DECLINIO ELEITORAL: Votação indica abismo eleitoral de Sidnei Prestes
Por Tribuna Foz dia em Notícias
DECLINIO ELEITORAL
Votação indica abismo eleitoral de Sidnei Prestes
De 10.236 votos em 2022 para apenas 3.585 em 2026, vereador de Foz do Iguaçu vê projeto de chegar à Assembleia Legislativa naufragar. O sonho de conquistar 40 mil votos virou um pesadelo eleitoral
O sonho era virar deputado. O eleitor resolveu acordar o candidato!
As eleições de 2026 serviram para muita coisa. Eleger deputados, renovar mandatos, revelar novas lideranças e, principalmente, colocar determinadas ambições políticas em seu devido lugar.
Em Foz do Iguaçu, um dos resultados mais constrangedores foi protagonizado pelo vereador Sidnei Prestes Junior (Podemos), que aparentemente confundiu suas pretensões políticas com a disposição do eleitorado de acompanhá-las.
O parlamentar entrou na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná alimentando expectativas de crescimento eleitoral. Saiu com uma votação que representa pouco mais de um terço daquela conquistada quatro anos antes.
Em 2022, quando disputou uma vaga de deputado estadual pelo Republicanos, Sidnei Prestes recebeu 10.236 votos. Em 2026, já vereador e filiado ao Podemos, conseguiu apenas 3.585.
Foram 6.651 votos a menos. Uma queda de impressionantes 64,98%
Não foi apenas uma derrota. Foi um verdadeiro derretimento eleitoral. E o detalhe mais revelador: em 2022, Sidnei ainda não exercia o mandato de vereador que conquistaria posteriormente. Em 2026, já contava com a visibilidade, a estrutura política e a exposição proporcionadas pelo cargo.
Mesmo assim, sua votação despencou.
A pergunta que fica é inevitável: como alguém consegue conquistar um mandato, ganhar espaço político e, quatro anos depois, perder praticamente dois de cada três votos que havia recebido?
De 40 mil votos no sonho para 3.585 na realidade
Na política, sonhar é permitido. O problema começa quando o sonho se transforma em uma fantasia tão distante da realidade que nem mesmo as urnas conseguem sustentá-la.
A expectativa atribuída ao projeto eleitoral de Sidnei Prestes era alcançar aproximadamente 40 mil votos, número que poderia colocá-lo em condições competitivas dentro do Podemos.
A matemática parecia funcionar perfeitamente no mundo das projeções. Bastaria multiplicar por quatro a votação de 2022. Simples assim! Só faltou combinar com os eleitores.
Enquanto a expectativa apontava para 40 mil votos, as urnas entregaram 3.585. Isso representa menos de 9% da meta imaginada.
O candidato não chegou nem perto da escada que pretendia utilizar para subir à Assembleia Legislativa
É como preparar a festa da vitória, encomendar o bolo, convidar os amigos e descobrir que o eleitor sequer confirmou presença.
O resultado mostrou que vontade pessoal, discurso político e ambição eleitoral não são suficientes para conquistar votos.
O eleitor não é obrigado a acompanhar os sonhos de ninguém. Muito menos a financiar, com seu voto, projetos políticos que não o convencem.
Troca-troca partidário: muitas siglas, poucos votos
A trajetória partidária de Sidnei Prestes também merece atenção.
Em 2022, disputou a eleição pelo Republicanos. Dois anos depois, conquistou uma cadeira na Câmara Municipal de Foz do Iguaçu pelo Mobiliza, com 2.013 votos.
Posteriormente, deixou o Mobiliza e ingressou no Podemos, legenda pela qual voltou a disputar uma vaga de deputado estadual.
Três partidos em três etapas de sua trajetória recente. Uma movimentação que levanta questionamentos sobre identidade partidária, compromisso político e coerência com os eleitores.
Naturalmente, mudar de partido não significa, por si só, falta de princípios. Mas quando as mudanças acompanham sucessivos projetos eleitorais, cabe perguntar se existe uma convicção política consistente ou apenas uma permanente procura pela legenda mais conveniente.
