Apresentador dispara tiro de fuzil ao vivo em TV no Irã como "treinamento"
Por Tribuna Foz dia em Notícias
Apresentador dispara tiro de fuzil ao vivo em TV no Irã como "treinamento"
Um apresentador efetuou um disparo de fuzil dentro do estúdio da televisão estatal iraniana, em uma iniciativa do governo que busca ensinar a população a manejar armas de fogo para um eventual combate contra Israel e os Estados Unidos.
O que aconteceu
Televisão estatal do Irã aderiu à iniciativa de treinamento envolvendo armas. Um integrante da Guarda Revolucionária explicou em um programa como mirar e disparar com fuzis de assalto. A cena em que o apresentador efetua um disparo dentro do estúdio é exibida repetidamente.
A demonstração na TV aconteceu em meio a oficinas espalhadas pela capital Teerã, e que têm o mesmo objetivo. Em uma praça da cidade, um integrante da Guarda Revolucionária explicou ao público como carregar e descarregar um fuzil Kalashnikov. A apresentação aconteceu diante da possibilidade de retomada dos combates contra Israel e os Estados Unidos.
Durante quase meia hora, o militar apresentou diferentes tipos de munição. Com a ajuda de painéis explicativos, ele ensinou também os procedimentos para montar e desmontar o fuzil de assalto.
Autoridades instalaram oficinas de treinamento militar desse tipo por toda a capital. "A resposta da população, tanto de homens quanto de mulheres, é extraordinária. A participação é totalmente voluntária", assegura Nasser Sadeghi, integrante da Guarda Revolucionária, diante de seu posto na praça Haft-e Tir, no centro da capital iraniana.
Sessões começaram há pouco mais de duas semanas e têm como objetivo preparar os civis para uma eventual retomada das hostilidades. "O objetivo é promover a cultura do martírio e vingar o sangue de nosso líder", diz Sadeghi, em referência ao líder supremo Ali Khamenei, morto nos primeiros ataques americano-israelenses de 28 de fevereiro, e que desencadearam a guerra.
As oficinas se limitam, por enquanto, ao manejo de fuzis Kalashnikov. "Mas, se Deus quiser, outras armas também serão utilizadas nesses treinamentos, conforme as autoridades considerarem apropriado", afirma Sadeghi.
"Iremos para o combate"
Entre os participantes, há homens sem experiência militar específica e mulheres de chador."Se Deus quiser, um dia poderemos usá-las contra uma agressão inimiga", afirma Fardin Abbasi, funcionário público de 40 anos que participou do curso.
"Trazemos nossos filhos para que acompanhem esse treinamento", diz Fatemeh Hossein-Kalantar, de 47 anos. "Sempre que nosso guia, o mais querido para nós, nos der a ordem, iremos para o combate", promete ela, considerando que as hostilidades devem continuar até que "o sangue de nosso líder seja legitimamente vingado".
"Nas circunstâncias impostas atualmente pelos Estados Unidos, que não poupam mulheres, crianças nem idosos, aprender a atirar e a manejar uma arma faz parte de nosso dever. Assim, se necessário, poderemos usá-la" diz mãe de família iraniana de 39 anos, não identificada.
Irã X EUA
Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, Irã e EUA realizaram uma rodada de negociações diretas em Islamabad, em 11 de abril. No entanto, as conversas não obtiveram sucesso. Desde então, os países vêm trocando propostas para um acordo duradouro, mas sem avanços significativos.
Ontem, o presidente americano Donald Trump anunciou que cancelou de última hora um novo ataque contra o Irã. O republicano afirmou que Teerã está implorando por um acordo, e não descartou atacar novamente o país. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou hoje em coletiva de imprensa que as conversas estão avançando, mas afirmou que o plano B dos EUA é "reiniciar a campanha militar" contra o Irã.
Fonte: Uol, com informações da AFP
