Paulo Mac Donald coordenador da campanha ou da própria candidatura?
Por Tribuna Foz dia em Notícias
O COFRE SORRIU PARA O CANDIDATO?
Paulo Mac Donald coordenador da campanha ou da própria candidatura?
Campanha coletiva, candidatura particular? Entre o cofre e o palanque, nasce uma candidatura?
A política paranaense parece ter descoberto uma nova modalidade de acúmulo de funções. Segundo notícia divulgada pela imprensa na última semana, e até agora não desmentida pelo ex-prefeito Paulo Mac Donald, o governador Ratinho Junior teria convidado o veterano político iguaçuense para coordenar, na região Oeste do Paraná, as campanhas de Alexandre Curi ao Senado e de Sandro Alex ao Governo do Estado.
Até aí, nada de extraordinário. Coordenadores políticos são figuras tradicionais nas campanhas eleitorais. São responsáveis por organizar agendas, mobilizar lideranças, definir estratégias e, principalmente, acompanhar a administração dos recursos necessários para colocar a campanha na rua.
"Quando o coordenador também entra na disputa"
O roteiro, entretanto, ganhou um capítulo curioso poucos dias depois. O mesmo Paulo Mac Donald anunciou publicamente que também pretende disputar uma vaga de deputado estadual.
É justamente aí que a história desperta mais perguntas do que respostas.
Afinal, como separar, com absoluta clareza, o papel de coordenador regional de uma campanha milionária da condição de candidato interessado em conquistar votos para si? Ainda que tudo seja feito dentro da legalidade e com rigorosa prestação de contas, a simples sobreposição dessas funções inevitavelmente desperta questionamentos.
"Quem fiscaliza o fiscal da campanha?"
Na política, não basta ser correto; é preciso também parecer correto. Transparência "Quem fiscaliza o fiscal da campanha?" Na política, não basta ser correto; é preciso também parecer correto. Transparência do processo eleitoral.
Afinal, quem administra uma estrutura de campanha participa das decisões estratégicas, acompanha prioridades, conhece a distribuição de recursos e influencia a organização política da região. Quando essa mesma pessoa também busca votos para o próprio nome, o debate sobre eventual conflito de interesses surge naturalmente.
Talvez exista uma explicação simples para essa coincidência de funções. Talvez existam mecanismos internos capazes de afastar qualquer dúvida. Talvez tudo esteja perfeitamente previsto pela legislação eleitoral.
"Quem segura o cofre também pede votos?"
Mas, enquanto essas explicações não aparecem, sobra espaço para a velha especialidade da política brasileira: pedir que o eleitor simplesmente confie.
E convenhamos, depois de tantas experiências acumuladas nas últimas décadas, confiança cega virou um artigo em falta no mercado eleitoral.
Paulo Mac Donald conhece como poucos os bastidores da política e certamente sabe que cargos estratégicos carregam responsabilidades proporcionais ao poder que exercem. Justamente por isso, quanto maior a influência atribuída a um coordenador regional, maior deve ser a transparência sobre os limites de sua atuação quando também pretende disputar uma cadeira no Legislativo.
"Uma mão na campanha, outra na urna"
No fim das contas, talvez tudo seja apenas uma coincidência política. Ou talvez seja apenas mais um daqueles enredos que fazem o eleitor olhar para a cena e perguntar, com certa ironia: quem está coordenando a campanha de quem?
Porque, na política, quando as funções se misturam demais, a desconfiança costuma chegar antes das explicações.
Quem que fazer tudo acaba não fazendo nada
Existe um velho ditado que raramente falha: quem quer fazer tudo acaba não fazendo nada. Na política, ele parece ganhar ainda mais força. Acostumado ao comando absoluto do Executivo, onde sua palavra era praticamente uma ordem, Paulo Mac Donald agora pretende acumular as funções de coordenador regional de campanha e candidato. O problema é que campanha se coordena, candidatura se disputa e democracia se constrói de forma coletiva. No fim, a pergunta permanece: quem tenta ocupar todos os espaços conseguirá desempenhar algum deles com a eficiência que promete?
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 438, página 7, de autoria do Jornalista Enrique Alliana
