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"EUA fracassam em dobrar Irã" após seis meses de conflito

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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New York Times

"EUA fracassam em dobrar Irã" após seis meses de conflito

República Islâmica permanece firme enquanto Washington perde credibilidade; analistas alertam para riscos de nova escalada

Seis meses depois dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano, a República Islâmica permanece no poder e os objetivos de Washington continuam não cumpridos, afirma reportagem do New York Times (NYT), publicada na última sexta-feira 28 de agosto de 2026.

Segundo o artigo – assinado pelo jornalista Steven Erlanger, correspondente do jornal na Europa –, a substituição de uma guerra militar por uma guerra econômica intensificada também não deve alterar a estratégia do Irã.

A reportagem aponta ainda a perda de credibilidade dos Estados Unidos e também os riscos de uma nova escalada militar. “É difícil disfarçar o que claramente foi um fracasso norte-americano em dobrar o Irã à sua vontade”, diz o texto.

Segundo Sanam Vakil, diretora do Programa do Oriente Médio e Norte da África do Chatham House, “a guerra falhou em cumprir os objetivos dos Estados Unidos”.

O texto destaca que, após os ataques iniciais, o Irã conseguiu restaurar parte de seus lançadores de mísseis, atingindo os aliados de Washington e as bases norte-americanas na região.

“Causamos muito dano ao Irã, mas eles saíram mais fortes do que antes”, afirma Suzanne Maloney, vice-presidente de política externa do Brookings Institution. Ela avalia ainda que o conflito passou a dominar a presidência de Donald Trump, afetando a credibilidade dos Estados Unidos entre seus aliados.

Além de sobreviver à ofensiva, a República Islâmica mantém o controle efetivo sobre o Estreito de Ormuz, ampliando sua influência regional, enquanto os países inicialmente atacados por Teerã na região, agora buscam uma reaproximação.

Segundo Maloney, após os ataques, os países vizinhos de Teerã passaram a considerar necessário encontrar uma forma de convivência com a República Islâmica, que não desaparecerá.

Riscos de nova ofensiva

Sobre a “Operação Fúria Épica”, anunciada na semana passada pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, o NYT ressalta a ausência de explicações sobre o tempo da ofensiva econômica, quais instrumentos serão utilizados e qual é exatamente o objetivo final de Washington.

Esta indefinição, aponta o jornal, é um dos principais problemas apontados pelos especialistas. “Não há uma articulação clara dos objetivos dos Estados Unidos”, afirmou Esfandyar Batmanghelidj, da Bourse & Bazaar Foundation. Para ele, sanções usadas como instrumento de coerção tendem a fracassar quando não há uma definição concreta da mudança de comportamento que se pretende obter.

Já Ali Vaez, diretor do projeto sobre o Irã do International Crisis Group, destaca que a estratégia econômica também pode produzir justamente a escalada militar que Washington afirma tentar evitar.

Caso as sanções fracassem, os Estados Unidos podem voltar à ofensiva militar; caso tenham sucesso em estrangular a economia iraniana, Teerã pode aumentar suas ações para romper o bloqueio naval. “É mais provável que seja um prelúdio para mais uma rodada de guerra militar”, avalia.

Enquanto isso cresce em Washington e Teerã a percepção de que um acordo pode ser impossível, aponta a reportagem. Para Ellie Geranmayeh, especialista em Irã do Conselho Europeu de Relações Exteriores, trata-se de “um momento perigoso”, porque ambos os governos caminham para a conclusão de que não há possibilidade de entendimento.

Avaliação da Al Jazeera

A emissora catari Al Jazeera também publicou uma análise dos últimos seis meses, ressaltando que a expectativa da liderança norte-americana no início da ofensiva, era de que a combinação de pressão econômica e militar provocasse mudanças estruturais em Teerã.

“Não há chance de o governo em Teerã cair nos próximos seis meses”, afirmou ao veículo do Catar o analista H.A. Hellyer, do Royal United Services Institute (RUSI). Segundo o especialista, mesmo que a pressão econômica fosse mantida e eventualmente desencadeasse um processo capaz de provocar o colapso do Estado iraniano, isso levaria anos, e não meses.

Hellyer avalia ainda que Israel continua perseguindo seu projeto regional de “supremacia”, apesar de não ter conseguido colocar o Irã de joelhos. Para ele, é improvável que as atuais condições permaneçam inalteradas.

Também entrevistada pelo veículo, Sanam Vakil acrescentou que “a guerra só acelerou tendências, mas não iniciou nada que já não estivesse em andamento. Os países do Golfo já estavam diversificando suas economias”.

Na avaliação de Vakil – que é analista política e diretora do Programa para o Oriente Médio e Norte da África da Chatham House –, vários governos da região já avaliavam a possibilidade de ampliar suas parcerias militares para além das garantias de segurança oferecidas pelos Estados Unidos.

Números do confronto

Em outra reportagem, a Al Jazeera traz os números dos últimos seis meses de confronto. Pelo menos 7.900 pessoas mortas foram mortas, 4.350 pessoas no Líbano, 3.527 no Irã e 28 nos estados do Golfo. Outros 60 israelenses e 18 militares dos EUA foram mortos em ataques iranianos. O Pentágono informa que 757 militares dos Estados Unidos ficaram feridos.

Também foram mais de 5.500 ataques, de acordo com o projeto Armed Conflict Location and Event Data Project (ACLED): pelo menos 3.580 ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, e 2.053 ataques iranianos.

Em relação ao Estreito de Ormuz, o número de embarcações que cruzavam a passagem marítima antes da guerra passou de 100 navios diários para sete, nesta semana. Neste período, 70 ataques contra embarcações foram confirmados pela Organização Marítima Internacional (OMI), resultando em 19 mortes de marinheiros até 26 de agosto.

Aos Estados Unidos, salienta o balanço da agência catariana, a guerra já custou segundo as declarações oficiais, pelo menos US$ 37,5 bilhões. O número real, no entanto, é provavelmente maior, citando uma estimativa interna do Pentágono que avalia os custos entre US$ 80 e 100 bilhões

Além disso, o preço do petróleo tornou-se 22% mais alto do que antes da guerra, passando de $72,48 por barril para $88,58 em 28 de agosto, após atingir picos de $120,88 em abril deste ano.

A aprovação de Trump caiu para 33%, o nível mais baixo de sua presidência e as reservas estratégicas de petróleo no país bateram o nível mais baixo desde novembro de 1982. Leia o balanço completo.

Fonte: Opera Mundi

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