Viatura da Guarda Municipal provoca acidente de trânsito durante perseguição a moto no centro de Foz do Iguaçu
Por Tribuna Foz dia em Notícias
Viatura da Guarda Municipal provoca acidente de trânsito durante perseguição a moto no centro de Foz do Iguaçu
A lei vale para todos... até a sirene tocar?
Enrique Alliana - Jornalista
Existe um fenômeno curioso no trânsito brasileiro. Basta surgir uma viatura no retrovisor para o cidadão comum entrar em modo "auditoria". Confere a velocidade, puxa o cinto, lembra do semáforo anterior, procura o documento no porta-luvas e até promete nunca mais estacionar em local proibido. Afinal, uma multa pesa no bolso e os pontos na CNH não costumam ter desconto.
Mas parece que, em algumas situações, as regras deixam de ser tão rígidas quando quem está atrás do volante é justamente quem deveria dar o exemplo.
Na manhã deste sábado, no centro de Foz do Iguaçu, uma viatura do Grupamento Operacional de Trânsito (GOT) da Guarda Municipal acabou protagonizando um acidente ao avançar um semáforo vermelho durante uma perseguição, ou, como preferem chamar oficialmente, um "acompanhamento tático".
O resultado? Um motorista que seguia corretamente com o sinal verde teve seu veículo atingido, enquanto a motocicleta perseguida simplesmente desapareceu no horizonte.
Quem fiscaliza o fiscal?
A ironia da situação salta aos olhos. O cidadão que respeitou o semáforo acabou pagando a conta da pressa alheia. Os dois veículos ficaram bastante danificados e a viatura ainda terminou a ocorrência contra o muro de uma residência.
Naturalmente, operações de emergência podem exigir exceções às regras de trânsito. Mas exceção não significa ausência de responsabilidade. O Código de Trânsito concede prioridade aos veículos de emergência, desde que a condução seja feita com prudência e sem colocar terceiros em risco.
Moral da história
Se um motorista comum avança um semáforo vermelho, recebe multa, pontos na carteira e uma boa dose de sermão sobre responsabilidade. Quando o erro envolve justamente quem fiscaliza o trânsito, a população espera algo além de justificativas técnicas: espera transparência, apuração rigorosa e responsabilidade.
Porque autoridade não é licença para errar sem consequências. Pelo contrário. Quem tem a missão de fazer cumprir a lei deve ser o primeiro a demonstrar que ela vale para todos. Afinal, credibilidade não se conquista com sirene ligada, mas com exemplo.







