Tribuna Foz - Tribuna Foz

Professora agredida pelo Prefeito Silva e Luna registra BO e pede punição ao general

Por Tribuna Foz dia em Notícias

Professora agredida pelo Prefeito Silva e Luna registra BO e pede punição ao general
  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp

MACHÃO DE COZINHA

Professora agredida pelo Prefeito Silva e Luna registra BO e pede punição ao general

Quando o quartel invade a escola o general-prefeito demonstra sua arrogância, despreparo e joga a educação na lata do lixo: será que o prevalecido teria coragem de agredir um homem?

Há autoridades que governam com diálogo, outras com planejamento. E há aquelas que, incapazes de lidar com a realidade, recorrem ao grito, à intimidação e ao velho truque da farda invisível. Joaquim Silva e Luna, general reformado e prefeito em tempo integral para vídeos promocionais, mostrou mais uma vez que deixou o quartel, mas não conseguiu abandonar a mentalidade autoritária. No bairro Três Lagoas, confundiu uma escola municipal com um pátio de instrução e uma diretora concursada com um soldado em posição de sentido.

Quando o autoritarismo sobra e a educação apanha

Segundo boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil no dia 29 de janeiro de 2026, a professora Janaina Proensa dos Santos, servidora efetiva há 25 anos da rede municipal e diretora da Escola João da Costa Viana, foi vítima de agressões verbais, intimidação e ameaça por parte do prefeito durante um encontro que deveria ser meramente institucional. Mas institucionalidade não combina com quem prefere espetáculo à gestão e marketing à escuta.

O cenário era quase uma caricatura: o prefeito gravava mais um de seus vídeos ensaiados, proclamando-se, sem qualquer pudor, "o melhor prefeito do sul do mundo". Encerrada a encenação, a diretora aproximou-se de forma cordial, republicana, convidando-o a conhecer a escola. Um gesto educado, talvez educado demais para quem se sente acima de qualquer questionamento.

O problema surgiu quando a conversa saiu do roteiro cuidadosamente controlado. Ao ouvir a frase "a gestão da educação está difícil", o general-prefeito teria perdido a compostura. De acordo com o BO, cerrou os punhos, elevou o tom de voz e avançou fisicamente de maneira intimidatória, aproximando-se a ponto de a professora sentir gotículas de saliva em seu rosto. Um detalhe grotesco, mas simbólico: quando faltam argumentos, sobra intimidação.

As falas atribuídas ao prefeito são um compêndio do autoritarismo vulgar: "sou eu que mando", "não vou na sua escola" e a ameaça velada, ou nem tão velada assim, "nem sei se você vai ficar aí nessa escola". Tudo isso dirigido a uma servidora concursada, com estabilidade funcional, mas que ainda assim se viu humilhada, constrangida e coagida pelo chefe do Executivo municipal.

A pedagogia aplicada ali não foi a do diálogo, mas a do medo

A professora, temendo agressão física, precisou se afastar, passou mal, foi amparada por colegas e encaminhada a uma unidade de saúde. Já o prefeito deixou o local sem prestar esclarecimentos, atitude recorrente de quem não admite contraditório, muito menos quando ele vem de uma mulher que ousa apontar dificuldades na gestão.

É curioso, para dizer o mínimo, que alguém que ocupa o cargo máximo do município ainda acredite que professores concursados são peças descartáveis e que cargos públicos funcionam na base da intimidação pessoal. Mais curioso ainda é perceber que essa valentia toda parece surgir apenas em ambientes controlados, contra quem não oferece risco físico ou político. Um verdadeiro "machão de cozinha": valente no grito, forte na pose, frágil no enfrentamento real.

A repercussão foi imediata. O caso ganhou destaque na imprensa escrita, falada e televisiva, além de ampla divulgação em blogs e redes sociais. O blogueiro Ed Queiroz resumiu o sentimento de muitos ao afirmar: "Ele é brabo com mulheres. Quero ver ele vir bater num homem". A pergunta ecoa pela cidade e incomoda mais do que qualquer crítica técnica: essa coragem seletiva se sustentaria diante de alguém que pudesse revidar?

Caso a denúncia avance, o processo deverá tramitar no Tribunal de Justiça, protegido pelo foro privilegiado. Esse escudo que muitas vezes serve mais para blindar autoridades do que para garantir justiça às vítimas. Enquanto isso, fica o retrato de um governo que confunde autoridade com truculência e liderança com berro.

Quando o quartel invade a escola, quem perde é a educação. Quando o prefeito ameaça quem ensina, a cidade inteira é reprovada. E o general-prefeito, que tanto gosta de medalhas, slogans e autopromoção, acaba condecorado apenas com o ridículo. Este, felizmente, sem foro privilegiado.

