Aline Maicrovicz tentou receber vantagens indevidas que configuraria corrupção passiva e improbidade administrativa
Por Tribuna Foz dia em Notícias
CRIMINOSA?
Aline Maicrovicz tentou receber vantagens indevidas que configuraria corrupção passiva e improbidade administrativa
Criminosa? quando o problema não é a agenda, mas o memorando
Enrique Alliana - Jornalista
Na administração pública brasileira, algumas viagens internacionais são vendidas como “missões técnicas”, outras como “intercâmbio de conhecimento” e, em casos mais criativos, como simples “conflito de agenda”. O problema é quando a agenda some, mas o memorando aparece.
Foi exatamente isso que ocorreu no episódio envolvendo a secretária de Transporte e Mobilidade Urbana de Foz do Iguaçu, Aline Maicrovicz, e sua quase excursão a Barcelona, na Espanha.
A mascara caiu
Segundo memorando interno nº 7567/2025, encaminhado ao gabinete do prefeito, a secretária Aline Maicrovicz solicitou verba de alimentação para uma viagem internacional ao badalado Smart City Expo World Congress. Até aí, nada de novo: eventos sobre “cidades inteligentes” costumam ser o álibi perfeito para deslocamentos caros e resultados invisíveis. O detalhe incômodo está no patrocinador da aventura: a Fepese, fundação contratada pela própria secretaria para realizar o estudo prévio do transporte coletivo do município.
Quase uma vantagem indevida
Ou seja, a empresa contratada pelo poder público, que deveria estar concentrada em cumprir prazos e entregar estudos, bancaria passagens aéreas, hospedagem, seguro viagem e inscrição no evento para a secretária Aline Maicrovicz responsável pelo contrato e o servidor Maxwell Lucena Morais da pasta. Um gesto de gentileza? Um brinde institucional? Ou aquilo que a legislação chama, sem rodeios, de vantagem indevida?
Convém lembrar que, à época do convite internacional, a Fepese estava em atraso no cronograma dos levantamentos. Questionada sobre o cumprimento das etapas, a secretária optou pelo silêncio. Talvez estivesse ocupada organizando as malas. Ou talvez ensaiando a versão que viria depois.
O desfecho foi ainda mais revelador. A viagem não aconteceu. Publicamente, Aline Maicrovicz afirmou que o cancelamento se deu por “questões de agenda institucional”. Um clássico. Agenda, essa entidade abstrata que aparece sempre que algo não pode ser explicado. O problema é que, nos bastidores, o gabinete do prefeito Joaquim Silva e Luna foi menos poético e muito mais jurídico.
Freada pelo gabinete
Em resposta formal ao memorando, o gabinete foi categórico: aceitar qualquer tipo de vantagem de empresa contratada pelo município é absolutamente contrário à legislação, podendo configurar corrupção passiva e improbidade administrativa. Tradução livre: não foi a agenda que barrou a viagem, foi a lei. E, de quebra, a resposta oficial desmontou por completo a narrativa apresentada pela secretária.
Preferiu questionar quem vazou a verdade
Diante do vazamento do memorando interno. Aquele que ela agora preferia que ninguém tivesse lido. A reação da secretária não foi explicar os fatos, nem esclarecer o conteúdo do pedido, nem rebater juridicamente as acusações implícitas. Preferiu perguntar à jornalista como o documento havia sido acessado. Uma preocupação curiosa: não com o conteúdo, mas com a fonte. Não com a legalidade do ato, mas com o vazamento. Recebeu, como resposta, algo básico no jornalismo: a prerrogativa de preservar fontes.
Interesse público com benefício privado
No fim das contas, o episódio revela muito mais do que uma viagem frustrada à Espanha. Revela uma gestão que parece confundir cargo público com convite VIP, interesse público com benefício privado e transparência com incômodo. Se houve crime, caberá aos órgãos competentes apurar. Mas que houve tentativa explícita de aceitar vantagens de uma empresa contratada, isso está documentado, carimbado e protocolado.
E assim, mais uma vez, Foz do Iguaçu entra para o seleto grupo de cidades onde a “cidade inteligente” ainda é só um slogan. Enquanto a esperteza administrativa continua funcionando a pleno vapor.

