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PRÊMIO OU PIADA? Quando o "destaque" vira deboche institucional

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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PRÊMIO OU PIADA?

Quando o "destaque" vira deboche institucional

O alto escalão da saúde de Foz vira "destaque", mas só se for pelo caos

Na sempre surpreendente Foz do Iguaçu, a criatividade política atingiu um novo patamar, e convenhamos, não foi exatamente no sentido positivo. A cerimônia do chamado "Prêmio Destaque Profissionais da Saúde", realizada na Câmara Municipal no último dia 10 de abril de 2026, conseguiu a proeza de transformar indignação popular em constrangimento coletivo.

"Para alguns vereadores o Prêmio Destaque virou Troféu Cara de Pau?"

Enquanto pacientes enfrentavam filas intermináveis nas UPAs, alguém teve a brilhante ideia de subir ao palco e aplaudir justamente o alto escalão responsável pelo sistema. Sim, você não leu errado. Em um enredo que parece saído de uma comédia de humor ácido, foram homenageados nomes como o secretário Fabio de Mello, indicado pelo vereador Beni Rodrigues; Barbara de Andrade Alves Dornelles, indicada por Bosco Foz; e Jayme Carriello, lembrado pela vereadora Anice Gazzaoui.

A pergunta que ecoa, não só nos corredores da saúde, mas nas ruas da cidade é simples: destaque em quê?

Se a premiação levasse em conta o nível de estresse da população, talvez fizesse sentido. Afinal, poucos sistemas conseguem se destacar tanto em categorias como "fila que não anda", "consulta que não chega" e "remédio que desaparece". Nesse quesito, é justo reconhecer: há uma consistência admirável.

"O caos sobe ao palco e ainda leva troféu"

O cidadão iguaçuense já conhece bem esse "padrão de excelência". Madrugadas em filas frias, espera interminável por especialistas e a sensação constante de que o sistema está sempre a um passo do colapso. Ou talvez já tenha dado esse passo há algum tempo e ninguém avisou oficialmente.

Premiar a cúpula nesse contexto soa como uma ironia tão fina que chega a cortar. É como entregar um troféu ao comandante enquanto o navio faz água por todos os lados. A diferença é que, aqui, os passageiros não têm colete salva-vidas.

E a Câmara? Ah, a Câmara resolveu apostar em um universo paralelo. Um lugar onde discursos substituem resultados e diplomas compensam a ausência de soluções. No plenário, aplausos. Do lado de fora, reclamações. Dois mundos que raramente se encontram. Exceto, claro, em épocas de eleição.

Se a intenção fosse realmente valorizar a saúde, talvez os homenageados fossem outros. Os profissionais que estão na linha de frente, lidando com a falta de estrutura, a sobrecarga e o desgaste emocional. Médicos exaustos, enfermeiros sobrecarregados, motoristas de ambulância correndo contra o tempo e equipes de limpeza garantindo o mínimo de dignidade nos ambientes. Esses sim conhecem o verdadeiro significado de "destaque": manter o sistema funcionando apesar de tudo.

Mas não. para alguns vereadores o brilho dos refletores preferiu outro alvo. A cerimônia não premiou a excelência, premiou a narrativa. Criou-se um espetáculo onde o reconhecimento parece mais alinhado com conveniências políticas do que com a realidade vivida pela população.

"Quando o reconhecimento vira deboche público"

Para quem recebeu o diploma, fica a lembrança registrada na parede do gabinete. Para quem depende do sistema público, sobra o cotidiano já conhecido: filas, demora e incerteza.

E assim, entre discursos ensaiados e aplausos protocolares, Foz do Iguaçu consolida mais um "destaque". Não o da saúde que funciona, mas o da ironia institucional que insiste em tratar o problema como se fosse motivo de comemoração.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 433, página 10, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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