"Até quando Foz do Iguaçu será curral eleitoral de políticos de passagem?"
Por Tribuna Foz dia em Notícias
VOTO ÚTIL
"Até quando Foz do Iguaçu será curral eleitoral de políticos de passagem?"
Essa conveniência costuma aparecer disfarçada de alianças "importantes", apoios "técnicos" ou projetos "regionais"
Em época de eleição, uma palavra volta a circular com força no vocabulário político: "estratégia". Mas, em muitos casos, o nome mais honesto seria outro, conveniência.
"Cidade vira moeda de troca em alianças eleitorais"
Em Foz do Iguaçu, essa conveniência costuma aparecer disfarçada de alianças "importantes", apoios "técnicos" ou projetos "regionais", quando na prática se traduz em algo bem mais simples: políticos locais pedindo votos para candidatos que pouco ou nada conhecem da realidade da cidade.
O discurso é sempre bonito. Falam em desenvolvimento, em recursos, em portas abertas em capitais distantes. Prometem influência, verbas e soluções milagrosas. É quase uma tele-entrega de progresso: você vota em alguém de fora e, teoricamente, o benefício chega pelo correio. Pena que, como toda promessa política mal embalada, o pacote quase sempre se perde no caminho.
"Salvadores de paraquedas e eleitores de memória curta"
Curiosamente, a memória política do eleitor parece funcionar como sinal de internet em dia de chuva: oscila bastante. Não faz tanto tempo assim que um general "especialista em asfalto" desembarcou por aqui com currículo pronto, discurso ensaiado e soluções aparentemente simples para problemas complexos.
O resultado, ao que tudo indica, não foi exatamente revolucionário. A não ser para a indústria de suspensão automotiva, que provavelmente viu a demanda aumentar diante da criatividade geográfica dos buracos urbanos.
"Candidatos importados, problemas exportados"
Ainda assim, a lição parece não ter sido suficiente. Chegamos a mais um ciclo eleitoral e lá estão novamente figuras públicas locais. Algumas eleitas com o discurso de defesa da cidade, posando sorridentes ao lado de candidatos importados. A justificativa costuma ser pragmática: "é importante para a cidade".
Interessante como essa importância quase sempre coincide com nomeações, cargos, promessas de espaço político ou alguma vantagem administrativa futura. Uma coincidência impressionante.
O mais curioso é observar que essa prática não se limita ao mundo político. Parte do setor empresarial também embarca nessa lógica, como se apoiar candidatos de fora fosse uma espécie de investimento financeiro de alto rendimento. Talvez seja mesmo, só não necessariamente para a cidade. Afinal, quando o compromisso principal está distante, a prioridade também costuma estar.
"Candidato de fora promete resolver problemas que ainda está procurando no mapa"
Enquanto isso, o eleitor iguaçuense continua vivendo a rotina real da cidade: hospitais pressionados, infraestrutura que precisa de manutenção constante, transporte, educação e segurança exigindo atenção permanente. Problemas locais, que dificilmente entram na lista de prioridades de quem não vive aqui, ou de quem só aparece durante a campanha.
"Voto útil ou submissão política?"
É nesse contexto que surge a ideia do chamado "voto útil por Foz do Iguaçu". Não como slogan patriótico municipal, mas como um princípio básico de coerência política: escolher representantes que conheçam a cidade não por relatórios, mas por experiência cotidiana. Pessoas que não precisem de mapa para entender onde estão os problemas, nem de assessoria para explicar o que a população já sabe.
"Eleitor vota em visitante e ganha cartão-postal de agradecimento"
Porque votar em quem conhece a cidade não é bairrismo, é lógica. A cidade não precisa de salvadores de paraquedas, nem de turistas eleitorais. Precisa de representantes comprometidos com a realidade local, e não com a próxima oportunidade política.
A pergunta que fica não é apenas "até quando isso vai acontecer?", mas algo ainda mais simples: até quando o eleitor vai aceitar esse roteiro repetido, com personagens diferentes e o mesmo final previsível?
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 430, página 3, de autoria do Jornalista Enrique Alliana
