Prefeito de Foz poderá exonerar Secretária por quebra de confiança
Por Tribuna Foz dia em Notícias
GENERAL DE ATITUDE OU ESPERA?
Prefeito de Foz poderá exonerar Secretária por quebra de confiança
A hora da verdade chegou ao gabinete do general; General, a tropa aguarda sua decisão?
Governar é fácil quando tudo vai bem. Difícil mesmo é decidir quando a crise bate à porta do próprio gabinete.
O prefeito General Joaquim Silva e Luna está diante de um daqueles momentos que definem uma gestão. Não basta falar em disciplina, legalidade e moralidade administrativa. É preciso demonstrar que esses princípios continuam valendo quando o problema envolve alguém do primeiro escalão.
"O general vai comandar ou apenas assistir à crise?"
O caso da secretária municipal da Mulher, Scheila Fátima de Melo Rosso, deixou de ser apenas uma discussão sobre contracheques. Tornouse um teste de coerência.
Segundo as informações divulgadas, a secretária teria recebido remunerações do Estado e da Prefeitura durante meses, após o encerramento da licença que lhe permitia exercer cargo civil. Se tudo não passou de um erro burocrático, ótimo. Que os documentos apareçam, as explicações sejam dadas e o assunto seja encerrado.
Mas existe um detalhe que chama mais atenção do que os números: o silêncio.
Quando jornalistas buscaram esclarecimentos, a resposta não teria sido uma nota oficial, uma entrevista ou a apresentação de documentos. Teria sido o bloqueio no telefone celular. É uma inovação curiosa na gestão de crises: se ninguém perguntar, talvez o problema desapareça. Pena que a transparência pública não possui botão de bloqueio.
Enquanto isso, a população observa uma cena conhecida. O contribuinte paga os salários, financia a máquina pública e ainda precisa esperar para descobrir o que realmente aconteceu.
"O gabinete entrou em posição de sentido... ou de espera?"
E o prefeito? Continua diante da decisão mais importante desde que assumiu o comando do Município.
A imagem de um general está naturalmente associada à liderança, disciplina e comando. Quartéis não funcionam com dúvidas permanentes nem com ordens pela metade. Quando surge uma situação que compromete a confiança, espera-se uma decisão. Rápida, clara e objetiva.
"A coragem mora no discurso. E na prática, general?"
Se houver explicação plausível, que ela seja apresentada imediatamente. Se houver irregularidade, que as providências sejam adotadas com o mesmo rigor aplicado a qualquer servidor. O que não combina com uma administração que promete firmeza é a impressão de que o tempo resolverá sozinho um problema político.
Porque o tempo, nesse caso, costuma fazer exatamente o contrário. Cada dia sem manifestação fortalece especulações, amplia o desgaste e enfraquece a credibilidade do governo.
No fim das contas, talvez a maior pergunta nem seja sobre a secretária. Essa resposta caberá às investigações e aos órgãos competentes. A verdadeira dúvida recai sobre o prefeito.
O discurso de campanha prometia uma gestão técnica, disciplinada e intolerante com desvios. Agora chegou o momento de transformar discurso em prática. Afinal, confiança é como vidro: depois de trincado, dificilmente volta a ser o que era.
"Se houver quebra de confiança, quem será colocado em forma?"
O general ainda tem a oportunidade de mostrar que sua autoridade não termina na porta do gabinete. Se entender que houve quebra de confiança, a exoneração deixará de ser uma escolha política para se tornar uma consequência administrativa.
Caso contrário, ficará a impressão de que, na Prefeitura, alguns princípios são inegociáveis... até que atinjam alguém sentado à mesa do poder.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 438, página 4, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

