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ONU aponta "crime de guerra" em ataques norte-americanos no Irã

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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ONU aponta "crime de guerra" em ataques norte-americanos no Irã

Missão investigou bombardeios a escola e complexo esportivo em fevereiro, que resultaram em 178 mortes, a maioria de crianças; informe também menciona violações durante protestos por parte de Teerã

Uma missão internacional das Nações Unidas (ONU) afirmou haver “motivos razoáveis” para acusar os Estados Unidos de crimes de guerra durante os ataques militares contra o Irã, dirigidos contra uma escola infantil em Minab e um complexo esportivo em Lamerd, em 28 de fevereiro.

“Após os ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, a missão encontrou motivos razoáveis para acreditar que os Estados Unidos cometeram o crime de guerra de lançar ataques indiscriminados que resultaram em perda de vidas ou ferimentos a civis ou danos a bens civis”, afirma o relatório da equipe de investigação.

As conclusões da missão foram anunciadas no dia de ontem, quinta-feira (17/09/2026) e serão apresentadas ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. As investigações focaram o bombardeio norte-americano contra a escola infantil, Shajareh Tayyebeh em Minab, na província de Hormozgan, no sul do país; e no ataque contra o complexo esportivo e a área residencial de Lamerd. Ao menos 178 civis foram mortos nas duas ofensivas. A grande maioria, mulheres e crianças.

Do lado iraniano, os investigadores da ONU também analisaram a repressão governamental durantes os protestos ocorridos no país no final do ano passado.

Crimes de guerra

Segundo relatório, no caso de Minab, a missão identificou que um míssil de cruzeiro Tomahawk norte-americano atingiu uma instalação civil “claramente identificável”. Os investigadores apontam que não há evidências de que o local estivesse sendo utilizado para fins militares e que as Forças norte-americanas não verificaram as informações da inteligência que indicaram a presença de um alto comandante militar iraniano no local.

A ONU afirma que a utilização de dados desatualizados e a ausência de confirmação ultrapassam os limites de uma simples negligência: “os EUA direcionaram os ataques ao prédio da escola, estando cientes de um risco substancial de atingir um alvo civil e agindo de forma imprudente em relação à possibilidade de que isso ocorresse”.

Sete meses após os ataques, a administração Trump ainda não assumiu diretamente a responsabilidade pelo bombardeio da escola, tampouco tornou públicas as conclusões da investigação conduzida pelo Pentágono.

Em relação ao ataque, ocorrido no mesmo dia 28, contra o complexo esportivo e a área residencial em Lamerd, o relatório destaca que mísseis de ataque de precisão espalharam projéteis de tungstênio sobre um “complexo esportivo e área residencial claramente identificáveis”.

O bombardeio provocou danos em edifícios residenciais e em uma escola nas proximidades, causando a morte de 22 pessoas. Segundo a ONU, a operação também teve caráter indiscriminado e configura crime de guerra. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) negou a responsabilidade pelo episódio.

Repressão no Irã durante os protestos

A mesma missão da ONU também concluiu que as autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade durante a repressão aos protestos que começaram no país no final de dezembro de 2025.

A investigação apontou a existência de um ataque generalizado e sistemático contra civis, envolvendo assassinatos ilegais, tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados, perseguição e severas restrições à liberdade de expressão.

Os investigadores afirmam que o emprego da pena de morte durante a repressão representou uma escalada significativa em relação aos padrões anteriores de repressão à dissidência no país.

Fonte: Opera Mundi

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