General estaria abrindo espaço para a Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV) na Prefeitura de Foz? Ou estaria só comprando o COMUS?
Por Tribuna Foz dia em Notícias
NEGOCIAÇÃO, TRAIÇÃO OU MERA CONVENIÊNCIA
General estaria abrindo espaço para a Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV) na Prefeitura de Foz? Ou estaria só comprando o COMUS?
Houve aproximação com o PT-PCdoB-PV? Quanto custou? Porque, convenhamos, não existe almoço grátis na política. Mas existe café, janta, sobremesa e cargo bem remunerado. Ou simplesmente compra de apoio dentro do COMUS?
Na política de Foz do Iguaçu, a única coisa que não muda é a capacidade de tudo mudar da noite para o dia. Especialmente quando há um cargo de mais de R$ 11 mil na mesa. Ideologias, discursos inflamados, postagens raivosas e até juramentos de "oposição ferrenha" evaporam com uma rapidez impressionante quando o Diário Oficial entra em cena. Basta uma caneta, uma assinatura e… pronto: antigos adversários descobrem que sempre tiveram muito em comum.
Nomeação
A nomeação de Luiz Aparecido de Araujo pelo prefeito-general Silva e Luna, feita no dia 12 de Janeiro de 2026, através do Coronel Jorge Ricardo Áureo Ferreira, via Fundação Municipal de Saúde, é um desses milagres administrativos que fazem São Tomé virar cabideiro de cargos. Até ontem, Araujo era homem de confiança do Partido Verde, frequentador fiel da executiva, aliado orgânico da Federação Brasil da Esperança, aquela mesma que, em tese, deveria fazer oposição ao general. Hoje, virou Assessor Especial 1 do Hospital Municipal, com a nobre missão de cuidar das "relações institucionais". Traduzindo: um embaixador político pago com dinheiro público.
A pergunta que ecoa nos corredores da prefeitura não é se houve aproximação com o PT-PCdoB-PV. A pergunta é: quanto custou? Porque, convenhamos, não existe almoço grátis na política. Mas existe café, janta, sobremesa e cargo bem remunerado. O discurso da polarização, tão repetido em palanque, parece mais uma peça de teatro. No backstage, direita e esquerda descobrem que são ótimos parceiros de dança quando a música é o orçamento público.
Federação Brasil da Esperança teria virado figurante de luxo
Se essa nomeação representa uma reaproximação estratégica com a Federação Brasil da Esperança, então a tal "oposição" virou figurante de luxo. Aquela que critica de manhã, posa de rebelde à tarde e à noite já está sentada na mesa do poder, brindando à governabilidade. Em Foz, oposição parece ser apenas um estágio temporário entre uma eleição e uma nomeação.
Cadê o vereador da Comissão de Saúde?
Será que o recém empossado Presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Foz do Iguaçu, o Vereador Adnan El Sayed vai tomar alguma posição? Essa é uma pergunta muito difícil de ser respondido. Afinal, ele é um dos que ganhou cargo na prefeitura, quando a irmã do seu chefe de gabinete foi nomeada no Fozhabita. Isso demonstra claramente que a política não é para amadores, e a única coisa que não muda é a capacidade de tudo mudar da noite para o dia. Especialmente quando há um cargo em jogo.
Ministério Público
E o pior de tudo isso com a complacência do Ministério Público Estadual, pois mesmo sabendo dos fatos, age como nada estivesse acontecendo. Dai a pergunta mais difícil de ser respondido. Será que o Ministério Público também teria indicado cargos na prefeitura? A resposta tem que ser respondido por eles mesmos? Com a complacência ou com ações enérgicas?
$COMUS?$
Aquele que, em tese, deveria fiscalizar, cobrar, apontar falhas e defender o interesse público?
