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Processo de ampliação do Cemitério Islâmico esta travado na burocracia

Por Tribuna Foz dia em Notícias

Processo de ampliação do Cemitério Islâmico esta travado na burocracia
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INCOMPETÊNCIA DO GENERAL

Processo de ampliação do Cemitério Islâmico esta travado na burocracia

Quando nem a morte consegue vencer a burocracia

Foz do Iguaçu gosta de se vender como cidade multicultural, plural, cosmopolita e exemplo de convivência entre povos. Um discurso bonito, colorido, digno de folder turístico. Mas basta sair da propaganda institucional e encarar a realidade para perceber que, em certos casos, nem depois de morto o cidadão encontra dignidade garantida pelo poder público.

Segunda maior comunidade árabe do Brasil

A cidade abriga a segunda maior comunidade árabe do Brasil, fruto de um histórico fluxo sírio-libanês e da posição estratégica da Tríplice Fronteira. Quando somadas as cidades vizinhas: Ciudad del Este, Presidente Franco, Hernandárias, Minga Guazú, Puerto Iguazú e Santa Terezinha de Itaipu a região se transforma, sem exagero, em uma das maiores concentrações árabes da América do Sul.

IBGE

Segundo dados do IBGE, Foz do Iguaçu possui hoje cerca de 297 mil habitantes. Estima-se que aproximadamente 9% da população seja de origem árabe ou descendente, algo em torno de 25.800 pessoas. Um número expressivo, influente, economicamente ativo e politicamente representado.

Dos 15 vereadores da cidade, três têm origem árabe: Adnan El Sayed, Anice Gazzaoui e Yasmin Hachem. Tudo indicaria, portanto, que essa comunidade não apenas existe, mas é realmente relevante.

Vergonha iguaçuense

Se a comunidade é forte, o mínimo esperado é que a infraestrutura pública acompanhe essa força. E é exatamente aí que começa a vergonha iguaçuense.

Foz do Iguaçu possui um Cemitério Islâmico próprio, localizado em área separada do Cemitério Municipal do Jardim São Paulo. Um espaço que respeita os rituais religiosos muçulmanos, com túmulos orientados para Meca, sepultamentos em mortalhas brancas, áreas verdes, plantio de árvores e identificação simbólica com a lua crescente. Um local que representa não apenas um espaço físico, mas um direito religioso, cultural e humano.

Problema

O problema é simples, direto e inegável: não há mais espaço para sepultamentos. A necessidade de ampliação do Cemitério Islâmico não é novidade, não é surpresa e não surgiu ontem. É uma demanda antiga, previsível, lógica e facilmente identificável por qualquer gestor minimamente atento ao crescimento populacional e às especificidades culturais da cidade. Planejamento urbano básico. Nada além disso.

Nem a morte está conseguindo passar pelo gabinete do prefeito

Mas Foz do Iguaçu não é administrada por qualquer prefeito. É governada por um general quatro estrelas. Joaquim Silva e Luna, militar de carreira, acostumado à hierarquia, à disciplina e à obediência imediata. Um homem treinado para comandar, planejar e executar operações complexas. Pelo menos, na teoria.

Na prática, no entanto, parece que nem a morte está conseguindo passar pelo gabinete do prefeito.

O discurso do "gestor técnico", do "homem que resolve", do "militar que coloca ordem na casa", esbarra em algo aparentemente intransponível: a burocracia municipal. Ou seria a falta de gestão? Ou pior: a escolha de pessoas completamente incapazes de executar tarefas básicas?

A pergunta é inevitável: se um general manda e nada acontece, o problema é o subordinado ou o comandante?

Após mais de um ano de mandato, o prefeito Silva e Luna não apresentou solução concreta para a ampliação do Cemitério Islâmico. Não houve obra, não houve anúncio efetivo, não houve resolução. O problema permanece, se agrava e, ironicamente, espera. Espera o quê? Um milagre administrativo? Uma ordem divina? Ou apenas que a comunidade se canse de reivindicar?

Cadê os vereadores?

E onde estão os vereadores da comunidade árabe nesse debate? Permanecem em silêncio constrangedor ou acreditam que o problema vá desaparecer por osmose? A população que os elegeu merece respostas. O respeito à fé não pode ser seletivo nem condicionado à conveniência política.