No caso de Sidnei Prestes, a troca de siglas não veio acompanhada do crescimento eleitoral esperado. Pelo contrário. Mudou de partido, ganhou mandato, ampliou a exposição pública e terminou perdendo 64,98% dos votos.
Se a estratégia era crescer politicamente, alguma coisa deu muito errado no planejamento. Afinal, não adianta trocar a embalagem quando o eleitor não demonstra interesse pelo produto.
A urna não acredita em discurso de grandeza
Existe uma diferença gigantesca entre acreditar que possui liderança política e conseguir demonstrá-la nas urnas.
Sidnei Prestes parece ter descoberto essa diferença da maneira mais desagradável possível: depois da contagem dos votos.
O resultado de 2026 é particularmente significativo porque o vereador já ocupava um cargo público eletivo.
Teoricamente, isso lhe proporcionava oportunidades para fortalecer sua base, ampliar relacionamentos, apresentar resultados e conquistar novos eleitores.
Mas a votação seguiu na direção contrária. Em vez de crescimento, retração. Em vez de consolidação, enfraquecimento.
Em vez de demonstrar musculatura eleitoral, o candidato apresentou números que colocam em dúvida a capacidade de transformar visibilidade política em apoio popular.
É evidente que uma eleição estadual possui características diferentes de uma disputa municipal. Também existem fatores partidários, regionais e estratégicos que influenciam o desempenho.
Entretanto, nenhum desses argumentos apaga o fato central. Sidnei Prestes disputou duas eleições para o mesmo cargo, com quatro anos de intervalo, e perdeu quase 65% dos votos. A matemática eleitoral não aceita discurso motivacional como substituto de resultado.
DERRETIMENTO NAS URNAS
Sidnei Prestes ficou com a 18ª suplência: Uma fila que parece não ter fim
Sidnei Prestes Junior perde quase 65% dos votos e despenca para a 18ª suplência
A situação fica ainda mais desconfortável quando se observa o desempenho do Podemos no Paraná.
Conforme os números apresentados para a eleição de 2026, o partido conquistou três cadeiras na Assembleia Legislativa, elegendo Do Carmo, com 83.445 votos; Fabiana Parro, com 42.192; e Lu Bonatto, com 39.738.
Sidnei Prestes, com seus 3.585 votos, terminou na 18ª suplência.
Isso mesmo.
Décimo oitavo suplente!
Não é exatamente uma posição privilegiada na fila de espera pelo poder.
Para dimensionar o abismo, basta observar que o primeiro suplente, Sargento Carlos Souza, conquistou 14.479 votos. Até o 17º suplente, Jean Naiser, obteve 4.023 votos, superando Sidnei.
Entre os eleitos e os suplentes mais bem posicionados, o vereador de Foz do Iguaçu ficou muito distante de uma possibilidade concreta de assumir o mandato.
É importante esclarecer que a suplência não é um cargo parlamentar em exercício. Trata-se de uma posição na ordem de substituição, cuja convocação depende de situações legalmente previstas, como licenças, afastamentos, renúncias, cassações ou vacâncias, observadas as regras eleitorais.
No caso da 18ª suplência, a possibilidade de chegar à Assembleia é extremamente remota.
Para Sidnei, portanto, o título de suplente parece funcionar mais como um prêmio de consolação do que como perspectiva real de mandato.
A fila é tão longa que, antes de pensar em assumir uma cadeira, seria necessário acompanhar uma sucessão extraordinária de mudanças na composição da bancada.
O sonho era entrar pela porta principal da Assembleia. O resultado colocou o candidato praticamente no fim da fila.
E o sonho de ser prefeito em 2028?
O desempenho eleitoral também lança dúvidas sobre uma ambição política ainda maior atribuída a Sidnei Prestes: disputar a Prefeitura de Foz do Iguaçu em 2028.
A estratégia seria utilizar uma eventual eleição para deputado estadual como trampolim para alcançar o Executivo municipal.
