Hospital Municipal de Foz do Iguaçu fecha 2025 com rombo de R$ 70,17 milhões
Por Tribuna Foz dia em Notícias
Hospital Municipal de Foz do Iguaçu fecha 2025 com rombo de R$ 70,17 milhões
Sob o comando do Prefeito Joaquim Silva e Luna, a Fundação Municipal de Saúde entra na reta final para extinção sem conseguir mensurar impacto das próprias dívidas
O Hospital Municipal Padre Germano Lauck (HMPGL) encerrou 2025 com patrimônio líquido negativo de R$ 70.171.955,64 e manteve registrados R$ 7.469.501,19 em obrigações tributárias de períodos anteriores sem atualização por juros e multas.
Os dados constam das demonstrações contábeis de 2024 e 2025, publicadas no Diário Oficial do Município na última terça-feira 28 de abril de 2026. O relatório de auditoria independente, assinado pela contadora Maria Elizabete Morais, foi emitido com ressalva, por limitações que afetam a apuração do passivo, do patrimônio e do resultado financeiro da Fundação.
O documento aponta que a entidade mantém saldos a pagar relativos a PIS, Cofins e CSLL sobre prestação de serviços de terceiros, no valor de R$ 3.693.031,17, além de IRRF sobre salários, no valor de R$ 3.776.470,02.
A auditoria registra que, mesmo com a aplicação de procedimentos alternativos, “não foi possível mensurar os efeitos no passivo, no resultado e no patrimônio líquido” em 31 de dezembro de 2025.
Conforme os dados apurados, a deterioração patrimonial segue em curso no hospital. O patrimônio líquido negativo passou de R$ 64.010.242,65 em 2024 para R$ 70.171.955,64 em 2025, piora nominal de R$ 6.161.712,99, equivalente a 9,6%.
O relatório também destaca que a continuidade operacional do HMPGL permanece condicionada à manutenção de repasses financeiros regulares do Município, formalizados pelo Contrato de Gestão nº 349/2023 e pelo Plano Operativo Assistencial.
Prazo de extinção se aproxima com contas sob ressalva
A publicação da auditoria ocorre no processo de extinção da Fundação Municipal de Saúde, vinculado à federalização do Hospital Municipal Padre Germano Lauck (HMPGL).
A Lei nº 5.552/2025 fixou prazo de até 365 dias, a partir de 22 de junho de 2025, para a transferência da gestão do hospital da Fundação para a Autarquia Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu. O limite legal se encerra em junho de 2026.
A menos de dois meses desse prazo, as demonstrações com ressalva, os passivos tributários sem atualização e a impossibilidade de mensurar seus efeitos impactam diretamente a transferência de ativos, passivos e responsabilidades para a nova estrutura.
O prazo já havia sido prorrogado pela Câmara de Vereadores em junho de 2025, no contexto das negociações para a federalização da unidade.
A proposta prevê a transformação do hospital em unidade universitária, sob gestão da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), mas ainda depende de etapas não concluídas, como a regularização do imóvel e a definição das condições de transferência.
A condução dessa transição está sob responsabilidade do coronel Jorge Ricardo Áureo Ferreira, ex-chefe de Gabinete do prefeito, que dirige a Fundação e o hospital neste momento.
Procurado, Áureo não respondeu aos questionamentos sobre as ressalvas da auditoria, a situação contábil da Fundação e a condução da federalização.
Fonte: Bruno Soares / Plural
