Javier Milei defende golpe e ditadura de Pinochet durante evento da ultradireita no Chile
Por Tribuna Foz dia em Notícias
Javier Milei defende golpe e ditadura de Pinochet durante evento da ultradireita no Chile
Presidente da Argentina reivindicou gestão econômica do regime chileno; estudos apontam que gestão militar registrou 45% de pobreza e 22% de desemprego
Em um evento realizado na última quinta-feira (03/09/2026), em Santiago do Chile, o presidente da Argentina, Javier Milei, reivindicou o golpe dado pelos militares chilenos em 11 de setembro de 1973.
A declaração ocorreu durante um seminário do Foro de Madri – organização similar ao progressista Foro de São Paulo, mas que reúne organizações de extrema direita de países ibero-americanos.
“Graças a eles (Pinochet e militares), o Chile foi, sem dúvida, a inveja de toda a região em termos econômicos”, acrescentou o mandatário argentino.
A frase faz referência ao golpe de Estado que derrubou o governo democraticamente eleito do presidente socialista Salvador Allende (1970-1973) e instalou a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), que durou 17 anos e foi marcada por terríveis violações aos direitos humanos.
Segundo Milei, “o Chile é um lugar emblemático, porque foi aqui que derrubaram o comunista (sic) Allende, e a partir daí o país entrou em um período de estabilidade e crescimento que durou mais de 40 anos”.
Vale destacar que, diferente do que disse o mandatário argentino, Salvador Allende era socialista e não comunista, embora seu projeto político, a Unidade Popular, tivesse contado com o apoio do Partido Comunista, que foi parte da coalizão de governo.
Mito da economia pinochetista
Apesar de ser bastante difundido em círculos de direita o argumento usado por Milei sobre o suposto milagre econômico chileno realizado durante a ditadura de Pinochet, estudos realizados sobre a economia do país andino ao final do regime ditatorial mostram um cenário diferente.
No livro Reformas económicas en Chile: 1973-2017 (ou “Reformas econômicas no Chile: 1973-2017”), o economista Ricardo Ffrench-Davies, da Universidade do Chile, questiona essa visão e, pelo contrário, afirma que uma das razões pelas quais o regime pinochetista caiu foi a crise econômica que o país enfrentou durante quase toda a década de 80.
Em seu levantamento, Ffrench-Davies afirma que poucos meses antes da saída do ditador do Palácio de La Moneda, o Chile tinha 45,1% da sua população abaixo da linha da pobreza – dado de 1987 do Ministério do Planejamento do Chile – e um índice de desemprego de 18,4% em 1982 e de 22,1% em 1983 – dados de pesquisa da Universidade do Chile.
Vale destacar, também, que Ffrench-Davies é um dos chamados “Chicago Boys”, economistas liberais formados na Universidade de Chicago, defensor do livre mercado e de ideias econômicas consideradas de direita.
Fonte: Opera Mundi
