A "corrupção" teria chegado até na compra de pitaya em Foz do Iguaçu?
Por Tribuna Foz dia em Notícias
A "corrupção" teria chegado até na compra de pitaya em Foz do Iguaçu?
"Pitaya superfaturada levanta cheiro de corrupção na merenda escolar; Entre pitayas e suspeitas de corrupção, quem está colhendo os lucros?
Enrique Alliana - Jornalista, com informações do Plural / Bruno Soares
Em Foz do Iguaçu, parece que até a fruta resolveu acompanhar a inflação… ou talvez tenha decidido entrar para o seleto clube dos produtos de luxo. A estrela da vez não é caviar, trufa branca ou sal do Himalaia. É algo muito mais tropical: a pitaya da merenda escolar.
"De R$ 12 para R$ 60: a pitaya que aprendeu a render no setor público"
Segundo documentos oficiais da própria prefeitura, o quilo da pitaya servido às crianças da rede municipal teria sido comprado por módicos R$ 60,30. Um preço digno de delicatessen gourmet, daqueles que fariam qualquer chef estrelado levantar a sobrancelha. O detalhe curioso é que a própria cooperativa fornecedora informou à reportagem que o valor da fruta gira em torno de R$ 12,50 o quilo.
Ou seja, em algum ponto do caminho entre a plantação e o prato da merenda escolar, a pitaya sofreu uma metamorfose digna de estudo científico. Não amadureceu apenas: multiplicou seu valor quase cinco vezes. Um verdadeiro milagre da fruticultura administrativa.
Se o volume relatado pelas merendeiras é cerca de 300 quilos, estiver correto, a prefeitura teria desembolsado R$ 18.090,00 pela fruta. Pelo preço informado ao consumidor comum, a mesma quantidade custaria R$ 3.750,00. A diferença, de R$ 14.340,00, poderia comprar muita coisa: materiais de limpeza para escolas, alimentos básicos ou até algumas respostas da prefeitura, que curiosamente não vieram.
"Pitaya premiada: cinco vezes mais cara, zero explicação"
Aliás, o silêncio parece ser um ingrediente constante na receita administrativa da merenda em Foz. Questionada sobre o volume adquirido, a formação do preço e os critérios de pesquisa de mercado, a prefeitura optou pelo velho método da gestão pública contemporânea: fingir que a pergunta não existe.
Enquanto isso, nas escolas municipais, merendeiras relatam algo menos exótico que pitaya: falta de itens básicos e até de produtos de limpeza. Mas talvez seja apenas uma questão de prioridades gastronômicas. Afinal, quem precisa de arroz e feijão quando se pode ter uma pitaya digna de restaurante cinco estrelas?
"A pitaya que fez mágica com o dinheiro público"
A situação ficou tão curiosa que acabou chegando ao Ministério Público do Paraná, após denúncia encaminhada pelo Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu. A entidade pediu investigação sobre a economicidade da compra. Um termo técnico que, traduzido para o português claro, significa basicamente: alguém pode explicar essa conta?
A própria cooperativa deu uma pista curiosa ao comentar que preços na faixa de R$ 60/Kg são praticados quando a venda é destinada a programas públicos. E um funcionário resumiu a lógica da situação com uma frase que poderia entrar para a antologia da administração brasileira: “Quem paga são os programas.”
De fato. Quem paga são os programas. Ou melhor: quem paga são os contribuintes.
"Em Foz, pitaya não é fruta: é investimento público de alto rendimento"
Mas o episódio da pitaya não é apenas sobre uma fruta cara. Ele expõe um problema mais amplo: a nebulosidade que ainda envolve a gestão da merenda escolar no município. Quando questionada pela Câmara Municipal sobre fiscalização, fornecedores e controle de transporte dos alimentos, a prefeitura respondeu citando apenas um pregão eletrônico de R$ 10,39 milhões. Relatórios detalhados, inspeções e listas completas de fornecedores? Esses parecem ser itens fora do cardápio da transparência.
No fim das contas, a pergunta que fica é simples. Não é sobre gastronomia, agricultura familiar ou programas institucionais. É sobre matemática básica.
"A pitaya milagrosa: entra a R$ 12 e sai da prefeitura a R$ 60"
Como uma pitaya de R$ 12,50 se transforma em uma pitaya de R$ 60,30 quando entra no sistema público?
Talvez seja apenas mais um daqueles mistérios administrativos brasileiros, onde frutas viram ouro, respostas viram silêncio e a conta, como sempre, acaba no prato do contribuinte.
Em Foz do Iguaçu, pelo visto, até a merenda escolar já entrou na era das frutas premium. Falta apenas descobrir quem está saboreando essa diferença de preço.
"Pitaya ou corrupção? A fruta que azedou a merenda escolar de Foz"
Diante de uma diferença de preço tão expressiva, surge inevitavelmente a suspeita de que algo pode estar errado além de um simples erro administrativo. Quando um produto comprado com dinheiro público custa quase cinco vezes mais do que o preço informado pelo próprio fornecedor, abre-se espaço para questionamentos sobre superfaturamento, má gestão ou até corrupção. Cabe agora ao Ministério Público do Paraná investigar se a pitaya da merenda escolar é apenas um caso de desorganização… ou mais um capítulo da velha novela do dinheiro público mal explicado.
