Cirurgias eletivas continuam suspensas no Hospital Municipal de Foz do Iguaçu
Por Tribuna Foz dia em Notícias
CRISE NA SAÚDE
Cirurgias eletivas continuam suspensas no Hospital Municipal de Foz do Iguaçu
A medida é exposta pela Administração por conta da redução no quadro de anestesistas da unidade; Hospital Municipal entra em modo "meia-boca"
O Hospital Municipal Padre Germano Lauck, que um dia já foi vendido como referência em urgência e emergência na tríplice fronteira, agora parece disputar outro título: o de exemplo didático de como um sistema público entra em colapso sem admitir oficialmente que colapsou. A mais nova conquista da gestão é a suspensão das cirurgias eletivas. Quem esperou meses. Às vezes anos, por um procedimento, agora recebe a clássica resposta do serviço público: "aguarde, a situação está sendo regularizada".
O motivo alegado é simples, quase singelo: falta anestesista. Ou melhor, havia quatro, agora tem um. Um único profissional para dar conta de toda a demanda cirúrgica do maior hospital público da cidade. Uma espécie de "anestesista multitarefa", talvez com o dom da multiplicação, já que a matemática da saúde municipal claramente não bate com a da realidade.
Segundo a administração, não se trata de falta de pagamento. Pelo contrário. A direção faz questão de frisar que só em 2025 foram repassados mais de R$ 3,8 milhões à empresa contratada para fornecer os anestesistas. Ou seja, o dinheiro saiu. Se chegou a quem deveria, se foi bem gerido ou se evaporou no caminho, aí já é outro mistério digno de auditoria, mas não de resposta pública.
O diretor do hospital e presidente da Fundação Municipal de Saúde, Coronel Áureo Ferreira, explica que a empresa simplesmente decidiu, em janeiro, reduzir o número de profissionais. Antes eram quatro anestesistas, agora apenas um. E pronto: cirurgias eletivas suspensas. Simples assim. No SUS versão Foz do Iguaçu, a população paga com tempo, dor e risco, enquanto os contratos seguem firmes e as explicações seguem frágeis.
Antes, o hospital realizava em média 25 cirurgias por dia. Agora, com a "nova logística da escassez", são apenas 12. Metade da capacidade. A prioridade, claro, são os casos mais graves. Os demais pacientes que aguardem. Afinal, quem manda não estar em estado crítico? Doença crônica, dor constante ou limitação física não entram no ranking de urgência política.
Para tentar apagar o incêndio com um copo d'água, a direção informa que anestesistas de outras cidades, como Cascavel, estão sendo procurados. Ou seja, a solução é improvisar, mendigar profissionais de fora e torcer para que alguém aceite trabalhar num hospital onde a crise já virou rotina e a precariedade virou política não declarada.
O mais curioso é que, em meio a tantas explicações, o Coronel Áureo ainda não conseguiu responder a pergunta mais simples e mais importante: como e quando o quadro de anestesistas será normalizado? Não há data, não há plano, não há garantia. Apenas discursos, números soltos e a velha promessa de que "em breve" tudo se resolve.
Enquanto isso, o Hospital Municipal vai funcionando no modo econômico, como quem corta gastos de um aparelho doméstico quebrado. E o povo de Foz do Iguaçu segue anestesiado, não por medicamentos, mas pela repetição do descaso. Porque, ao que tudo indica, na saúde pública da cidade, o único procedimento que nunca é suspenso é o de empurrar o problema para depois.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 429, página 10, de autoria do Jornalista Enrique Alliana
