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"Salário cheio, função vazia: O vice-prefeito Ricardo Nascimento decorativo"

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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"ENCENAÇÃO"

"Salário cheio, função vazia: O vice-prefeito Ricardo Nascimento decorativo"

Vice e nada é quase a mesma coisa? Em Foz do Iguaçu, parece que sim

A pergunta é simples, quase ingênua: para que serve um vice-prefeito? A Constituição responde com elegância institucional: é o substituto natural do prefeito em ausências temporárias e o sucessor em caso de vacância.

"Vice-prefeito influencer: salário público, conteúdo privado"

Um cargo estratégico, relevante, pensado para garantir continuidade administrativa. Pelo menos no papel. Porque, na prática iguaçuense, o viceprefeito parece ter sido reinventado como uma espécie de "influencer oficial do Executivo", pago com dinheiro público.

Em Foz do Iguaçu, o cargo ganhou nova função: aparecer. Estamos falando de Ricardo Nascimento, ou "Ricardinho", como dizem os mais entusiasmados. Não se sabe se por intimidade ou por devoção política. Em janeiro de 2026, o vice-prefeito embolsou um salário bruto de R$ 17.447,00.

"Vice-prefeito decorativo: quando o cargo é só figurinha cara no álbum da Prefeitura"

Um valor respeitável, digno de quem assume responsabilidades igualmente respeitáveis. O detalhe incômodo é descobrir "quais" responsabilidades seriam essas.

O mínimo esperado. E aqui estamos sendo generosos? Seria que o vice assumisse uma secretaria para, ao menos, justificar o contracheque. Comunicação Social, por exemplo, cairia como uma luva. Afinal, Ricardo Nascimento é apresentador de televisão e radialista, conhece microfone, câmera, enquadramento e discurso ensaiado. Experiência não falta. Mas gestão? Essa parece não fazer parte do roteiro.

"Vice-prefeito ou figurante de luxo do Executivo?"

O jornalista Enrique Alliana resolveu fazer aquilo que deveria ser rotina no serviço público: investigar. A pergunta era objetiva: o que faz o viceprefeito de Foz do Iguaçu? A resposta beira o constrangimento administrativo. Para "não ficar feio", o vice-prefeito circula pela cidade em carro oficial, acompanhado de pelo menos cinco assessores pagos pela Prefeitura, visitando obras de manutenção viária. Fiscaliza o quê? A grama.

Isso mesmo: observa atentamente funcionários da VITAL cortando grama em ruas e avenidas, enquanto posa para fotos, grava vídeos e distribui sorrisos calculados.

Tudo isso cercado de fotógrafo, jornalista e influencer. Um verdadeiro set de gravação itinerante. Afinal, segundo fontes, o projeto não é a cidade, mas a candidatura a deputado estadual. A Prefeitura vira cenário, o cargo vira trampolim e o dinheiro público banca a produção.

"Fiscalização seletiva: buraco não aparece, mas a câmera sim"

O detalhe mais cruel da cena é quase poético: enquanto o vice-prefeito grava vídeos elogiando serviços básicos, a poucos metros dali existe um buraco. Não um buraco qualquer, mas uma cratera digna de estudo geológico. Essa ele não vê. É curioso como a visão funciona seletivamente quando a realidade não rende boas imagens para as redes sociais. Quem enxerga muito bem são os motoristas, obrigados a desviar dos estragos deixados pela administração do general Joaquim Silva e Luna.

"Vice-prefeito gourmet: merenda pública e marketing político"

E não para por aí. Segundo relatos, o vice-prefeito também mantém uma agenda "social" bastante específica: visitas a escolas e creches municipais. Até aí, tudo bem. Fiscalização é necessária. O problema é que a fiscalização acontece por volta das 10 horas da manhã, horário estratégico da merenda escolar. Resultado: equipe completa, barriga cheia e retorno triunfal à Prefeitura. Em alguns casos, a diligência se repete à tarde, porque, afinal, sempre há outra unidade escolar precisando de um "lanchinho institucional". Comer de graça faz bem para o bolso e para o marketing pessoal.

No fim das contas, o viceprefeito que deveria fiscalizar de verdade, cobrar resultados e ajudar a administrar a cidade, prefere fazer politicagem. Usa a máquina pública como vitrine pessoal, o cargo como plataforma eleitoral e a fé como discurso conveniente. Fica a pergunta que não quer calar: em ano pré-eleitoral, Deus entra no vídeo ou fica fora do enquadramento?

