Kim Jong Un reorganiza governo e apresenta nova política para próximos 5 anos na Coreia do Norte
Por Tribuna Foz dia em Notícias
Kim Jong Un reorganiza governo e apresenta nova política para próximos 5 anos na Coreia do Norte
No 9º Congresso do Partido dos Trabalhadores, evento realizado a cada meia década, presidente destacou prioridades nas áreas econômica e social, além de anunciar medidas que recalibram diplomacia com Seul
A Coreia do Norte apresentou nesta sexta-feira (20/02/2026) uma histórica reformulação política, reorganizando a liderança do mais alto órgão decisório do governo, no âmbito do 9º Congresso do Partido dos Trabalhadores, encontro realizado a cada cinco anos na capital Pyongyang. A informação foi veiculada pela agência estatal norte-coreana KCNA, que sinalizou mudanças significativas nas esferas da política interna, segurança e economia, além de uma possível recalibração diplomática em meio às medidas de aproximação da Coreia do Sul.
O discurso de abertura proferido pelo líder Kim Jong Un incluiu elogios às conquistas nacionais dos últimos cinco anos – apesar das sanções impostas pelo Ocidente, das condições climáticas adversas e da crise na saúde global –, e manifestou metas maiores para o futuro.
“Uma era orgulhosa em que o Partido e o povo se uniram e abriram uma fase de transição na causa socialista ao nosso estilo”, disse. “Hoje estamos entrando no 9º Congresso do Partido com otimismo e confiança para o futuro. Será, de fato, uma grande mudança, um desenvolvimento e uma conquista orgulhosa”.
Kim reconheceu que no período em que o 8º Congresso do Partido havia sido convocado, as condições da governança norte-coreana eram “tão severas” ao ponto de serem “difíceis de preservar”. Segundo ele, o desenvolvimento econômico, a segurança nacional e o bem-estar popular, pautas que são prioritárias para o regime, estiveram sob constante ameaça devido ao bloqueio e sanções ocidentais, além dos recorrentes problemas climáticos que abalam as plantações e da pandemia de Covid-19.
“Mas hoje, cinco anos depois, tudo mudou radicalmente”, esclareceu, acrescentando que o congresso anterior logrou apurar as circunstâncias da ocasião, analisar metas estratégicas e apresentar políticas precisas para o desenvolvimento nacional. “Se há cinco anos convocamos o 8º Congresso do Partido com convicção, vontade e determinação para superar o pior impasse criado, hoje estamos chegando ao 9º Congresso do Partido com otimismo e confiança para o futuro”.
Reforma do governo e prioridades políticas
Para os próximos cinco anos, o líder Kim destacou que a Coreia do Norte mantém “tarefas históricas pesadas e urgentes” principalmente com relação ao desenvolvimento econômico e ao bem-estar popular, manifestando urgência na reforma de “todas as áreas da vida social”. Segundo ele, o novo ciclo deve se concentrar no avanço dos planos de médio e longo prazo idealizados, e alguns já iniciados, para cumprir as “aspirações seculares do povo”, o que inclui a política de desenvolvimento local e o chamado programa da revolução rural.
“Devemos também apontar as deficiências do ponto de vista crítico e de desenvolvimento, formular cuidadosamente e cientificamente planos para a próxima etapa da luta e fortalecer a capacidade de liderança para liderar sua implementação”, ressaltou.
Para preparar o 9º Congresso, o líder da Coreia do Norte revelou que o Comitê Central do Partido dos Trabalhadores organizou um grupo de emergência, dividindo cada integrante em setores diferentes de modo que pudessem analisar precisamente os problemas nacionais a serem corrigidos.
“Além disso, foram realizadas pesquisas aprofundadas para a revisão da constituição do Partido: questões de reorganização da liderança do Partido e questões relacionadas ao fortalecimento da função da liderança em consonância com as exigências das cinco principais linhas de construção do Partido nesta nova fase”, explicou Kim.
O 9º Congresso do Partido dos Trabalhadores desta sexta-feira manteve o mesmo número de membros de alto nível – 39, incluindo Kim Jong Un – do evento anterior. No entanto, 23 integrantes foram substituídos. A reformulação política removeu vários nomes da velha guarda, com destaque para Kim Yong Chol, ex-chefe de Inteligência, negociador nuclear e articulador da política norte-coreana para a Coreia do Sul. Sua retirada é avaliada, segundo a imprensa sul-coreana, como uma possível mudança na postura diplomática de Pyongyang com Seul. Além disso, Kim não citou a Coreia do Sul em nenhum momento de seu discurso.
Também saíram o ex-primeiro-ministro Pak Pong Ju, um conhecido reformador econômico; Su Yong, supervisor econômico do Partido; e Choe Hwi, um dos principais articuladores da diplomacia esportiva do governo.
Por outro lado, o secretário do Partido para assuntos organizacionais, Jo Yong Won, o secretário de publicidade e informação, Ri Il Hwan, o vice-presidente da Comissão Militar Central, Pak Jong Chon, que é também um dos principais arquitetos da modernização dos mísseis norte-coreanos, mantiveram seus postos.
“Todos os camaradas eleitos como representantes foram avaliados como membros-chave do nosso Partido, que fizeram um histórico claro na promoção de seus próprios setores e unidades, e que podem desempenhar um papel sólido na luta para implementar as decisões do 9º Congresso do Partido”, disse Kim.
Fonte: Opera Mundi
