General Silva e Luna mentiu que daria R$ 500 de auxilio escolar para cada aluno
Por Tribuna Foz dia em Notícias
ESTELIONATO ELEITORAL
General Silva e Luna mentiu que daria R$ 500 de auxilio escolar para cada aluno
Na campanha ele fez um vídeo "Isso não é promessa é compromisso e nós vamos cumprir"
Janeiro de 2026 chegou, as aulas estão batendo à porta e a memória do eleitor iguaçuense, diferente do que muitos políticos imaginam, não é tão curta assim. Basta voltar o calendário para 2024, período mágico em que candidatos descobrem vocação para a generosidade alheia e passam a distribuir promessas como se fossem panfletos em semáforo. Naquele ano, Foz do Iguaçu foi apresentada a um novo personagem eleitoral: o General Joaquim Silva e Luna, homem de farda passada, discurso duro e promessas… extremamente flexíveis.
Quando o "compromisso" vira peça de ficção administrativa
Durante a campanha, o então candidato a prefeito resolveu bancar o Papai Noel da educação pública. Prometeu "ensino integral para todos" e, como cereja do bolo, um "auxílio escolar de R$ 500,00 para cada aluno da rede municipal".
Não era pouco dinheiro, não era pouco impacto e, definitivamente, não era pouca ousadia. Mas o general foi além: gravou vídeo, olhou sério para a câmera e decretou, em tom solene, que "isso não é promessa, é compromisso, e nós vamos cumprir".
Pois bem. O eleitor acreditou. Afinal, se um general diz que é compromisso, quem ousaria duvidar? A lógica parecia simples: disciplina, hierarquia e palavra dada. Só esqueceram de avisar que, na política local, compromisso pode ter prazo indeterminado, validade vencida ou simplesmente desaparecer na primeira curva da realidade orçamentária.
O ano de 2025 passou inteiro. Janeiro, fevereiro, carnaval, aniversário da cidade, férias e até o natal, com diversos discursos inflamados, eventos oficiais, fotos institucionais. E nada do auxílio? Nenhum centavo? Nem sinal de fumaça? Nem explicação convincente? A promessa virou lenda urbana e o compromisso, pelo visto, entrou para a reserva, junto com o general.
Mentiras continuam: O general, o asfalto e os buracos da realidade
As mentiras do general não ficaram restritas ao auxílio escolar que nunca apareceu. Houve também aquela pérola de campanha em que ele, com peito estufado e voz de autoridade, garantia: "Sou especialista em asfalto, passei a vida inteira fazendo asfalto na Amazônia". Pois bem. Se isso era especialização, Foz do Iguaçu virou o laboratório do fracasso. A cidade hoje mais parece um campo minado urbano, onde cada rua esconde uma cratera pronta para engolir pneus, suspensões e a paciência do contribuinte.
E como se não bastasse o abandono das vias, o general ainda resolveu culpar a vítima. Em entrevista à Rádio Cultura, contou que caiu em um buraco na Avenida JK. Mas, em vez de reconhecer o caos viário, preferiu atacar: disse que o motorista que cai no buraco é "estúpido", "imprudente" e culpado pelo próprio acidente. Curioso: o especialista em asfalto cria os buracos e o cidadão leva a culpa por encontrá-los.
No fim, sobra sarcasmo e falta asfalto. O general prometeu estrada, entregou crateras e ainda apontou o dedo. Especialista mesmo, só em terceirizar a culpa.
R$ 500 QUE NUNCA CHEGARAM]
A farda do General é rígida, mas a palavra é elástica na promessa
Pais e mães se virando como podem para comprar material escolar, uniforme, mochila, tênis e o básico para que os filhos não comecem o ano letivo já em desvantagem
Enquanto o discurso de austeridade era repetido como mantra, a realidade nas casas dos iguaçuenses seguia dura e implacável. Pais e mães se virando como podem para comprar material escolar, uniforme, mochila, tênis e o básico para que os filhos não comecem o ano letivo já em desvantagem. E o auxílio prometido? Esse ficou preso em algum quartel invisível da administração pública.
Curioso é que o mesmo candidato que se vendia como alternativa "mais responsável" às gestões anteriores conseguiu protagonizar algo ainda mais grave: um calote eleitoral em massa. Não foi uma promessa genérica, dessas que se diluem no tempo. Foi um valor específico, uma política pública objetiva, anunciada com todas as letras e com direito a vídeo oficial. E, mesmo assim, simplesmente não aconteceu.
O mais irônico é que o general se apresentava como alguém que faria uma gestão superior à do ex-prefeito Chico Brasileiro. No discurso, tudo era melhor, mais eficiente, mais sério. Na prática, entregou menos, bem menos. Porque errar na gestão é uma coisa; prometer dinheiro diretamente à população e não pagar é outra bem diferente.
Agora, com as aulas prestes a começar, surge a pergunta que ecoa nas filas de papelarias e nos grupos de pais: cadê os R$ 500? Quando esse "compromisso" vai finalmente cair na conta dos alunos da rede pública municipal? Ou será que a promessa tinha a mesma durabilidade de um fósforo riscado: acendeu na campanha e apagou logo depois da posse?
O silêncio da gestão é ensurdecedor. Nenhuma explicação clara, nenhum cronograma, nenhuma mea-culpa. Apenas a velha estratégia de empurrar o tempo, torcendo para que o eleitor esqueça. Mas esquecer fica difícil quando a promessa envolvia dinheiro no bolso e dignidade na educação dos filhos.
No fim das contas, Foz do Iguaçu aprendeu uma lição amarga: nem toda farda garante honra, nem todo discurso solene garante verdade. O auxílio escolar virou símbolo de algo maior. A distância entre o que se promete na campanha e o que se entrega no poder. E, enquanto isso, os alunos seguem sem os R$ 500, os pais seguem pagando a conta e o "compromisso" segue perdido, em alguma gaveta da propaganda eleitoral de 2024.
Pobre da direita e pobre da esquerda
Uma coisa é certa. A dita direita no poder, o pobre é pobre e o rico é rico, e quem precisa realmente trabalhar para ter acesso o que o poder público deveria dar em mera retribuição ao trabalhador que trabalhou sol a sol é mera especulação, uma promessa que só é dita durante a campanha eleitoral.
Acreditar na direita é o mesmo que acreditar que a saúde ira melhorar para a classe operária, afinal o patrão tem plano de saúde e tem condições de quando precisar usar um hospital privado para sanar as suas demandas.
Mas como alguns dizem, existe pobre da direita e pobre da esquerda. A diferença é muito pouca entre eles. Um passa fome jurando que é "empreendedor em potencial", que só está pobre "por enquanto", e repete discurso de milionário no boteco, defendendo cortes, privatizações e bilionários que jamais cruzariam a rua para cumprimentá-lo. O outro passa fome esperando a revolução chegar pelo Wi-Fi, acreditando que um post indignado, cheio de palavras difíceis, vai derrubar o sistema até o fim de semana.
Ambos se odeiam com fervor, brigam nas redes como se fossem herdeiros de grandes fortunas ou líderes históricos, enquanto dividem o mesmo ônibus lotado, a mesma fila do SUS e o mesmo salário insuficiente. No fim das contas, a única diferença real é o slogan estampado na camiseta. Porque, no bolso, na geladeira vazia e na conta atrasada, a igualdade é plena. E cruelmente democrática.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 427, Páginas 10 e 11, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

