TRAIÇÕES DENTRO DO PT: Enio Verri apunhala Gleisi Hoffmann pelas costas para beneficiar o irmão
Por Tribuna Foz dia em Notícias
TRAIÇÕES DENTRO DO PT
Enio Verri apunhala Gleisi Hoffmann pelas costas para beneficiar o irmão
DGB utilizou a máquina da Itaipu e distribuiu cargos para incensar a candidatura do "brother", traindo a palavras e os princípios do partido
Na política, como já dizia o velho ditado não escrito, nada é exatamente o que parece. O aperto de mão quase sempre vem acompanhado de um punhal escondido no paletó, o sorriso carrega uma planilha de cálculos eleitorais e a lealdade dura apenas até a próxima conveniência pessoal.
Ainda assim, mesmo para os padrões elásticos da política brasileira, há personagens que conseguem se superar e transformar a traição em método, o oportunismo em doutrina e a deslealdade em projeto de poder.
É exatamente nesse ponto que entra em cena o todo-poderoso Diretor-Geral da Itaipu Binacional, Enio Verri, que por muito tempo bateu e escondeu a mão. Até que a própria mão cansou de se esconder.
Quando Enio Verri assumiu a direção da Itaipu, não havia qualquer ingenuidade no ar. Ele sabia, melhor do que ninguém, que seu cargo tinha prazo de validade. Sabia o dia, a hora e o discurso pronto para a despedida.
Havia prometido solenemente à ministra Gleisi Hoffmann e ao presidente Lula que se desincompatibilizaria da função para disputar as eleições de 2026. O enredo parecia alinhado, coletivo, partidário, quase exemplar. Tudo dentro do figurino do "companheiro" fiel ao projeto nacional. Parecia. Porque, longe dos holofotes e dos discursos ensaiados, o que se desenhava era outra coisa: um projeto pessoal, familiar e profundamente fisiológico. E a ideologia? Ora, a ideologia que se exploda.
Um fracasso político
A gestão Enio Verri revelou-se um fracasso político estrondoso para Lula e Gleisi Hoffmann. E isso não ocorreu por acaso. Não foi erro de percurso, não foi ingenuidade administrativa, tampouco foi falta de aviso. Foi tudo planejado para apunhalar os companheiros.
Enquanto discursava sobre compromisso com o governo federal e com a Federação Brasil da Esperança, Enio usava a robusta estrutura financeira e administrativa da Itaipu Binacional como se fosse um comitê eleitoral privado, distribuindo cargos, acomodando apaniguados e construindo uma rede de favores com um único objetivo: impulsionar a candidatura do irmão, Mario Verri, ao cargo de deputado estadual em 2026.
Ferramenta eleitoral
A Itaipu, nesse contexto, deixou de ser uma empresa estratégica para o desenvolvimento nacional e passou a operar como uma espécie de "caixa de ferramentas eleitorais". Cada nomeado, cada indicado, cada favorecido vinha acompanhado de uma senha não verbalizada, mas perfeitamente compreendida: apoio político em troca de estabilidade, salário e poder. E o mais escandaloso não foi apenas o uso da máquina, mas a orientação explícita dada a muitos desses aliados.
Segundo relatos que circulam livremente nos bastidores, a ordem era clara, direta e desavergonhada: "Meu candidato é Mario Verri. Não é Lula. Não é Gleisi Hoffmann". Uma aula prática de fidelidade partidária às avessas. Um manual moderno de como trair sorrindo. O projeto nacional virava pano de fundo, quase um detalhe decorativo, enquanto o projeto familiar ocupava o centro do palco.
E como se isso não bastasse, esses mesmos aliados foram liberados. Ou melhor, incentivados, a fazer dobradinha com candidatos de outros partidos, inclusive fora da Federação Brasil da Esperança. O discurso ideológico ficava reservado às entrevistas e às redes sociais; na prática, valia o pragmatismo mais rasteiro. Afinal, para quem trata a política como balcão de negócios, coerência é artigo de luxo.
Acordos obscuros em todo o Paraná
Um dos episódios mais ilustrativos desse teatro de absurdos foi o acordo envolvendo o vereador de Foz do Iguaçu, Adnan El Sayed, eleito pelo PSD. A equação era simples como uma troca de figurinhas: a indicação do assessor Aldino Lourenço Cardias para um cargo na Itaipu em troca de apoio a Mario Verri. O detalhe incômodo, quase irrelevante para quem já havia abandonado qualquer escrúpulo político, era que o vereador seguiria apoiando outros candidatos fora da federação lulista. Um pequeno "deslize" ignorado em nome do objetivo maior: fortalecer o sobrenome Verri.
