TREVO DO CHARRUA: Sete anos de promessas e a obra que nunca chega
Por Tribuna Foz dia em Notícias
TREVO DO CHARRUA
Sete anos de promessas e a obra que nunca chega
Quando falta concreto, sobra discurso
O Trevo do CTG Charrua virou uma espécie de monumento à eficiência da política iguaçuense: está fechado desde o fim de 2019/início de 2020 e continua servindo como prova de que, em Foz do Iguaçu, promessa parece trafegar muito mais rápido que obra.
O fechamento rompeu uma importante ligação entre as regiões Central e Norte e obrigou milhares de moradores a alterar seus deslocamentos. O problema atravessou mandatos, campanhas eleitorais, discursos e reuniões. Políticos passaram, promessas ficaram e o motorista continuou dando a volta.
Durante esses anos, Foz teve representantes municipais, estaduais e federais anunciando articulações, reuniões e soluções. Entre eles Fernando Giacobo, Luciano Alves, Cabo Cassol e até o próprio Prefeito General Joaquim Silva e Luna.
Em janeiro de 2025, por exemplo, a própria Câmara cobrava formalmente informações da Prefeitura sobre a reabertura do trevo.
O tempo passou e o dito "trevo" continua fechado. Quando assumiu a Prefeitura em janeiro de 2025, o Prefeito General Silva e Luna foi ao vivo na TV Cataratas dizendo que no mês de outubro de 2025 estaria inaugurando a trincheira do CTG Charrua, e completando que a prefeitura tinha dinheiro em caixa para fazer a dita "obra".
Chegou o mês de outubro de 2025 e nada. Já estamos chegando em outubro de 2016 e até agora nada. Esse discurso demonstrou que o general é um mentiroso costumas, ou simplesmente o dinheiro sumiu?
O calendário anda. O trevo, não
Ainda na gestão do prefeito Joaquim Silva e Luna, o assunto voltou a ganhar espaço. Vieram ofícios, reuniões e articulações. Depois surgiu a proposta de um viaduto para finalmente religar as regiões separadas pelo fechamento.
Em junho de 2026, a Prefeitura apresentou publicamente o projeto. Bonito no papel. O pequeno detalhe é justamente aquele que costuma separar maquete de obra: segundo informações divulgadas após a audiência pública, ainda não havia previsão dos recursos necessários para executá-lo.
Ou seja: depois de tantos anos, Foz conseguiu avançar da promessa para o projeto. Agora falta aquela etapa inconveniente chamada dinheiro, licitação, máquinas, concreto e obra pronta.
A trincheira política das promessas
E é justamente aí que entra a memória do eleitor. A cada nova temporada eleitoral, o Trevo do Charrua parece ressuscitar como pauta prioritária. Aparece em requerimento, indicação, vídeo, reunião, fotografia e discurso. Só não reaparece aberto para a população.
O cidadão já poderia até criar um bingo político: “articulação”, “tratativas”, “estudos técnicos”, “solução definitiva”, “reunião produtiva” e “busca de recursos”. Quem completar a cartela primeiro ganha o direito de dar mais uma volta para chegar ao outro lado da cidade.
Tanta força política para tão pouco concreto?
A pergunta permanece: se existe toda essa força política anunciada aos quatro ventos, por que um problema conhecido há tantos anos continua sem solução definitiva? O Trevo do Charrua não precisa de mais um padrinho político. Precisa de obra.
Não precisa de candidato posando diante do problema. Precisa de autoridade apresentando recurso garantido, cronograma, licitação e data realista para conclusão.
Porque projeto sem dinheiro não é viaduto. Reunião não é trincheira. Ofício não libera trânsito. E discurso, por mais bonito que seja, ainda não virou asfalto.
Foz não pode ser plateia de promessas
A população não deveria ser obrigada a assistir eternamente ao mesmo espetáculo, apenas com troca de atores. Desde 2019, gerações de discursos já passaram pelo Trevo do Charrua. Enquanto isso, o obstáculo continua no mesmo lugar.
Talvez esteja na hora de trocar a pergunta. Em vez de perguntar quem vai “lutar pelo Trevo do Charrua”, perguntar: onde está o dinheiro, qual é o cronograma e quando começa efetivamente a obra?
Porque promessa já existe em quantidade suficiente para construir uma ponte. O que ainda falta é construir a obra.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 446, página 5, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

