DENARC bloqueia quase R$ 2 milhões em bens de grupo que movimentou mais de R$ 9 milhões em Foz do Iguaçu
Por Tribuna Foz dia em Notícias
OPERAÇÃO RESCALDO
DENARC bloqueia quase R$ 2 milhões em bens de grupo que movimentou mais de R$ 9 milhões em Foz do Iguaçu
A Polícia Civil do Paraná (PCPR), por meio da Divisão Estadual de Narcóticos (DENARC), núcleo de Foz do Iguaçu, deflagrou no dia de ontem, sexta-feira 14 de agosto de 2026 a Operação Rescaldo, contra uma associação criminosa investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro no bairro Vila C, em Foz do Iguaçu.
A ação contou com apoio do Núcleo de Operações com Cães (NOC) e do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Ao todo, foram expedidos 20 mandados judiciais, sendo três de busca e apreensão, 11 de sequestro de bens móveis e imóveis, três de bloqueio de contas bancárias e três de prisão.
Quatro pessoas são presas
Durante o cumprimento das ordens judiciais, quatro pessoas foram presas, sendo dois homens e duas mulheres.
As equipes apreenderam R$ 134.486,45 em dinheiro, 207 gramas de joias douradas, seis veículos, 23 porções de haxixe prontas para venda, totalizando 24 gramas, uma balança de precisão e nove telefones celulares.
Em uma das residências alvo da operação, uma investigada teria tentado destruir provas ao perceber a chegada dos policiais. Segundo a PCPR, ela correu para os fundos do imóvel e arremessou três celulares e pacotes de entorpecentes em uma churrasqueira que estava acesa. Os materiais foram recuperados ainda em chamas e encaminhados para perícia.
Grupo movimentou mais de R$ 9,2 milhões
As investigações financeiras realizadas pela DENARC apontaram que o casal apontado como liderança do grupo movimentou mais de R$ 9,2 milhões entre 2021 e 2026, apesar de não possuir fonte de renda lícita compatível com os valores.
Segundo a investigação, o dinheiro proveniente do tráfico era reinserido na economia formal por meio da aquisição de imóveis e do subfaturamento de escrituras públicas.
Entre os imóveis sequestrados estão um terreno comercial no bairro Cidade Nova, avaliado em aproximadamente R$ 220 mil, mas registrado por apenas R$ 58,80, além de um sobrado avaliado em cerca de R$ 400 mil e declarado por R$ 1.188,95.
Também foram sequestradas quitinetes, lotes e residências adquiridos, conforme a investigação, com dinheiro em espécie e sem comprovação de origem lícita.
Além dos imóveis, a Justiça determinou o sequestro de quatro veículos supostamente adquiridos com recursos provenientes das atividades criminosas.
Churrasqueira era usada para destruir drogas
O nome da operação, “Rescaldo”, faz referência à estratégia atribuída ao grupo para destruir provas durante possíveis abordagens policiais.
De acordo com a DENARC, o grupo mantinha um sistema de câmeras conectado aos celulares dos investigados e utilizava grupos de mensagens para alertar sobre a aproximação de viaturas.
Quando recebiam os alertas, os criminosos supostamente iniciavam um protocolo para ocultar ou destruir as drogas, jogando tabletes de crack e cocaína em uma churrasqueira mantida acesa no estabelecimento comercial utilizado como fachada.
Durante a primeira fase da investigação, realizada em 20 de março de 2026, policiais conseguiram recuperar das cinzas e brasas pequenas quantidades de crack parcialmente queimadas. A natureza da substância foi confirmada posteriormente por laudo da Polícia Científica.
Distribuidora de bebidas seria usada como fachada
Segundo as investigações, uma distribuidora de bebidas era utilizada como empresa de fachada para as atividades do grupo e também para auxiliar na lavagem dos valores obtidos com o tráfico de drogas.
Com a operação desta sexta-feira, o valor dos bens móveis e imóveis sequestrados judicialmente se aproxima de R$ 2 milhões. As contas bancárias dos investigados também foram bloqueadas, com os valores ainda a serem apurados.
O delegado de Polícia Rodrigo Colombelli destacou que a investigação busca atingir diretamente o patrimônio das organizações criminosas que atuam na região de fronteira.
Os presos foram encaminhados ao sistema prisional de Foz do Iguaçu e permanecem à disposição da Justiça.
Os imóveis e veículos sequestrados ficarão sob custódia do Estado, com possibilidade de posterior alienação judicial e reversão dos valores em favor das forças de segurança pública do Paraná.
