A esquerda iguaçuenses e seus pseudos laranjas para as eleições 2026
Por Tribuna Foz dia em Notícias
A ESQUERDA EM CHEQUE
A esquerda iguaçuenses e seus pseudos laranjas para as eleições 2026
Fragmentação pode reduzir ainda mais o espaço eleitoral da esquerda em Foz do Iguaçu; Os números de 2024 deixaram um recado claro
As eleições municipais de 2024 produziram um retrato político difícil de ignorar em Foz do Iguaçu. Enquanto a direita consolidou uma ampla maioria nas urnas, a esquerda saiu das eleições com um desempenho bastante modesto, evidenciando a dificuldade de ampliar sua presença junto ao eleitorado local.
O então candidato da esquerda unificada nas eleições 2024, o jornalista Airton José, recebeu 16.166 votos, correspondentes a 11,03% dos votos válidos. Em sentido oposto, denominados da Direita, Paulo Mac Donald conquistou 47.775 votos (32,52%) e o General Joaquim Silva e Luna venceu ainda no primeiro turno com 73.522 votos, equivalentes a 50,14%.
Somados, os dois candidatos identificados com o campo da direita ultrapassaram 121 mil votos, alcançando expressivos 82,72% da preferência do eleitorado. A diferença revela uma realidade política que dificilmente pode ser ignorada pelos partidos de esquerda.
A matemática eleitoral não costuma perdoar
Mesmo diante desse cenário, setores da esquerda já começam a organizar diversas pré-candidaturas para deputado estadual em 2026. Entre os nomes ventilados aparecem Valentina Rocha, Yasmin Rachem, Fernando Duso e outros militantes das lideranças partidárias.
Entretanto, a estratégia levanta questionamentos políticos. Se o desempenho de 2024 for utilizado como referência, o universo eleitoral da esquerda em Foz do Iguaçu gira em torno de pouco mais de 16 mil votos. Caso esse eleitorado seja dividido entre vários candidatos, a tendência natural é a pulverização dos votos.
Na prática, isso pode significar que nenhum dos pré-candidatos alcance 5 mil votos cada um, uma votação insuficientemente para disputar protagonismo no cenário estadual.
Projeto eleitoral ou estratégia partidária?
É justamente nesse ponto que surgem interpretações políticas. Analistas e adversários sustentam que uma multiplicidade de candidaturas pode servir menos para buscar uma vitória local e mais para fortalecer a estrutura de candidaturas de candidatos denominados paraquedistas que aparecem na cidade quatro em quatro anos somente para fazer campanha, dando uma claro indicativo que os candidatos iguaçuenses da esquerda seria meramente "laranjas".
Essa leitura, contudo, representa uma interpretação política, e não um fato comprovado.
Os nomes de fora entram na disputa
Entre os possíveis pré-candidatos a deputado federal apoiados por setores da esquerda aparecem nomes conhecidos da política paranaense, como Arilson Chiorato, Zeca Dirceu e Aliel Machado. Candidatos estes que pouco e nada fizeram por Foz do Iguaçu, mas em ano eleitoral aparecem pedindo votos e usando como palanques eleitorais seus "laranjas".
A dúvida que inevitavelmente surge é se o eleitor iguaçuense estará disposto a apoiar candidatos cuja principal base política está fora da cidade ou se continuará priorizando representantes com atuação mais diretamente ligada aos interesses locais.
O desafio continua sendo conquistar o eleitor
Independentemente das estratégias partidárias, um fato permanece evidente: o maior desafio da esquerda em Foz do Iguaçu não parece ser a falta de candidatos, mas sim a dificuldade de ampliar sua base eleitoral.
Lançar mais nomes não significa, necessariamente, conquistar mais votos. Quando um eleitorado é relativamente pequeno, a multiplicação de candidaturas pode apenas redistribuir os mesmos votos entre mais concorrentes.
Em política, quantidade raramente substitui densidade eleitoral. Se a esquerda pretende voltar a disputar espaço competitivo em Foz do Iguaçu, talvez o caminho passe menos pela multiplicação de pré-candidaturas e mais pela construção de um projeto capaz de dialogar com um eleitorado que, nas urnas de 2024, demonstrou preferência amplamente majoritária por candidatos identificados com a direita.
Os números mostraram uma fotografia do passado recente. Resta saber se 2026 confirmará novamente essa tendência desastrosa da esquerda em Foz do Iguaçu.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 438, página 16, de autoria do Jornalista Enrique Alliana
