Prefeito indica Ranieri Marchioro como líder do Prefeito na Câmara de Vereadores
Por Tribuna Foz dia em Notícias
TUDO EXPLICADO
Prefeito indica Ranieri Marchioro como líder do Prefeito na Câmara de Vereadores
Afinal, quando os fatos começam a se encaixar com uma precisão quase cirúrgica, a única reação possível é aquela clássica expressão: "agora sim, tudo explicado"
Na política de Foz do Iguaçu, algumas coincidências são tão perfeitas que fariam qualquer roteirista de novela pedir demissão por falta de criatividade. Afinal, quando os fatos começam a se encaixar com uma precisão quase cirúrgica, a única reação possível é aquela clássica expressão: "agora sim, tudo explicado".
Primeiro ato da peça: A chefe de gabinete do vereador Ranieri Marchioro aparece nomeada como diretora na Prefeitura. Um detalhe administrativo, dirão os mais otimistas. Um simples reconhecimento de competência, dirão os mais românticos. Um daqueles milagres burocráticos que acontecem exatamente quando ninguém está olhando.
Segundo ato: No dia seguinte, porque na política eficiência existe quando convém. Chega à Câmara Municipal um ofício do prefeito Joaquim Silva e Luna indicando justamente Ranieri Marchioro como líder do governo municipal na Casa.
Pronto. O quebra-cabeça começa a montar sua própria moldura.
Porque, em tese, vereador é eleito para fiscalizar o prefeito. Essa é a teoria ensinada nas aulas de educação cívica, aquela que ainda sobrevive nos livros escolares e nos discursos de campanha. Na prática, porém, existe uma função curiosa chamada "líder do prefeito", que transforma o fiscal em uma espécie de representante oficial do próprio fiscalizado.
É quase uma promoção de carreira. Só muda o lado da mesa.
E, claro, não é a primeira vez que a política local apresenta esse tipo de sincronia administrativa. Quem tem boa memória talvez recorde quando a filha do assessor do vereador Cabo Cassol foi nomeada diretora na prefeitura. Coincidentemente. Veja só como a vida é cheia de surpresas, pouco tempo depois o vereador também se tornou líder do prefeito na Câmara.
Mas calma. Certamente tudo não passou de coincidência. Afinal, nem relógio suíço trabalha de graça, mas na política municipal as engrenagens se movem apenas pelo mais puro espírito republicano.
Até porque ser vereador já garante um salário respeitável, próximo de quase R$ 17 mil. Agora imagine a tentação de acrescentar ao currículo o título de "líder do governo". Não é apenas um cargo: é um upgrade político, um brilho extra na vitrine parlamentar. E ainda com cargos?
De repente, a fiscalização ganha um novo tom. Menos confronto, mais compreensão. Menos cobrança, mais "diálogo institucional". É quase um curso intensivo de diplomacia política.
Mas como em toda boa história, sempre existe um detalhe fora do roteiro.
O Ofício nº 1906/26, enviado pelo gabinete do prefeito em 26 de fevereiro de 2026, indicava Ranieri Marchioro como líder do governo e o vereador Balbinot como vice-líder. Tudo parecia resolvido, organizado e alinhado.
Até que surgiu um pequeno problema chamado realidade.
Ao tomar conhecimento das circunstâncias que cercavam a indicação, e das conversas de bastidores que já circulavam pela cidade, o vereador Balbinot simplesmente recusou a vice-liderança.
Resultado: o que parecia um movimento político calculado acabou batendo na trave.
Ou, para usar uma metáfora mais adequada, a bala saiu pela culatra.
E quando isso acontece, algo curioso ocorre: aquilo que era apenas comentário de corredor vira assunto público. Aquilo que era apenas suspeita vira quase uma evidência política.
Porque o cidadão comum pode até não entender todos os detalhes do regimento interno da Câmara, mas ele entende muito bem quando percebe um padrão se repetindo. Nomeações aqui, cargos ali, lideranças acolá e de repente, a fiscalização fica mais silenciosa.
No final das contas, quem fica assistindo a esse espetáculo é o eleitor. Aquele mesmo que ouviu discursos inflamados na campanha, promessas de independência, coragem e fiscalização implacável.
Mas na política municipal, como parece ficar cada vez mais claro, existe um remédio extremamente eficiente para curar o excesso de independência parlamentar.
Ele se chama "cargo na prefeitura".
E, curiosamente, costuma funcionar com uma rapidez impressionante. Quase… vapt-vupt.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 431, página 6, de autoria do Jornalista Enrique Alliana