"A CORRUPÇÃO ATÉ NA MORTE"

"Papa-defunto" relata a existência de um suposto "mensalinho"

A falta de transparência é, de fato, um fator chave que permite e fomenta a corrupção. Resta a pergunta final, amarga e sarcástica: Quem manda, afinal, na Prefeitura de Foz do Iguaçu?

Como se não bastasse o imobilismo oficial, surgem nos bastidores rumores que, embora não comprovados, circulam com insistência. Um agente funerário, que trabalha em uma das funerárias da cidade, sob anonimato, conhecido no meio como "papa-defunto" relata a existência de um suposto "mensalinho" pago a agentes públicos por partes das funerárias, para que processos sobre o tema "ampliação de cemitérios" simplesmente não avancem. Nada declarado, nada documentado, apenas o velho cochicho de corredor que sempre aparece quando a burocracia se mostra eficiente apenas em não funcionar.

Uma coisa é certa. A falta de transparência é, de fato, um fator chave que permite e fomenta a corrupção?

Segundo esse relato, o dinheiro não chegaria diretamente ao prefeito, mas a intermediários "em nome do prefeito". A dúvida que fica é clássica: quando algo não acontece, é incompetência ou conveniência?

Claro, tudo isso permanece no campo das suposições. Mas como todo bom problema público, a ausência de respostas oficiais só alimenta a desconfiança. Transparência é o melhor antídoto contra boatos e ela também está em falta.

A expressão "a corrupção até na hora da morte" é um comentário social que reflete um sentimento profundo de indignação e descrença na sociedade, sugerindo que a corrupção é tão generalizada e sistêmica que permeia até os momentos mais solenes e vulneráveis da vida humana: a morte e os serviços funerários.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, comandada por Idelson José Barquete Chaves, tem papel central nesse processo. Cabe perguntar, com toda ironia possível: a secretaria é incompetente para gerir um tema dessa relevância ou está sendo usada como muro burocrático para empurrar o problema com a barriga?

Gestão Reni Pereira

A situação lembra, perigosamente, práticas de gestões passadas, como a era Reni Pereira, quando se dizia internamente que "quanto pior, melhor", para que a crise justificasse mudanças futuras alinhadas a interesses específicos. A história, ao que parece, insiste em rimar.

No fim das contas, Foz do Iguaçu vive o paradoxo de ser uma cidade global, multicultural e turística, mas incapaz de garantir algo básico: um local digno para que parte de sua população enterre seus mortos conforme sua fé.

Se até um general não consegue vencer a burocracia municipal, resta a pergunta final, amarga e sarcástica: Quem manda, afinal, na Prefeitura de Foz do Iguaçu?

"A burocracia sempre atrapalha" diz Sheik Oussama El Zahed

Para o líderes religioso da Mesquita Omar Ibn Al-Khattab em Foz do Iguaçu, Sheik Oussama El Zahed "Indique que a cidade de Foz do Iguaçu, grande exemplo da convivência, cidade linda, intercultural e religiosa. A cidade demonstra não só para o nosso país como o Brasil, pátria que nós vivemos, como para o mundo inteiro, a letalidade muçulmana e a necessidade entre os três países Paraguai, Brasil e Argentina é um grande exemplo que nós como povo muçulmano, decente e culto, e conseguimos vivermos com todas estas diferenças religiosas e culturais".

"A burocracia sempre atrapalha, nós precisamos como comunidade muçulmana, identificar de modo livre, de modo espontâneo, que estamos em um país que respeita a liberdade de expressão religiosa e cultural. Respeitamos a todos as religiões, bem como queremos respeito a nossa religião Islã", finalizou o Sheik Oussama El Zahed.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 427, Páginas 4 e 5, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

21/01/2026 19h:32min - Errata: Na publicação do Jornal Tribuna Polular, houve um equivoco onde o nome do Sheikh Oussama El Zahed e sua foto foi publicada erroneamente no lugar do Sheikh Mohamed da Sociedade Beneficente Islâmica de Foz do Iguaçu 

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