Primeiro, conquistar uma cadeira na Assembleia. Depois, ampliar a projeção política. Finalmente, disputar a Prefeitura. Um roteiro ambicioso, sem dúvida. O problema é que o primeiro capítulo terminou antes mesmo de começar.
A candidatura a deputado estadual não produziu a demonstração de força que seria necessária para sustentar esse projeto.
Ao contrário, revelou uma expressiva redução de apoio eleitoral.
E aqui surge uma questão que Sidnei precisará enfrentar caso mantenha suas pretensões para 2028.
Como convencer o eleitorado de que possui condições de administrar uma cidade inteira quando sua candidatura estadual acaba de sofrer uma redução de quase 65% dos votos?
Evidentemente, uma derrota eleitoral não impede ninguém de disputar uma nova eleição. A democracia permite novas candidaturas, mudanças de estratégia e recuperação política.
Mas pretensão não é sinônimo de viabilidade. Entre desejar ser prefeito e demonstrar capacidade eleitoral para conquistar a Prefeitura existe uma distância considerável.
E, pelos números de 2026, Sidnei Prestes terá muito trabalho para percorrê-la.
O vereador que precisa explicar o próprio encolhimento
Talvez a principal pergunta não seja por que Sidnei Prestes perdeu a eleição. Derrotas fazem parte da política. A questão realmente relevante é por que sua votação encolheu de maneira tão acentuada justamente depois de conquistar um mandato municipal.
O resultado sugere que a presença na Câmara de Vereadores não foi suficiente para ampliar seu eleitorado na disputa estadual. É um sinal de alerta que merece reflexão.
Afinal, o mandato deveria funcionar como oportunidade de apresentar trabalho, conquistar confiança e consolidar uma trajetória política.
Quando acontece o contrário, o candidato precisa avaliar se sua atuação corresponde às expectativas dos eleitores. Não basta ocupar uma cadeira na Câmara, aparecer em fotografias, participar de reuniões e alimentar planos eleitorais cada vez mais ambiciosos.
É necessário convencer a população de que existe trabalho, resultado e capacidade política para exercer funções maiores. O eleitor não distribui promoções automaticamente.
Muito menos concede uma vaga de deputado estadual apenas porque determinado vereador decidiu que chegou sua hora.
O veredito das urnas: menos discurso, mais realidade
O resultado de Sidnei Prestes nas eleições de 2026 deixa uma mensagem difícil de ignorar. Em 2022, foram 10.236 votos. Em 2026, apenas 3.585. Uma perda de 6.651 eleitores em números absolutos, considerando a diferença entre as votações, e uma retração de 64,98%.
Enquanto outros candidatos conquistaram cadeiras na Assembleia Legislativa e ampliaram sua representatividade, Sidnei terminou na 18ª suplência do Podemos. A diferença entre o que se pretendia alcançar e o que efetivamente foi conquistado é gigantesca.
O vereador pode continuar sonhando com a Assembleia Legislativa, com a Prefeitura ou com qualquer outro cargo público. Sonhar não custa nada. Mas disputar eleições exige algo que nenhum discurso consegue fabricar: votos.
E esses, pelo menos em 2026, faltaram em quantidade impressionante. Sidnei Prestes entrou na eleição imaginando uma escalada política. Saiu com um tombo de quase 65%. A política costuma ensinar lições duras aos que confundem ambição pessoal com liderança eleitoral.
Desta vez, a professora foi a urna eletrônica. E a nota atribuída ao projeto de Sidnei Prestes ficou muito abaixo da média. No fim das contas, o candidato queria chegar à Assembleia Legislativa, sonhava com a Prefeitura em 2028 e acabou conquistando uma posição na qual a única coisa realmente grande é a distância que o separa de uma cadeira de deputado.
Porque, na política, existe uma diferença fundamental entre acreditar que é uma liderança e conseguir provar isso nas urnas.
Uma coisa é certa. Se sonha tanto de um cargo público, é melhor ir pensando em fazer concurso público.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 448, páginas 4 e 5, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

