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Anestesistas anunciam saída do Hospital Municipal e escancaram sucateamento da unidade

Por Tribuna Foz dia em Notícias

Anestesistas anunciam saída do Hospital Municipal e escancaram sucateamento da unidade
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CRISE NA SAÚDE

Anestesistas anunciam saída do Hospital Municipal e escancaram sucateamento da unidade

A que ponto chegamos? Quando até a anestesia desiste do paciente

A saúde pública de Foz do Iguaçu conseguiu atingir um novo patamar de eficiência… na arte do abandono. Desta vez, não foram os pacientes que desistiram do Hospital Municipal Padre Germano Lauck, foram os anestesistas.

Anestesistas anunciam saída do Hospital Municipal no dia 15 de fevereiro

Profissionais essenciais, aqueles sem os quais não há cirurgia, não há emergência, não há milagre possível. Eles anunciaram a saída da unidade e deram prazo: até 15 de fevereiro de 2026. Um gesto elegante, quase protocolar, para um sistema que há tempos não demonstra o mínimo de respeito.

A decisão não caiu do céu. Ela escorreu pelas goteiras das salas cirúrgicas, pingou nos corredores mal iluminados e evaporou junto com o ar-condicionado quebrado. Trabalhar em ambientes insalubres, com infiltrações, equipamentos precários e estrutura deteriorada virou rotina. Mas, ao que tudo indica, para a gestão municipal isso é apenas "detalhe técnico". Afinal, quem precisa de teto seco quando se tem discurso molhado?

Os honorários pagos aos anestesistas, segundo relatos, são incompatíveis com a complexidade da função e com a responsabilidade de literalmente manter alguém vivo enquanto é operado. Em Foz do Iguaçu, salvar vidas parece ser um hobby mal remunerado. Não surpreende que cada vez menos profissionais aceitem vir para a cidade. O Hospital Municipal virou um espanta talentos oficial, um case de como afastar médicos sem precisar dizer uma palavra.

Sem anestesistas, não há bisturi que resolva

O resultado é previsível: sobrecarga, insegurança e risco iminente à população que depende exclusivamente do SUS. Cirurgias eletivas ameaçadas, procedimentos de urgência em xeque e um hospital que funciona no modo "torcer para dar certo". Sem anestesistas, não há bisturi que resolva. Mas talvez alguém na prefeitura ache que dá para anestesiar pacientes com promessas e notas oficiais.

E onde está o prefeito Silva e Luna nesse enredo? Completando um ano de mandato e colecionando silêncio estratégico. Investimentos estruturais relevantes? Não vistos. Plano concreto para valorização dos profissionais da saúde? Não encontrado. Prioridade política para o Hospital Municipal? Só se for na retórica de campanha reciclada.

O sucateamento do hospital já não é denúncia, é paisagem. Virou parte do cenário urbano, como buracos no asfalto e discursos vazios. A saída dos anestesistas apenas escancarou aquilo que a gestão insiste em tratar como exagero da oposição ou "crise pontual". Mas não há nada de pontual quando o problema é estrutural, crônico e previsível.

Não se trata de uma queda de braço corporativa. Trata-se de vidas. Sem anestesistas, o hospital para. Simples assim. E quando um hospital para, quem sofre não é o gabinete climatizado, mas o cidadão comum, o trabalhador, o idoso, a criança, todos reféns de um sistema que foi abandonado antes mesmo de colapsar.

Enquanto a administração municipal empurra o problema com a barriga, provavelmente anestesiada pela própria inércia, a população segue pagando a conta. A pergunta que fica não é se haverá uma solução, mas quando a saúde pública deixará de ser tratada como figurante no orçamento.

Hospital Municipal em estado terminal

O Hospital Municipal, que deveria ser referência, hoje simboliza descaso, improviso e falta de compromisso com a vida. E quando até quem aplica anestesia resolve acordar e ir embora, talvez seja porque o paciente chamado "gestão pública" já esteja em estado terminal.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 427, Página 8, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

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