Mas como toda boa novela política, há um segundo enredo. E talvez ele seja ainda mais picante. Luiz Aparecido de Araujo não é apenas um verde recém-amadurecido no gabinete do general. Ele também é membro ativo do COMUS, o Conselho Municipal de Saúde. Aquele que, em tese, deveria fiscalizar, cobrar, apontar falhas e defender o interesse público. Em tese, claro. Porque na prática, quando um conselheiro ganha um cargo de R$ 11 mil na estrutura que deveria vigiar, a palavra "independência" vira uma piada de mau gosto.
Silêncio institucional?
Seria essa nomeação uma sofisticada compra de silêncio institucional? Um investimento na blindagem política da saúde pública? Nada muito diferente do velho costume que, não por acaso, já assombrou o COMUS em outros tempos: cargos em troca de complacência, nomeações em troca de vista grossa, e a fiscalização virando figurinha decorativa.
Balcão de negócios?
É curioso como certos hábitos nunca morrem. Eles apenas tiram férias e depois voltam com crachá novo. O COMUS, que deveria ser a última trincheira da sociedade civil dentro da saúde pública, corre o risco de virar novamente um balcão de negócios. Daqueles onde o preço não está na etiqueta, mas na lealdade.
Enquanto isso, o General Silva e Luna posa de gestor técnico, imune às "velhas práticas". Mas a caneta que nomeia aliados da Federação Brasil da Esperança e conselheiros fiscais em cargos estratégicos parece bem menos técnica e bem mais política do que o discurso sugere.
Ideologias que se odeiam em público e se abraçam no contracheque
No fim, Foz do Iguaçu assiste a mais um espetáculo típico: ideologias que se odeiam em público e se abraçam no contracheque. O eleitor, como sempre, paga a conta. E o contribuinte, esse eterno figurante da política local, fica se perguntando se o que está sendo comprado é governabilidade, apoio político… ou apenas silêncio.
Em Foz, tudo pode acontecer. Inclusive nada. Mas quando acontece, quase sempre vem acompanhado de um bom salário e um sorriso discreto de quem sabe exatamente o que está fazendo.
E se alguém ainda insiste em dizer que isso tudo é apenas "coincidência administrativa", vale lembrar que coincidência demais costuma virar padrão. Quando o poder começa a distribuir cargos estratégicos a figuras politicamente engajadas em estruturas que deveriam fiscalizar o próprio governo, já não se trata de governança, trata-se de engenharia política de alto nível. Não é apenas sobre um salário de R$ 11 mil; é sobre o preço da autonomia institucional.
Silêncio constrangedor
O mais curioso é o silêncio constrangedor que se instala logo depois da nomeação. Aqueles que até ontem brandiam discursos inflamados sobre transparência, controle social e ética pública agora parecem ter engolido um manual inteiro de autocensura. De repente, tudo está "dentro da normalidade". Tudo é "técnico". Tudo é "legal". A única coisa que some é a indignação.
A velha política de dois discursos
A Federação Brasil da Esperança, que em tese deveria representar um contraponto ideológico ao general, passa a desfrutar de uma confortável ambiguidade: critica quando convém, mas desfruta quando interessa. É a velha política de dois discursos. Um para o público, outro para o Diário Oficial. Enquanto isso, a base do governo se fortalece, não por afinidade de ideias, mas por afinidade de cargos.
E assim, Foz do Iguaçu vai sendo governada menos por projetos e mais por acomodações. A política vira um grande jogo de cadeiras, onde quem fica de pé é sempre o cidadão, enquanto os mesmos de sempre se sentam em poltronas bem remuneradas. O general, que prometeu ordem e eficiência, parece ter aprendido rápido a arte do tomalá-dá-cá.
No final das contas, a pergunta que realmente importa não é se o PT, o PV ou o PCdoB estão entrando pela porta dos fundos da prefeitura. A pergunta é se ainda resta alguma porta aberta para a fiscalização independente. Porque quando até quem deveria vigiar passa a depender do salário do vigiado, a democracia local não está em risco. Ela já foi terceirizada.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 427, Páginas 6 e 7, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