Não foi um caso isolado. Segundo fontes, esse modus operandi se espalhou pelo Paraná como rastilho de pólvora. Praticamente todos os acordos políticos costurados por Enio Verri seguiam a mesma lógica: cargos em troca de votos, apoio ao irmão acima de qualquer compromisso com Lula, Gleisi ou o projeto nacional. A Federação Brasil da Esperança virou figurante em sua própria história.
TUDO POR UM PROJETO FAMILIAR
Artimanhas de Enio Verri para ferrar Gleisi Hoffmann e Arilson Chiorato
Como discípulo de Maquiavel, transformou uma estatal estratégica em trampolim pessoal, a confiança política em moeda de troca e o discurso ético em peça de ficção. Até o diretor de coordenação teria entrado na trama
O constrangimento desse episódio de novela mexicana atinge níveis ainda mais elevados quando envolveria até o diretor de Coordenação da Itaipu, Carlos Carboni, até então tratado como "braço direito" de Gleisi Hoffmann. Relatos apontam que Carboni teria procurado cabos eleitorais influentes em diversas cidades. Os mesmos que em 2022 trabalharam intensamente pela eleição de Gleisi e Arilson Chiorato. Os pedidos foram para que abandonassem Arilson e migrassem para o queridinho "brother" Mario Verri em 2026. Um convite explícito à ingratidão política, servido com a naturalidade de quem acredita que memória eleitoral é curta e princípios são descartáveis.
Dizem que toda tragédia política bem roteirizada, sempre há espaço para piorar. A absoluta falta de tato político de Enio Verri à frente da Itaipu, somada à percepção generalizada de que usou o cargo para interesses pessoais, fez sua popularidade despencar de forma vertiginosa no Paraná.
Pesquisas internas começaram a circular com um diagnóstico devastador: Enio Verri não teria viabilidade eleitoral para absolutamente nada. Nem para deputado, nem para senador, nem sequer como puxador de votos. Sua eventual candidatura ao Senado pela Federação Brasil da Esperança seria um fiasco histórico, um constrangimento público.
"Raposa Velha"
Diante desse colapso administrativo e eleitoral, entra em cena a figura clássica da política brasileira: a "raposa velha". O político experiente, astuto, sobrevivente de inúmeras crises, que sabe muito bem como empurrar aliados para o sacrifício e se reinventar às custas dos outros.
Mesmo desgastado, Enio Verri parece acreditar que ainda pode manipular o tabuleiro, ainda que isso custe a carreira de quem apostou nele.
Foi nesse contexto que Gleisi Hoffmann levou um verdadeiro balde de água fria. A ministra, que pretendia disputar tranquilamente a reeleição como deputada federal, passou a ser empurrada para um cenário bem mais arriscado. O mesmo destino se desenha para Arilson Chiorato, cuja reeleição como deputado estadual fica ameaçada não por falta de votos próprios, mas por um rearranjo forçado de peças no tabuleiro político.
Efeito dominó
A inviabilidade de Enio Verri para o Senado cria um efeito dominó perverso: Gleisi seria praticamente obrigada a disputar uma vaga no Senado, Arilson teria de migrar para deputado federal, abrindo caminho para que Mario Verri surgisse como um dos nomes mais competitivos à Assembleia Legislativa. Tudo muito bem encaixado. Tudo extremamente conveniente. Tudo pensado não para fortalecer um projeto coletivo, mas para salvar um projeto familiar.
No final das contas, Enio Verri não apenas traiu Gleisi Hoffmann, colocou-a deliberadamente numa enrascada política. Arrastou Arilson Chiorato para a mesma fria, não por erro de cálculo, mas por cálculo frio e consciente. Deve ter lido muito Maquiavel e Sun Tzu.
Transformou uma estatal estratégica em trampolim pessoal, a confiança política em moeda de troca e o discurso ético em peça de ficção.
Na política, traições sempre existiram. Mas algumas ultrapassam o limite do aceitável e se transformam em método de atuação. E Enio Verri parece ter elevado essa prática à categoria de estratégia central, ainda que tenha deixado pelo caminho aliados, credibilidade e qualquer resquício de compromisso com aquilo que dizia defender.
Afinal, para quem acredita que o poder justifica tudo, a lealdade é apenas um detalhe, descartável, como tantos outros, até a deslealdade vira virtude.
Atitude de Verri beneficiou a eleição de Silva e Luna
Poucos sabem. Ou fingem não saber que nas eleições municipais de 2024 em Foz do Iguaçu, o que se esperava de Enio Verri nunca aconteceu. Vendido como o grande motor da Federação Brasil da Esperança, Enio preferiu puxar o freio de mão. A chapa não decolou, o foguete nem saiu da base, e o resultado caiu, convenientemente, no colo do General Silva e Luna. O motivo? Medo. Medo de que outro grupo político criasse um curral eleitoral fora do seu controle. No fim, o projeto coletivo virou detalhe, porque o único nome que realmente importava era Mário Verri. Política pública? Só se for privada.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 428, páginas 4 e 5, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