Em Foz do Iguaçu, o vice-prefeito não governa, não decide e não resolve. Ele aparece. E, pelo visto, isso tem custado caro demais para o contribuinte.

O resultado é claro "Muito vice, pouco prefeito, quase nada de gestão".

"AUTOPROMOÇÃO"

Quanto custa um vice-prefeito e sua assessoria por mês

Enquanto a população enfrenta problemas reais. Hospital lotado, cirurgias eletivas paradas, ruas esburacadas e uma crise permanente na educação e o vice-prefeito Ricardo Nascimento parece ter encontrado sua verdadeira vocação

Em Foz do Iguaçu, administrar a cidade parece ter ganhado um novo conceito: governar virou sinônimo de produzir conteúdo para redes sociais. Enquanto a população enfrenta problemas reais. Hospital lotado, cirurgias eletivas paradas, ruas esburacadas e uma crise permanente na educação e o vice-prefeito Ricardo Nascimento parece ter encontrado sua verdadeira vocação: diretor artístico da roçada municipal.

A rotina administrativa, ao que tudo indica, segue um roteiro simples e repetitivo. Chega a equipe, posiciona a câmera, liga a máquina de cortar grama, faz-se uma expressão séria de quem está "acompanhando de perto" e pronto. Mais um capítulo da série "Zeladoria em Ação" está no ar. Resolver problemas estruturais da cidade pode até ser difícil, mas produzir vídeo de paisagismo institucional parece estar sob total controle.

O contraste entre a realidade da cidade e a realidade das redes sociais é quase cinematográfico. De um lado, pacientes aguardando procedimentos médicos que nunca chegam. De outro, a grama aparada em alta definição. É como se existissem duas Foz do Iguaçu: a da propaganda e a da vida real. E, infelizmente, quem precisa de atendimento médico não pode se tratar com filtro de Instagram.

Manter essa engrenagem de marketing público não sai barato. O vice-prefeito recebe salário bruto de R$ 17.447,00, acompanhado por uma equipe de assessores pagos com dinheiro público. A estrutura inclui chefe de gabinete, assessoria administrativa, comunicação, apoio operacional e assessoria técnica especial. Somados, os salários ultrapassam R$ 59 mil mensais, sem contar veículos oficiais, combustível e demais custos operacionais que garantem que nenhum metro de grama fique sem registro audiovisual.

Na prática, forma-se uma pequena produtora financiada pelo contribuinte. Há quem diga que existe o motorista, o segurança, o cinegrafista improvisado, o fotógrafo e até uma espécie de "diretor de imagem" informal, garantindo que o enquadramento da roçada fique perfeito. Se a gestão pública fosse medida pela altura do mato cortado, Foz do Iguaçu talvez estivesse vivendo sua era de ouro.

O problema é que a realidade cobra resultados em áreas menos fotogênicas. Não há filtro que esconda a fila no hospital, nem edição de vídeo que tape buracos nas ruas. A população não precisa apenas de manutenção de canteiros, mas de liderança política capaz de articular soluções, cobrar secretarias e enfrentar crises administrativas.

Ricardo Nascimento foi figura presente na campanha eleitoral, com discursos firmes e promessas de ação. Passado o período eleitoral, porém, a firmeza parece ter sido substituída por uma agenda de visitas a serviços de rotina, sempre acompanhadas de gravações estratégicas. A política, que deveria ser instrumento de solução, corre o risco de virar apenas cenário de autopromoção.

Não se questiona a importância da zeladoria urbana, mas a inversão de prioridades. Em uma cidade com problemas urgentes, transformar a máquina pública em estúdio de marketing soa menos como gestão e mais como performance administrativa.

A sensação que fica é de que o vice-prefeito não governa a cidade real, mas a cidade enquadrada pela câmera. Enquanto isso, fora do vídeo, a saúde continua em crise, as ruas seguem pedindo manutenção e a população espera por algo mais do que imagens de grama cortada.

Porque Foz do Iguaçu precisa de gestão de verdade, não de episódios semanais de propaganda institucional disfarçada de trabalho.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 429, páginas 4 e 5, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

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