China defende "direito legítimo" de manter relações econômicas com Irã
Por Tribuna Foz dia em Notícias
China defende "direito legítimo" de manter relações econômicas com Irã
O Ministério das Relações Exteriores da China reafirmou no domingo (15/02/2026) o seu direito de manter uma cooperação econômica “legítima” com o Irã, em resposta a relatos de um acordo entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, para limitar as exportações de petróleo bruto iraniano para a gigante asiática.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da China criticou um relatório do site Axios revelando que, durante uma reunião na Casa Branca na quarta-feira (11/02), ambos os líderes concordaram em intensificar a “pressão máxima” sobre Teerã, especialmente focada nas vendas de petróleo para a China. Segundo a mídia, mais de 80% das exportações de petróleo iraniano são destinadas à China, tornando Pequim um ator chave em qualquer estratégia de asfixia econômica contra a República Islâmica.
A China reafirmou sua determinação de tomar medidas “necessárias” para salvaguardar os direitos legítimos de suas empresas e cidadãos. A posição foi expressa pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, durante uma coletiva de imprensa realizada na capital chinesa.
Diante dessas manobras, a China respondeu firmemente que “a cooperação normal entre países, realizada dentro do âmbito do direito internacional, é razoável e legítima, e deve ser respeitada e protegida.”
“É totalmente legítimo e razoável que os países mantenham uma cooperação normal com o Irã dentro do âmbito do direito internacional”, disse Jiakun em seu discurso. Pequim reiterou sua oposição às sanções unilaterais e ilegais, observando que elas não têm base no direito internacional e não são autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU.
"Pressão máxima"
O objetivo de Washington seria pressionar o Irã a fazer concessões em seu programa nuclear, enquanto ambos os lados se preparam para realizar a segunda rodada de conversas indiretas em Genebra na terça-feira (17/02). Nesse sentido, fontes americanas indicaram que Trump, por meio de uma ordem executiva assinada há 10 dias, poderia impor tarifas de 25% sobre produtos chineses em retaliação ao seu comércio com o Irã, enquanto Pequim deixou claro que não cederá à pressão externa sobre energia.
O porta-voz chinês instou os Estados Unidos a abandonarem sua “prática equivocada” de recorrer repetidamente a medidas punitivas. Esse pacote de medidas planejado pelos EUA representa o quarto conjunto de sanções do Tesouro dos EUA contra refinarias chinesas desde o retorno de Donald Trump à presidência.
Como maior parceiro comercial do Irã e principal comprador de petróleo, a China reiterou que sua relação energética com Teerã está de acordo com o direito internacional e responde às necessidades estratégicas de segurança energética, rejeitando qualquer tentativa de interferência unilateral.
Neste cenário, Irã e China reafirmaram seu compromisso de aprofundar os laços bilaterais por meio da plena implementação de seu acordo estratégico de 25 anos, resistindo conjuntamente ao que ambos os governos descrevem como “unilateralismo” dos EUA.
Fonte: Opera Mundi