GROSSERIA DO GENERAL

O repúdio que honra e o silêncio que envergonha

Em tempos de autoritarismo travestido de gestão, posicionar-se virou um ato de coragem. Por isso, é preciso começar reconhecendo quem não se escondeu atrás do cargo, do medo ou da conveniência política.

SINPREFI

O SINPREFI fez exatamente o que se espera de uma entidade representativa: reagiu com rapidez, ofereceu assessoria jurídica à professora agredida e emitiu nota de repúdio clara e objetiva. Não tergiversou, não relativizou, não pediu "calma". Defendeu a dignidade profissional e a escola pública. Simples assim. Como deveria ser.

Advogada do Sindicato

A advogada do sindicato, Solange da Silva, foi cirúrgica ao lembrar o óbvio que alguns fingem não entender: agir incompatível com o cargo é passível de punição rigorosa. Decoro e dignidade não são adornos do serviço público, são pilares. Quando precisam ser lembrados, é sinal de que alguém já os derrubou.

Presidente do SINPREFI

A presidente do SINPREFI, Viviane Dotto, ampliou o debate ao apontar o problema estrutural: a falta de diálogo como marca registrada da atual gestão. Professores não estão se mobilizando por capricho, mas por respeito. Algo que, ao que tudo indica, anda em falta nos gabinetes climatizados do poder.

Conselho Escolar da Escola João da Costa Viana

O Conselho Escolar da Escola João da Costa Viana também cumpriu seu papel institucional, repudiando a conduta do prefeito e denunciando a instabilidade da educação municipal, agravada pela inércia da Secretaria de Educação. Uma nota técnica, firme e responsável - exatamente o oposto do que se viu em outros setores.

E é aqui que entra o silêncio

A Secretaria Municipal de Educação, diretamente envolvida no episódio, optou por não dizer nada. Um silêncio ensurdecedor, típico de quem confunde omissão com estratégia. Em ambientes autoritários, o silêncio não é neutralidade: é submissão. É o famoso "não me envolvo para não sobrar pra mim".

Secretaria da Mulher

Já a Secretaria da Mulher conseguiu superar todas as expectativas negativamente. Scheila Melo, policial militar e secretária justamente da pasta que deveria defender mulheres vítimas de violência, ficou pianinha. Nenhuma palavra de repúdio, nenhuma defesa pública, nenhum gesto institucional. Se fosse policial de verdade, no mínimo teria condenado a agressão. Mas preferiu o conforto do silêncio seletivo. Uma secretária da Mulher que se cala diante da violência contra uma mulher não falha apenas politicamente, falha moralmente.

Silêncio pode até proteger cargos, mas nunca preserva a consciência No fim das contas, o episódio escancarou quem entende o que é serviço público e quem apenas ocupa espaço. Uns falaram, defenderam, enfrentaram. Outros se calaram, baixaram a cabeça e esperaram a poeira baixar. A história costuma ser generosa com os primeiros e implacável com os segundos. Porque o silêncio pode até proteger cargos, mas nunca preserva a consciência.

A desculpa esfarrapada da Prefeitura

A nota oficial da Prefeitura tentou fazer o impossível: transformar um episódio de intimidação em um mal-entendido acústico. Segundo a versão oficial, o conflito teria sido causado pelo barulho de máquinas de limpeza, que supostamente dificultaram a comunicação entre o prefeito e a diretora da escola. É uma explicação criativa, quase poética. Faltou apenas culpar o vento, os passarinhos ou a acústica do pátio público. Para uma gestão que gosta de discursos grandiloquentes, a justificativa saiu pequena e frouxa.

A narrativa beira o folclore administrativo, especialmente quando parte de um gestor conhecido por seu histórico de ataques verbais a professores. Não é exatamente novidade. Durante a campanha eleitoral, o mesmo prefeito protagonizou cenas lamentáveis, como quando agrediu verbalmente a professora Antonela e chegou a ameaçar levantar da cadeira para espancá-la. Naquele dia, curiosamente, não havia máquina alguma ligada. O problema, ao que tudo indica, nunca foi o ruído externo, mas o descontrole interno.

Outro detalhe curioso, e muito conveniente, é o funcionamento seletivo das câmeras de vigilância da Prefeitura, que teriam sido acionadas apenas após as 9h, enquanto o episódio ocorreu por volta das 8h30. Coincidências existem, claro. Mas algumas insistem tanto que acabam pedindo explicações. Ou investigação.

Câmara Municipal

Resta agora observar se a Câmara Municipal decidirá cumprir seu papel institucional ou se também adotará a política do "não vi, não ouvi". O Decreto-Lei 201 não é peça decorativa e trata, com bastante clareza, de crimes e infrações político-administrativas.

Se a escola é espaço de formação cidadã, não pode ser tratada como extensão de quartel. E democracia nenhuma sobrevive quando o poder se explica melhor com desculpas do que com responsabilidade.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 428, páginas 6 e 7, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp