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Argentina propõe acordo que facilita acesso dos EUA a minerais raros

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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Argentina propõe acordo que facilita acesso dos EUA a minerais raros

Texto apresentado pelo governo Milei, ainda sem tramitação no Congresso, defende ‘priorizar investimentos norte-americanos’ na exploração de cobre, lítio e terras raras do país

O governo da Argentina divulgou na última quinta-feira (05/02/2026), o texto inicial de um acordo comercial que pretende selar com os Estados Unidos, o qual garantiria às empresas norte-americanas acesso preferencial aos recursos minerais do país, incluindo as reservas de cobre, lítio e terras raras.

O acordo ainda não foi assinado, tampouco foi aprovado pelos respectivos congressos, mas é defendido pelo presidente argentino Javier Milei com o argumento de que esta seria uma das condições pelas quais os produtos da nação sul-americana teriam “tarifa zero” no mercado norte-americano.

O mandatário alega que poucos países do mundo possuem situação similar a que a Argentina teria caso o acordo seja colocado em prática, e cita como exemplo o caso de El Salvador.

"Facilitar acesso"

O jornal online argentino El Destape publicou no dia de ontem, sexta-feira (06/02/2026) trechos do projeto de acordo apresentado pela Casa Rosada no dia anterior.

A matéria destaca passagens do documento relativas à questão da mineração. Uma delas diz que “a Argentina permitirá e facilitará o investimento dos Estados Unidos em seu território para explorar, extrair, refinar, processar, transportar, distribuir e exportar minerais críticos e recursos energéticos”.

Outro trecho afirma explicitamente que “a Argentina priorizará os Estados Unidos como parceiro comercial e de investimento em cobre, lítio e outros minerais críticos” e que “agilizará projetos de origem norte-americana que buscam qualificação”.

Também se estabelece que “o governo federal (da Argentina) incentivará o investimento público em infraestrutura de mineração, para facilitar o acesso de empresas norte-americanas no setor”.

Produtos agropecuários dos EUA

Segundo o El Destape, outro ponto controverso do acordo promovido pelo Governo Milei é a abertura da Argentina à importação de produtos agrícolas norte-americanos.

O texto apresentado nesta quinta fala na importação, pela Argentina, de 80 mil toneladas de carne bovina norte-americana durante o ano de 2026. A controvérsia se dá pelo fato de que se trata de um item em que o país sul-americano é um dos seis maiores produtores mundiais.

Além da carne bovina, a Argentina se comprometeria, a partir do acordo, em importar 80 mil litros de vinhos norte-americanos por ano, 1,8 mil toneladas anuais de chocolates, 1,7 mil toneladas de batatas, 1,3 mil toneladas de açúcar, 1 mil toneladas de queijo, 870 toneladas de amêndoas, 370 toneladas de goma de mascar, 285 toneladas de frutose e 80 toneladas de pistache. Boa parte desses itens são produzidos em grandes quantidades pelo próprio país.

O texto também traria benefícios para os produtos norte-americanos relativos aos mercados automotivo, farmacêutico, instrumentos industriais e outros produtos manufaturados.

Contrapartida

Em troca da abertura aos produtos norte-americanos, Washington se comprometeria a zerar as tarifas para 1,6 mil produtos argentinos em seu mercado, enquanto todos os demais receberiam somente a tarifa de 10% imposta pelo governo de Donald Trump no dia 2 de abril de 2025.

A maioria dos itens incluídos na lista dos que receberiam “tarifa zero” seriam relativos ao setor agropecuários, como soja, leite, ovos, frutas e outros produtos vegetais.

Em um comunicado, o governo de Milei destacou que a carne bovina argentina será a “mais beneficiada”, e assegurou que o acordo resultaria em um salto de 80 mil a 100 mil toneladas anuais do produto para o mercado norte-americano, resultando em uma renda extra de aproximadamente US$ 800 milhões.

Fonte: Opera Mundi, com informações do El Destape

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