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GENERAL SILVA E LUNA: fica no PL ou vai para o PSD. Se ficar o bicho pega se sair o bicho come?

Por Tribuna Foz dia em Notícias

GENERAL SILVA E LUNA: fica no PL ou vai para o PSD. Se ficar o bicho pega se sair o bicho come?
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GENERAL SILVA E LUNA

Fica no PL ou vai para o PSD: Se ficar o bicho pega se sair o bicho come?

“General ensaia saída, mas descobre que coragem política não vem no pacote do cargo”

Na política, há momentos em que o sujeito precisa escolher um lado. E há momentos, mais comuns do que se imagina. Em que ele tenta escolher todos ao mesmo tempo. O prefeito de Foz do Iguaçu, General Joaquim Silva e Luna, parece ter decidido inovar: quer sair sem sair, ficar sem ficar e, se possível, agradar gregos, troianos e o caixa de investimentos públicos.

O dilema entre o Partido Liberal e o PSD virou uma espécie de novela mexicana com roteiro mal resolvido. Num dia, o general aparece em evento de Ratinho Júnior, discursa com entusiasmo, praticamente ensaia um pedido de filiação no PSD em praça pública. No outro, recua com a velocidade de quem lembrou que ainda tem compromissos com Jair Bolsonaro e sua base. É o famoso “fui, mas nem tanto”.

“Fiel até quando? O prefeito que negocia até a própria permanência”

A verdade é que o general Silva e Luna não está indeciso, está calculando. Permanecer no PL significa manter uma identidade política já consolidada, mas com um custo alto: a dificuldade de transformar promessas eleitorais em obras concretas. Afinal, sem apoio alinhado, projetos viram papel e discursos viram arquivo morto. Ficar, nesse caso, é correr o risco de governar no modo “economia de guerra”, onde se promete muito e se entrega o mínimo possível.

Já migrar para o PSD parece, à primeira vista, o caminho mais sedutor. Sob a tutela de Ratinho Júnior, o prefeito poderia destravar recursos, acelerar obras e apresentar resultados visíveis, ainda que com prazo de validade. Porque a conta chega, e ela vem em 2026. Se o grupo político não se sustentar, o que hoje é apoio amanhã pode virar abandono. E aí o prefeito troca estabilidade por uma aposta de alto risco.

No meio desse jogo, surge a pergunta incômoda: vale a pena trocar quatro anos de base consolidada por alguns meses de investimentos turbinados? Ou melhor, até que ponto uma gestão pública pode ser guiada por calendários eleitorais em vez de planejamento real?

E como todo bom roteiro político brasileiro, o passado volta para assombrar o presente. A história de que o general seria uma “melancia”, verde por fora e vermelha por dentro reaparece com força. Não é exatamente um segredo que ele já ocupou cargo relevante no governo de Dilma Rousseff e atravessou a transição para Michel Temer sem maiores traumas. Para seus críticos, isso não é versatilidade, é conveniência. Para seus aliados, é experiência. No fim, depende apenas de quem conta a história.

Enquanto isso, o tabuleiro estadual também muda rapidamente. O apoio declarado de Ratinho Júnior a Ronaldo Caiado bagunçou os planos de muita gente. Prefeitos que estavam prontos para abandonar o PL agora pisaram no freio. O que parecia uma debandada virou um engarrafamento político, onde ninguém sabe exatamente qual saída pegar. O medo de isolamento fala mais alto que qualquer convicção partidária.

“Nem Bolsonaro, nem Ratinho: Silva e Luna escolhe o próprio umbigo como bússola”

E é aí que a situação do prefeito de Foz do Iguaçu, general Silva e Luna se torna ainda mais delicada. Ele não decide sozinho. Decide olhando para o comportamento dos outros. Se muitos saírem, sair é seguro. Se muitos ficarem, ficar vira estratégia. O problema é que, nesse tipo de cálculo coletivo, ninguém quer ser o primeiro a errar.

No final das contas, o prefeito não está diante de uma escolha ideológica, mas de uma equação de sobrevivência. Não se trata de direita ou esquerda, de projeto ou visão de cidade. Trata-se de acesso a recursos, apoio político e viabilidade eleitoral.

E assim, entre idas e vindas, discursos inflamados e recuos silenciosos, a política local segue seu roteiro previsível: decisões importantes sendo tomadas não com base no que é melhor para a população, mas no que garante mais fôlego até a próxima eleição.

“Sai do PL? Fica no PSD? Prefeito aposta no ‘vai que ninguém cobra’”

A pergunta que fica não é se o general vai sair ou ficar. A pergunta real é: em algum momento essa escolha será feita pensando na cidade, ou continuará sendo apenas mais um capítulo do eterno jogo de conveniências que define a política brasileira que é a próxima eleição.

Um coisa é certa. Se ficar no PL o bicho pega se sair o bicho come.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 432, página 3, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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