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A cidade onde o futuro chega... Mas não entra na Prefeitura

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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ENTRE ROBÔS E CONTRATAÇÕES

A cidade onde o futuro chega... Mas não entra na Prefeitura

Foz do Iguaçu, a capital brasileira da tecnologia pública, pelo menos nas propagandas da Prefeitura. Orgulha-se de ser pioneira no uso de inteligência artificial. "Servidores robôs", aplicativos que prometem resolver tudo "na palma da mão" e sistemas inteligentes que soam como se estivéssemos vivendo num episódio otimista de ficção científica. Só que, na vida real, enquanto o discurso voa em drones, a prática caminha em carroça.

A Prefeitura enviou à Câmara Municipal um projeto para criar 237 novos cargos efetivos. Sim, porque até os robôs precisam de assistentes humanos, não é mesmo? O Projeto de Lei nº 037/ 2025, assinado pelo prefeito Joaquim Silva e Luna e tramitando em regime de urgência da Câmara Municipal de Foz do Iguaçu. Afinal, nada mais urgente que aumentar a folha de pagamento. Visa alterar o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos da administração direta. A lista inclui de tudo um pouco: farmacêuticos, psicólogos, engenheiros, advogados e, claro, o setor administrativo, que ganhará um reforço de 80 agentes. Afinal, robô nenhum ainda domina a arte de carimbar papel e empilhar protocolo.

A justificativa é convincente no papel

A saúde ampliou unidades como o PAM do Porto Meira e visa até o futuro UBS do Bubas, a assistência social está sobrecarregada com população em situação de rua e migrantes, e a Procuradoria Geral enfrenta mais de 30 mil processos com apenas nove procuradores. Tudo legítimo. Mas aqui vem a pergunta incômoda: se a cidade é líder nacional no uso de inteligência artificial, não era para parte desse serviço já estar automatizado?

No material institucional, a Prefeitura jura que tem IA para triagem de pacientes, controle de vacinas, reconhecimento facial em câmeras, emissão automática de relatórios e até robô na Procuradoria para atendimento. Com tanta inovação, alguém imaginaria que a solução para os gargalos fosse contratar quase 240 pessoas. Mas parece que a "revolução digital" ainda não chegou ao RH.

A promessa era clara: menos burocracia, mais eficiência, corte de custos. Mas criar cargos efetivos é como assinar um contrato vitalício com as despesas. Nomear hoje significa pagar salários, benefícios e aposentadorias amanhã, depois e depois de amanhã. E tudo isso enquanto a Lei de Responsabilidade Fiscal observa de braços cruzados, torcendo para que ninguém estoure o limite.

O Tribunal de Contas já disse que é legal, mas recomendou cautela. E cautela é justamente o que não se vê quando a máquina pública, já com cerca de 6 mil servidores e mais de 270 comissionados, resolve engordar ainda mais. Porque cortar gastos é coisa para quem acredita que tecnologia serve para substituir processos, e não só para fazer vídeo bonito nas redes sociais.

O risco é cristalino

Transformar os robôs em peças de decoração institucional. Bonitos para mostrar em eventos, ótimos para render manchetes, mas inúteis para alterar de fato a rotina da gestão. Enquanto isso, o que deveria ser automatizado continua no velho modo "analógico": papelada, processos, mais gente para dar conta de tarefas que poderiam ser resolvidas com um clique.

Foz precisa decidir se quer IA para governar ou apenas para fazer marketing. Porque do jeito que vai, os robôs continuarão no palco, com direito a holofote, enquanto o grosso do trabalho e a folha de pagamento segue com os humanos.

E aí o futuro da cidade não será um "futuro digital". Será aquele futuro que todo mundo conhece: cheio de carimbos, pilhas de ofícios, e um ou outro robô sorridente servindo de fundo para a próxima selfie do prefeito.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 420, Página 12

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