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Engasgou a dita compra de pistolas Glock para a Guarda Municipal

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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FAKE NEWS DAS GLOCK

Engasgou a dita compra de pistolas Glock para a Guarda Municipal

As pistolas Glock engasgaram e a legalidade não bate continência

A tão alardeada compra das pistolas Glock calibre 9mm para a Guarda Municipal de Foz do Iguaçu virou aquilo que se costuma chamar nos bastidores da política de "fato consumado… só no discurso". Vendida como certa, irreversível e praticamente assinada nas redes sociais pelo secretário municipal de Segurança, Almirante Tinoco, a aquisição simplesmente engasgou antes mesmo de descer pela garganta da legalidade.

É verdade: a pistola Glock é reconhecida mundialmente pela eficiência, robustez e confiabilidade. Pena que, neste caso, a arma seja de primeiro mundo e a condução administrativa tenha ficado no nível do improviso. Porque anunciar compra antes de ter aval jurídico não é ousadia, é amadorismo. E governar não é live, não é postagem empolgada, não é "confia que vai dar certo".

Fake News

O primeiro erro foi justamente esse: afirmar que estava "tudo certo" para a compra de 100 pistolas quando, na prática, não estava nada certo, demonstrando que as publicações eram mais uma "Fake News".

PGM

Faltou combinar com a Procuradoria Geral do Município. A PGM de Foz do Iguaçu, sob o comando do procurador Rafael Germano Arguello, fez aquilo que se espera de um órgão jurídico sério: analisou a legalidade e disse não. O parecer foi claro ao apontar que a operação poderia gerar custos adicionais e riscos administrativos além do previsto.

E aí a Glock falhou? Não. Quem falhou foi o script. Porque diferente do ambiente militar, onde ordem dada é ordem cumprida, a administração pública civil funciona sob outro princípio: o da legalidade. Aqui não existe "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Existe lei, parecer técnico, controle e responsabilidade.

Talvez aí esteja o grande choque de realidade. Quando estava na ativa, Almirante Tinoco gritava, a tropa respondia "sim, senhor" e o assunto se encerrava. Na reserva, lidando com servidores públicos e instituições civis, o volume da voz não substitui o respaldo jurídico. Patente não anula parecer. Farda não revoga a Constituição.

O episódio escancara uma lição básica que parte da velha cultura autoritária ainda insiste em ignorar: democracia não funciona na base do grito, da bravata ou da encenação de comando. Nem sempre bater continência garante liderança, e quase nunca postar segurança garante legalidade.

Militar aposentado não comanda quartel, não dita regras por decreto informal e muito menos manda na cidade. Fora da farda, resta aprender que o poder emana do povo, passa pela lei e estaciona, quando necessário, no freio puxado pela Procuradoria. A Glock pode até ser eficiente. Já a gestão, pelo visto, ainda precisa de mira, alvo e, principalmente, respaldo legal.

Reflexo de má gestão

O reflexo da má gestão da Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu não precisa de lupa, mas os números oficiais vão fazer questão de gritar aquilo que o discurso tenta esconder. Basta comparar, friamente, o volume de licitações concluídas em 2025 na gestão do General Silva e Luna, com aquelas efetivamente finalizadas em 2024, no último ano da gestão do ex-prefeito Chico Brasileiro. Licitação não é detalhe burocrático: é termômetro de planejamento, capacidade técnica e compromisso com a máquina pública funcionando.

Quando processos empacam, compras engasgam e anúncios viram peças de ficção, o problema não é a lei, é quem não sabe operar dentro dela. A administração atual prefere o espetáculo à planilha, o post à execução, a promessa ao processo. Governar, ao que parece, virou exercício retórico.

A estatística será implacável. Números não fazem continência, não votam em rede social e não se intimidam com discursos ideológicos. Eles apenas revelam. E tudo indica que, sob o comando da direita, a prefeitura anda tropeçando na própria incapacidade administrativa, provando que discurso firme não substitui gestão eficiente e que incompetência não tem viés, tem resultado.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 426, Página 6, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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