seriam necessárias escalas estratégicas, algo comum mesmo para aeronaves presidenciais de diversos países.

Além dos aspectos técnicos, há a dimensão política e industrial. Utilizar uma aeronave presidencial fabricada no Brasil transformaria cada viagem oficial em uma vitrine internacional da tecnologia nacional, fortalecendo a imagem da Embraer e abrindo portas para novos negócios no mercado global de aviação executiva. Internamente, a decisão ajudaria a manter empregos qualificados, fomentar inovação e reforçar a cadeia produtiva aeroespacial brasileira.

Há 20 anos, quando o VC-1A foi adquirido, o Brasil não dispunha de uma aeronave nacional capaz de cumprir plenamente essa missão. Hoje, o cenário é diferente. Um E195-E2 configurado como um Lineage de nova geração poderia atender, de forma razoável e eficiente, às necessidades do presidente da República pelos próximos 15 anos.

Diante da determinação de Lula para a avaliação da compra de novos aviões, a alternativa Embraer surge não apenas como uma solução técnica, mas como uma escolha estratégica. Resta saber se o governo optará por prestigiar a indústria nacional agora ou se, mais uma vez, aguardará um futuro jato maior da Embraer para ocupar o lugar mais simbólico da aviação brasileira.

Enrique Alliana - Jornalista, com informações da AIRWAY, foto acresentada as faixas verde e amarelo pelo IA

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