FASE RUIM Cabo Cassol perde a liderança e ainda seu assessor é condenado por uso de diploma falso
Por Tribuna Foz dia em Notícias
FASE RUIM
Cabo Cassol perde a liderança e ainda seu assessor é condenado por uso de diploma falso
"Diploma fantasma e liderança perdida. Ou melhor do Gabinete ao banco dos réus"
Na política de Foz do Iguaçu, alguns chamam de "fase ruim". Outros preferem usar palavras mais diretas como desgaste, decadência ou simplesmente consequência. Mas existe um velho ditado popular que parece ter sido redescoberto recentemente no ambiente da Câmara Municipal: Quem vive fazendo coisa errada uma hora recebe a visita da conta e ela costuma chegar com juros.
"Quando o diploma some, a liderança também"
O protagonista da vez é o vereador Cabo Cassol. Até poucos dias atrás, ele ostentava o título de líder do prefeito na Câmara, uma posição política respeitável, estratégica e bastante útil para quem gosta de circular entre o poder executivo e o legislativo com desenvoltura.
Mas na política municipal, cargos parecem ter prazo de validade menor que iogurte fora da geladeira. De repente, o vereador Cabo Cassol perdeu a liderança do governo, substituído pelo vereador Ranieri Marchioro. Um movimento aparentemente administrativo, daqueles que se resolvem com um ofício e algumas palavras formais sobre "estima e consideração".
"Diploma falso derruba bastidores da política"
O problema é que, quando a maré vira, ela costuma trazer junto tudo aquilo que estava escondido debaixo do tapete.
E foi exatamente nesse momento que surgiu um personagem bastante conhecido nos bastidores políticos: Adilson Ramão, apelidado de "Tusi", assessor parlamentar ligado ao vereador. Ou melhor, ex-assessor, pelo menos oficialmente.
A história ganhou contornos jurídicos quando a 2ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu, sob decisão do juiz Gláucio Marcos Simões, condenou Adilson Ramão pelo crime de uso de documento falso. Segundo o processo, ele apresentou certificados irregulares de conclusão do ensino médio para ocupar cargo público na Câmara. E não foi apenas um documento suspeito. Foram dois.
"O ensino médio que apareceu duas vezes"
O primeiro apareceu em junho de 2021, garantindo que o ensino médio havia sido concluído em dezembro de 2020. O segundo surgiu em outubro de 2024, com outra data de conclusão: dezembro de 2021. Ou seja, aparentemente o ensino médio de Adilson Ramão conseguiu a façanha de ser concluído duas vezes.
Um verdadeiro milagre educacional.
As inconsistências foram descobertas após denúncia interna e análise do controle interno da Câmara. A investigação foi parar na Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, onde supostamente o certificado teria sido emitido. O resultado da checagem foi digno de roteiro policial: carimbos inexistentes, assinatura de inspetor que não trabalha no órgão, ausência de registro escolar e um colégio que sequer tinha autorização para oferecer ensino médio na modalidade citada.
"Quando o currículo não passa na prova"
Em resumo, o diploma parecia ter saído mais de uma impressora doméstica do que de uma escola.
Durante o processo, Adilson Ramão alegou que acreditava ter concluído o ensino médio por meio de um curso online comprado na internet durante a pandemia, pelo qual teria pago cerca de R$ 1.250. Uma espécie de ensino médio "delivery", rápido, prático e aparentemente sem burocracia.
O juiz, porém, não comprou a explicação.
"Assessoria criativa, Justiça implacável"
Na sentença, ficou entendido que havia plena consciência da irregularidade, especialmente diante das datas contraditórias e da inexistência de registros escolares. Resultado: condenação de três anos de pena, sendo dois anos e seis meses de reclusão e seis meses de detenção, além de multa. Como o réu é primário, a pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade e pagamento de quatro salários mínimos a uma entidade social.
Mas a história não termina aí.
Além da condenação criminal, ainda corre outro processo na área de improbidade administrativa. O Ministério Público pede que Ramão devolva tudo o que recebeu enquanto ocupava o cargo para o qual não possuía a escolaridade exigida: R$ 521.965,87.
Mais de meio milhão de reais.
Um valor que, se confirmado judicialmente, terá correção e juros. Porque até a Justiça sabe que inflação também existe.
E enquanto toda essa novela jurídica se desenrola, surge um detalhe curioso. Mesmo sem salário da Câmara, Adilson Ramão continuaria orbitando o gabinete político de sempre. Como? Simples: sua filha foi nomeada para um cargo de diretoria na prefeitura.
Uma coincidência administrativa, certamente.
No final das contas, o episódio mostra que, na política, algumas estratégias parecem funcionar por um tempo. Nomeações, cargos, assessores de confiança e outras engenharias administrativas podem até garantir conforto momentâneo.
Mas existe um pequeno detalhe que muitos insistem em ignorar: a realidade tem uma estranha mania de aparecer.
E quando aparece, geralmente traz junto processos, sentenças e manchetes.
No caso do vereador Cabo Cassol, a tal "fase ruim" parece estar se transformando em algo mais didático: uma aula pública sobre como decisões políticas e escolhas pessoais podem se misturar de forma explosiva.
"Fase Ruim: Quando a conta chega"
Porque no fim das contas, aquele velho conselho da sabedoria popular continua atual.
Se não for possível fazer o bem, pelo menos evite fazer o ruim. Especialmente quando existem documentos envolvidos. E carimbos também.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 431, página 7, de autoria do Jornalista Enrique Alliana
