Argentina assina acordo de cooperação militar com Comando Sul dos EUA por cinco anos
Por Tribuna Foz dia em Notícias
Argentina assina acordo de cooperação militar com Comando Sul dos EUA por cinco anos
Iniciativa prevê transferência de tecnologia, treinamento e interferência direta de Washington contra eventuais 'ameaças' marítimas
Segundo o embaixador norte-americano no país, Peter Lamelas, a medida faz parte de uma “aliança estratégica” entre os dois países destinada a defender “bens comuns globais” e reforçar a segurança da região.
Equipamentos especializados para vigilância marítima já foram entregues à Marinha argentina pelo Pentágono; e duas aeronaves Beechcraft King Air 360ER chegarão ao país até meados do próximo ano.
"Subserviência aos EUA"
A reportagem traz as críticas e alertas de ex-ministros da Defesa e da Segurança sobre a iniciativa. O deputado Agustín Rossi, ex-ministro da Defesa durante os governos Cristina Kirchner e Alberto Fernández, destacou que, se fosse um acordo para patrulhar o Mar Argentino, ele teria de ser aprovado pelo Congresso Nacional.
Ele frisou que a iniciativa se insere no Escudo das Américas, do presidente norte-americano Donald Trump que, “sob o pretexto de combater o narcotráfico, formou uma coalizão militar com 17 nações”.
Jorge Taiana, ministro da Defesa durante a gestão Fernández, classificou o acordo como “mais um exemplo da política externa de alinhamento automático e subserviente com os Estados Unidos”. Segundo ele, “entender a defesa do Atlântico Sul sob a lógica dos ‘bens comuns globais’ implica estender essa noção não apenas aos espaços marítimos, mas também à plataforma continental e à Zona Econômica Exclusiva da Argentina”.
Em sua avaliação, a medida relativiza “a dimensão soberana de um espaço fundamental para o país devido à riqueza de seus recursos renováveis e não renováveis”.
"Coleta de informações"
Para Sabina Frederic, ex-ministra da Segurança, também durante o governo Fernández, “a zona econômica exclusiva no Mar Argentino não é um ativo global: é território soberano argentino. Portanto, os Estados Unidos não têm o direito de interferir na vigilância dessa área”.
Ela também alertou que não se trata apenas de cooperação técnica. “Os Estados Unidos fornecerão equipamentos e provavelmente reterão as informações coletadas pela Argentina.”
Frederic explicou que atualmente a Prefeitura Naval Argentina é responsável pelo monitoramento da zona econômica exclusiva, acrescentando que a iniciativa criará conflitos entre o órgão e a Marinha.
Sobre a alegação das autoridades de que um dos objetivos da medida é limitar a presença chinesa na região, Frederic afirmou que “não há apenas navios chineses na área; há também navios espanhóis e portugueses”.
Ao comentar a medida, Ernesto Alonso, fundador do CECIM (Centro de Ex-Combatentes das Ilhas Malvinas), afirmou que o governo Milei está “implementando um programa de austeridade brutal para as Forças Armadas” do país.
Em sua avaliação, “assim como houve um plano sistemático para fazer pessoas desaparecerem durante a ditadura, hoje existe um plano sistemático para entregá-las”.
Fonte: Opera Mundi
