CÂMARA MUNICIPAL: Onde estão os super vereadores denominados G9?
Por Tribuna Foz dia em Notícias
CÂMARA MUNICIPAL:
Onde estão os super vereadores denominados G9?
A Liga da Justiça teria entrado em recesso permanente? Ou apenas estariam no modo recarga?
Uma simples publicação nas redes sociais, feita por Cesar Miniz, conseguiu levantar uma pergunta que ecoa pelos corredores da Câmara Municipal, pelas mesas de bar e pelas rodas de conversa da cidade: afinal, onde foram parar os famosos nove vereadores do autointitulado G9? Aqueles mesmos que, até ontem, posavam de salvadores da pátria, fiscalizadores implacáveis e últimos bastiões da moralidade pública em Foz do Iguaçu.
No início, tentou-se justificar o sumiço com o velho e conhecido argumento das férias de fim de ano. Afinal, até super-heróis precisam descansar, certo? Mas o calendário virou, o réveillon ficou para trás, janeiro se despediu sem deixar saudade e fevereiro chega com sessões ordinárias e extraordinárias batendo à porta. E, mesmo assim, o silêncio continua ensurdecedor. A população segue com a pulga atrás da orelha, coçando a cabeça e aguardando uma resposta plausível que simplesmente não vem.
Onde estão os nove vereadores que se autoproclamavam a "Liga da Justiça" da política fronteiriça? Aqueles que juravam, de mão no peito e discurso ensaiado, que iriam enfrentar os mandos e desmandos do prefeito, o general Joaquim Silva e Luna? Os mesmos que se diziam defensores ferrenhos dos frascos e comprimidos, prometendo vigilância constante, fiscalização rigorosa e tolerância zero com qualquer desvio?
Cada eleitor, é claro, escolheu seu super-herói favorito. Tinha o "Capitão Jardim América", sempre pronto para discursar como se estivesse em um filme da Marvel, embora atuasse mais como figurante. Havia a "Maga Patológica", especialista em transformar problemas concretos em ilusões retóricas. Não faltava o verdadeiro "Nhonho", aquele que fala grosso, mas corre fino. Teve até o "Mandrake", mestre em desaparecer quando a coisa aperta, e a sempre lembrada "Tia da Merenda", que prometia cuidar de todos, mas nunca explicou direito quem realmente estava sendo alimentado.
Mas, como tudo na vida política, o espetáculo parece ter sido apenas entretenimento. As capas foram guardadas, os discursos silenciados e os superpoderes misteriosamente evaporaram. Teriam os heróis entrado em modo de economia de energia? Estariam recarregando as baterias entre o malfadado Natal e o Carnaval que se aproxima? Porque, convenhamos, nesse intervalo muita coisa aconteceu. E muita coisa ainda vai acontecer.
A Fundação Cultural, por exemplo, passou por uma daquelas transformações dignas de roteiro improvisado. Antes comandada por um "pintor", que conseguiu protagonizar um Natal desastroso digno de exposição de horrores. A instituição recebeu rapidamente um solvente para apagar os rastros do fiasco. No lugar, entrou uma jornalista. Agora, com uma contadora de histórias no comando, espera-se que a narrativa tenha um final feliz, como nas novelas mexicanas: muito drama, algumas lágrimas e, quem sabe, um beijo no último capítulo.
Mas, como sempre, existe um "mas". E em Foz do Iguaçu, esse "mas" costuma vir acompanhado de dor, frustração e notas oficiais mal escritas. A pergunta que não quer calar é: onde estavam os super vereadores enquanto tudo isso acontecia? Estavam fiscalizando? Questionando? Ou apenas observando à distância, com o celular na mão e o compromisso no modo silencioso?
Circula pelos bastidores um rumor incômodo: teria havido um acerto com o dito "General"? Cargos distribuídos, diretorias oferecidas, tapinhas nas costas e accord preventivos? Se isso se confirmar, a conclusão é simples e cruel: os super-heróis perderam a batalha não por falta de poderes, mas por excesso de interesses pessoais.
E, mais uma vez, quem paga o pato é o eleitor. O mesmo eleitor que acreditou no discurso inflamado, que compartilhou postagens indignadas, que bateu palmas para a pose de justiceiro e, no fim, apertou "confirma" na urna com o dedo mais podre do que imagina. Fica a lição: na política local, heróis costumam virar figurantes muito rápido. E o roteiro quase nunca tem final feliz para quem assiste da plateia.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 428, página 16, de autoria do Jornalista Enrique Alliana
