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HOSPITAL MUNICIPAL: "E aí, General… como fica o Hospital?" Quando a gestão vira campo de batalha e o paciente é o refém

Por Tribuna Foz dia em Notícias

HOSPITAL MUNICIPAL: "E aí, General… como fica o Hospital?" Quando a gestão vira campo de batalha e o paciente é o refém
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HOSPITAL MUNICIPAL

"E aí, General… como fica o Hospital?" Quando a gestão vira campo de batalha e o paciente é o refém

"Entre o bisturi e o abandono o Hospital chega a beira do colapso e a gestão brinca de administrar"

Em Foz do Iguaçu, o Hospital Municipal parece ter adotado uma nova especialidade: a arte de funcionar no limite, e ainda assim, surpreender negativamente. O que deveria ser um espaço de cuidado virou um laboratório de improviso, onde a pergunta mais comum já não é "qual o diagnóstico?", mas sim "quem ainda aguenta?".

"A saúde sangra e a administração finge não ver"

O cenário é tão crítico que já não cabe mais no prontuário. O Centro Cirúrgico, coração operacional da unidade, falha como um motor sem manutenção. Cirurgias ortopédicas são adiadas, pacientes acumulam dor e frustração, e a fila cresce com a eficiência de quem sabe exatamente como não resolver um problema. É quase um milagre da engenharia reversa: quanto mais se tenta, menos se entrega.

Mas não é só o concreto que racha. O ambiente humano também. Relatos de assédio se multiplicam, enquanto a gestão pratica um silêncio que não é institucional, é conveniente. Ignorar o problema virou estratégia, como se o desconforto desaparecesse junto com a falta de resposta. Para quem trabalha ali, o clima já não é de pressão. É de exaustão.

A saída da diretora Ielita, longe de encerrar um ciclo, apenas escancarou o vazio de resultados. Passou-se uma gestão inteira sem avanços concretos, como se o hospital estivesse em modo de espera permanente. Planejamento? Talvez esteja em observação. Resolutividade? Ainda não deu entrada.

"Sem segurança, sem respeito: profissionais enfrentam risco diário"

E quando o assunto é segurança, o roteiro beira o absurdo. Profissionais lidam com pacientes psiquiátricos sem estrutura adequada, sem protocolos eficazes e, em alguns casos, sem o mínimo de proteção. Há relatos de entrada de pessoas com objetos perfurantes, uma cena que mistura descaso com negligência e transforma o ambiente hospitalar em território de risco. Cuidar da saúde virou também sobreviver ao plantão.

Na tentativa de tapar o sol com peneira, ou melhor, de cobrir um rombo estrutural com soluções temporárias, a gestão aposta no Processo Seletivo Simplificado (PSS). O problema não é o instrumento, mas o abuso. O uso excessivo cria vínculos frágeis, equipes instáveis e um ciclo de rotatividade que compromete qualquer padrão de qualidade. É o tipo de solução que resolve hoje e piora amanhã. Uma especialidade que o hospital parece dominar.

O resultado dessa soma de decisões questionáveis é previsível: profissionais adoecem, afastamentos aumentam, equipes se desmancham e o atendimento à população perde consistência. No fim, quem paga a conta não é quem decide, é quem depende.

"Prometeram um hospital, entregaram um problema"

E, como em toda boa crise, surge a promessa salvadora: o tal Hospital Regional. Um projeto que, no discurso, resolve tudo. Na prática, ainda habita o mesmo universo de histórias encantadas de Alice no País das Maravilhas. Bonito, fantasioso e absolutamente distante da realidade. Enquanto isso, o hospital atual segue pedindo socorro… sem resposta.

No meio desse caos cuidadosamente ignorado, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Foz do Iguaçu e Região tenta fazer o papel que deveria ser compartilhado: cobrar, denunciar e lembrar o óbvio. Saúde não combina com improviso.

E é aí que a pergunta volta, insistente, quase irônica pela repetição:

"Quando o problema é a gestão, não há cura fácil"

E aí, General… como fica o Hospital?

Porque, até agora, o que se vê não é gestão, é contenção de danos. Não é planejamento, é reação tardia. E não é cuidado, é sobrevivência institucional.

O Hospital Municipal de Foz do Iguaçu segue funcionando. Não por eficiência, nem por estratégia, mas pela resistência de quem ainda insiste em trabalhar em um sistema que já deixou claro: o limite nunca é o bastante.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 433, página 9, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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