Sergio Moro trai Fernando Giacobo após poucos dias de casamento
Por Tribuna Foz dia em Notícias
ELEIÇÕES DAS TRAIÇÕES
Sergio Moro trai Fernando Giacobo após poucos dias de casamento
Após a traição, Giacobo abandonou a presidencia do PL e se desfiliou do partido
Enrique Alliana - Jornalista
Se alguém ainda acreditava em fidelidade na política, talvez seja hora de atualizar o conceito. O caso mais recente envolvendo Sergio Moro e Fernando Giacobo não chega a ser uma surpresa. Apenas mais um capítulo de uma novela onde o roteiro já é conhecido, mas ainda assim consegue constranger.
O “casamento” entre Moro e o PL mal teve tempo de sair da lua de mel. Durou menos que promoção relâmpago. Promessas foram feitas, alianças seladas e, como de costume, a palavra empenhada evaporou com a mesma facilidade de discurso em campanha. Fernando Giacobo, que entrou acreditando ser protagonista, acabou figurante em um enredo onde o final já estava escrito: traição anunciada.
Mas convenhamos, não é a primeira vez. Basta voltar para 2022, quando Sergio Moro protagonizou outro divórcio relâmpago, dessa vez com o Podemos. Depois de usufruir da estrutura partidária. Avião, hotéis, palanque e tapete vermelho, decidiu que o amor havia acabado e partiu para os braços do União Brasil. A então presidente do partido, Renata Abreu, ficou sabendo pela imprensa. Nada mais simbólico: na política moderna, compromisso é opcional, mas a coletiva de imprensa é obrigatória.
Agora, em 2026, o roteiro se repete com requintes de ironia. Sergio Moro se aproxima do PL, partido ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem já teve relações turbulentas no passado. Afinal, foi demitido do Ministério da Justiça em meio a acusações e conflitos internos. Mas como o pragmatismo político costuma superar qualquer memória, eis que surge uma nova aliança.
Ou melhor, um novo “relacionamento aberto”, onde a única regra é não ter regra.
O problema é que Fernando Giacobo acreditou. Apostou, como quem joga na loteria política, esperando sair vencedor. Só não contava que, desta vez, o prêmio seria um pé na porta. Em poucos dias, Moro não apenas mudou o tom, como passou a exigir o controle do partido no Paraná, ficando o mando a Felipe Barros. Resultado: Giacobo nocauteado, entregando o cargo e saindo de cena. Não sem antes sentir o gosto amargo de quem foi usado como escada.
E como toda boa novela política, há reviravoltas paralelas. O mesmo Giacobo que recentemente atacava Ratinho Junior, agora ensaia uma reconciliação digna de final de temporada. Porque, no fim das contas, na política brasileira, inimigos de ontem são aliados de amanhã e vice-versa, dependendo da conveniência.
O mais curioso é que ainda há quem se espante. A sucessão de alianças frágeis, rompimentos rápidos e discursos reciclados já deixou de ser exceção para virar regra. O que se vê não é estratégia, mas improviso; não é ideologia, mas sobrevivência.
E enquanto a direita paranaense se fragmenta em disputas internas, o cenário se desenha com uma ironia quase poética: o racha pode abrir caminho para o fortalecimento da esquerda. No fim, tantas traições podem acabar produzindo um efeito colateral inesperado. A entrega do jogo para o adversário.
Se existe uma lição nisso tudo, talvez seja simples: na política atual, compromisso dura menos que manchete. E fidelidade? Essa já saiu de pauta faz muito tempo.
