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"Articulador" da campanha de Moro causou prejuízo milionário aos cofres da prefeitura

Por Tribuna Foz dia em Notícias

"Articulador" da campanha de Moro causou prejuízo milionário aos cofres da prefeitura
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ESCÂNDALO

"Articulador" da campanha de Moro causou prejuízo milionário aos cofres da prefeitura

José Elias Castro Gomes, o Zé Elias, coordenou processo de caducidade do contrato do transporte coletivo no governo Chico Brasileiro, que foi anulado pela Justiça, causando o rombo milionário. Hoje ele quer posar de bom moço ao lado de Sergio Moro

A movimentação política de José Elias Castro Gomes, o famoso Zé Elias, em torno da candidatura de Sérgio Moro em Foz do Iguaçu recoloca no centro do debate um episódio que marcou sua passagem pela administração municipal: a condução do processo que levou à decretação de caducidade do contrato do transporte coletivo com o Consórcio Sorriso.

Nomeado em 2021 pelo então prefeito Chico Brasileiro para comandar a Secretaria Municipal de Transparência e Governança, Zé Elias assumiu justamente uma estrutura criada com a promessa de ampliar os mecanismos de controle e governança da Prefeitura. Pouco depois, passou a coordenar o processo administrativo que culminou na tentativa de rompimento do contrato do transporte coletivo.

O problema é que a medida desastrada não resistiu à Justiça. A caducidade foi anulada em primeira instância e a decisão acabou mantida pelo Tribunal de Justiça do Paraná e hoje referendada pelo STF. Segundo decisão judicial citada em reportagem do Tribuna Popular, havia contradição entre a justificativa apresentada pelo Município para a caducidade - relacionada à redução da frota - e o próprio termo de referência elaborado posteriormente, que previa frota mínima inferior àquela que estava em circulação. O juiz apontou violação à chamada Teoria dos Motivos Determinantes. Uma constatação de que Zé Elias não entende nada de administração pública.

É desse episódio que surge uma cifra milionária de milhões de reais frequentemente associada ao nome de Zé Elias. É preciso, porém, fazer uma distinção importante: esse valor não corresponde a um pagamento já realizado pela Prefeitura. A reportagem publicada ainda em 2024 apontava a possibilidade de que, caso a nulidade do decreto produzisse obrigação de indenizar o Consórcio Sorriso, a conta pudesse superar R$ 82 milhões. Portanto, trata-se de um potencial passivo decorrente da disputa judicial, e não de um prejuízo definitivamente reconhecido nesse valor.

Um sujeito estranho

O episódio ganhou ainda mais repercussão porque Zé Elias havia construído sua imagem pública justamente sobre a ideia de transparência e responsabilidade com o dinheiro público na tentativa de projetar seu nome para candidatura a prefeito. Em 2021, ele chamou atenção ao doar R$ 82.709,11, correspondentes aos salários recebidos durante oito meses como secretário, à Fundação Municipal de Saúde. O gesto foi amplamente divulgado na imprensa local, contrariando os ensinamentos de Cristo sobre caridade.

A ironia política apontada por seus críticos está justamente no contraste: de um lado, a renúncia de pouco mais de R$ 82 mil em salários; de outro, um processo administrativo relacionado ao transporte coletivo que terminou anulado judicialmente e que poderia gerar um passivo milionário ao Município.

Cama de gato para Sérgio Moro?

O desespero de Zé Elias em se aproximar de Sérgio Moro ganhou novo capítulo em Foz do Iguaçu. Reconduzido à presidência municipal do União Brasil em 2026, Zé Elias tenta buscar espaço na campanha para garantir uma boquinha no futuro governo.

Antes de se tornar aliado de Moro, Zé Elias foi secretário de Chico Brasileiro, do PSD e nunca escondeu sua admiração por Ratinho Jr e Sandro Alex.

Na eleição de prefeito, ele poderia aceitar ser vice de Paulo Mac Donald, mas preferiu sair candidato, apesar de não ter chance eleitoral. Com isso ele dividiu votos e o terrível general Silva e Luna foi eleito com apoio de Ratinho Jr. O resultado foi esse desastre administrativo.

Por falar nisso, Zé Elias convidou Silva e Luna para estar ao lado de Moro. Estaria ele bem intencionado ou querendo armar uma cama de gato para Moro que poderá "grudar" na rejeição histórica do geral.

