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Chefe de gabinete do Vereador Ranieri é nomeada Diretora na Prefeitura de Foz

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ISSO PODE JUVENAL?

Chefe de gabinete do Vereador Ranieri é nomeada Diretora na Prefeitura de Foz

Portaria 83830: Quando a coincidência tem número, página e salário; Mérito técnico ou harmonia remunerada?

Harmonia institucional ou dupla sertaneja do Diário Oficial? Na teoria aprendida nos livros de Direito Constitucional, os poderes são independentes e harmônicos. Cada um no seu quadrado, fiscalizandose mutuamente, garantindo equilíbrio e evitando abusos. Na prática iguaçuense, contudo, parece que Executivo e Legislativo resolveram formar uma dupla sertaneja: independentes no discurso, mas afinadíssimos quando o assunto é cargo em comissão.

Independência entre poderes: Agora em versão cargo comissionado

E assim surge mais um capítulo da novela administrativa local. No Diário Oficial nº 5408, de 11 de fevereiro de 2026, página 22, porque transparência aqui tem número, data e paginação. Lá está a Portaria nº 83830. O Prefeito General Joaquim Silva e Luna nomeia Leila Regina Youssef Thaumaturgo para o cargo de Diretora de Urbanismo e Plano Diretor, subordinada à Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo.

Até aí, tudo dentro da formalidade. O detalhe pitoresco é que a agora diretora era chefe de gabinete do vereador Ranieri Marchioro. Mas calma, nada de conclusões precipitadas. Deve ser apenas uma dessas coincidências administrativas que florescem exatamente após votações importantes. Uma espécie de alinhamento cósmico entre Poderes. Mercúrio retrógrado na folha de pagamento.

Executivo e Legislativo: Separados na teoria, unidos na folha de pagamento

Porque, claro, não se trata de interferência. Trata-se de "cooperação institucional". Não é troca de favores. É valorização técnica. Não é influência política. É reconhecimento de competência. E, se alguém ousar estranhar, certamente ouvirá que tudo está dentro da legalidade. Afinal, está publicado no Diário Oficial. Se está no Diário, é quase poesia republicana.

A dúvida que fica. Meramente filosófica é: quem manda agora? Até poucos dias, a servidora respondia ao vereador no gabinete da Câmara. Agora responde ao secretário, que responde ao prefeito. Mas será que a hierarquia mudou por completo ou apenas ampliou o raio de ação? O mandato do vereador ganhou um "anexo" na Prefeitura? A Secretaria de Planejamento virou uma espécie de extensão territorial do gabinete parlamentar?

Secretaria de Planejamento ou anexo do gabinete?

Enquanto isso, a população aprende, na prática, como funciona a tal independência entre os poderes: um indica, o outro nomeia, e todos explicam que se trata apenas de mérito técnico atravessando a Praça dos Três Poderes municipais com crachá novo e salário reajustado.

E o Ministério Público Estadual? Ah, este observa com a serenidade de quem aprecia uma bela harmonia institucional. Afinal, se está tudo "formalmente" correto, para que estragar a música?

Aprendeu rápido, Vereador? Manual prático da interdependência

Curioso é lembrar que, no primeiro ano de mandato, o vereador Ranieri Marchioro declarou em diversas ocasiões que estava aprendendo. Humildade é uma virtude. Aprender faz parte. A pergunta agora é: aprendeu rápido demais? Gostou da dinâmica? Resolveu aplicar o conteúdo prático expandindo horizontes administrativos para além da Câmara? Talvez seja apenas maturidade política. Talvez seja estratégia. Talvez seja coincidência. Em Foz, coincidências parecem ter cargo, função gratificada e publicação em página específica.

Foz do Iguaçu e a república do crachá novo

O cidadão comum olha para tudo isso e tenta entender onde termina a harmonia e começa a conveniência. Onde acaba a legalidade e começa a moralidade criativa. Onde se encerra a independência e se inaugura a interdependência remunerada.

E então, ecoando pelos corredores da Prefeitura, da Câmara e, quem sabe até do Ministério Público, onde surge a pergunta que não quer calar: Isso pode, Juvenal?

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 430, página 8, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

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