A aproximação com Moro, portanto, coloca o senador diante de um personagem que carrega uma trajetória política duvidosa e um histórico administrativo que continua sendo alvo de questionamentos públicos.

É salutar mencionar também a sociedade empresarial com o governador Ratinho Junior na Rádio Massa FM de Foz do Iguaçu, mas isso é motivo para outra história.

Fiasco eleitoral

O histórico não termina aí. Durante a campanha eleitoral de 2024, Zé Elias disputou a Prefeitura de Foz do Iguaçu e recebeu 1.791 votos, segundo dados reproduzidos pela Tribuna Popular, enquanto sua prestação de contas registrou R$ 871.660,50 em despesas de campanha.

Derrotado nas urnas, ele voltou aos bastidores. Em 2026, foi reconduzido à presidência do União Brasil em Foz, com apoio político de Sérgio Moro.

Espera-se que ele não transmita ao candidato a sua performance eleitoral.

É nesse contexto que Zé Elias voltou a circular entre lideranças locais articulando a presença de Moro em Foz. A movimentação alimenta uma pergunta legítima sobre a relação entre política partidária e ocupação de espaços de poder: qual será o papel reservado ao dirigente iguaçuense caso Moro amplie sua estrutura política no Paraná?

O próprio histórico administrativo de Zé Elias ajuda a explicar por que a questão provoca reações. Seu nome está associado a um dos capítulos mais controversos da gestão Chico Brasileiro, envolvendo transporte coletivo, decisões judiciais e um potencial passivo milionário.

A política permite recomeços. Mas também cobra memória. E, quando alguém que participou de uma decisão administrativa de tamanha repercussão passa a ocupar posição estratégica na articulação de uma nova candidatura, é natural que seu histórico seja colocado novamente sob escrutínio público.

 

ESCÂNDALO 2

Trapalhadas de Zé Elias sobre o transporte resultou em CPI da Câmara

 

O caso do transporte coletivo de Foz do Iguaçu esta no centro da discussão onde o processo de caducidade do contrato com o Consórcio Sorriso, conduzido administrativamente pelo então secretário de Transparência e Governança, José Elias Castro Gomes, o Zé Elias.

A Câmara Municipal não deixou o episódio passar em branco. Ainda em 2022, vereadores requereram a convocação de Zé Elias para prestar esclarecimentos sobre a caducidade, a contratação emergencial e os passos que levariam à nova licitação. O requerimento oficial registra expressamente que o objetivo era esclarecer a condução do processo e suas consequências para o sistema.

Segundo a CPI, havia deficiências na fundamentação e no planejamento da caducidade, criando graves consequências jurídicas para o município.

O problema é que a Justiça acabou anulando a caducidade. O Tribunal de Justiça do Paraná manteve decisão e referendado pelo STF, que considerou irregular o rompimento do contrato, colocando em xeque justamente a base jurídica da operação conduzida pela administração municipal. Talvez seja esse tipo de gestão defendido por Zé Elias.

E a conta não parou aí.

O relatório da CPI apontou que decisões tomadas pelo município acabaram transferindo para o futuro um passivo milionário. Em decisões posteriores, a disputa ganhou proporções ainda maiores. Há processos envolvendo a nulidade da caducidade e questões relacionadas ao equilíbrio econômico-financeiro do antigo contrato. Estimativas divulgadas em 2026 apontaram que, somados diferentes processos, a exposição financeira do município poderia chegar a cerca de R$ 550 milhões - valores que ainda dependem do desfecho definitivo das ações judiciais.

Centro do rolo

É nesse ponto que a atuação de Zé Elias volta ao centro do debate. Ele não era um personagem periférico: como secretário de Transparência e Governança, assinou o procedimento que propôs a caducidade e presidiu a comissão responsável pela transição para a contratação emergencial. À época, defendia publicamente que o município conseguiria superar a dependência do Consórcio Sorriso e construir um novo modelo de transporte.

O contraste entre o discurso e o resultado é inevitável: o que foi apresentado como solução acabou produzindo uma longa batalha judicial, críticas da CPI, anulação da caducidade e uma pesada exposição financeira para os cofres municipais.

Em Foz, a pergunta permanece aberta: quanto custará, afinal, aos cofres públicos uma decisão que deveria ter colocado fim a um problema, mas acabou criando outro ainda maior? Será que Zé Elias vai colocar a mão no bolso quando a Prefeitura tiver de pagar pelas trapalhadas?

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 446, páginas 10 e 11

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