Quando a corrupção faz lanche dentro do Hospital Municipal de Foz do Iguaçu
Por Tribuna Foz dia em Notícias
A QUE PONTO CHEGAMOS?
Quando a corrupção faz lanche dentro do Hospital Municipal de Foz do Iguaçu
A a corrupção nem precisa se esconder. Ela senta, pede um café… e não paga a conta. Para alguns até ganha um cargo para se calar
Em Foz do Iguaçu, a gestão do prefeito General Silva e Luna segue provando que sempre é possível descer mais um degrau no porão da administração pública. A bola da vez é uma denúncia gravíssima de possível corrupção e improbidade administrativa dentro do Hospital Municipal Padre Germano Lauck, já protocolada no Tribunal de Contas do Paraná e encaminhada ao Jornal Tribuna Popular. O detalhe que mais choca não é a denúncia em si, mas a naturalidade com que tudo parece acontecer.
Segundo a denúncia, a lanchonete instalada dentro do espaço físico da Fundação Municipal de Saúde no Hospital Padre Germano Lack opera sem qualquer contrato formal com o poder público. Nenhum termo de concessão, permissão ou locação. Nada. Ainda assim, o estabelecimento funciona normalmente, como se estivesse em solo privado e não dentro de uma unidade pública de saúde. E como ninguém trabalha por caridade, muito menos em tempos de crise, surge a pergunta óbvia: quem está ganhando com isso?
Relatos de pessoas que pediram anonimato indicam que um suposto “aluguel” seria pago religiosamente a terceiros. A reportagem não conseguiu comprovar o destino desse dinheiro, mas como diz o velho ditado, nem relógio trabalha de graça. Em um mundo capitalista, acreditar que um espaço público valioso dentro de um hospital foi cedido por pura benevolência chega a ser uma piada de mau gosto.
Mas como nada está tão ruim que não possa piorar sob a gestão do General Silva e Luna, surgem novos detalhes ainda mais escandalosos. Apurou-se que os responsáveis pela lanchonete não pagam água nem energia elétrica. Isso mesmo: enquanto pacientes sofrem com falta de insumos, filas e precariedade no atendimento, uma empresa privada consome serviços públicos essenciais sem desembolsar um centavo. O prejuízo ao erário cresce silenciosamente, dia após dia, pago pela população.
A legislação municipal e a legislação brasileira são claras: o poder público não pode doar bens ou serviços públicos a empresas privadas. A gratuidade de água e luz caracteriza subvenção econômica indevida e afronta princípios básicos da administração pública, como legalidade, moralidade e isonomia. Não há margem para “interpretação criativa” ou jeitinho administrativo.
A pergunta que resta é: os diretores da Fundação Municipal de Saúde e do Hospital Padre Germano Lauck, sob comando do Coronel Jorge Áureo, realmente não sabiam de nada? Ou fingirão surpresa agora, mesmo frequentando diariamente o local para seus lanches? A velha desculpa do “não sabia” já não cola em uma gestão marcada pela desorganização e pelo desprezo às normas legais.
A denúncia também lança sombras sobre o Legislativo municipal. O denunciante afirma ter levado os fatos ao gabinete do vereador Adnan El Sayed, que se apresenta como defensor da causa da saúde. Coincidentemente, ou não, poucos dias depois, a irmã do chefe de gabinete Ali Chamas, do vereador Adnan El Sayed foi nomeada para um cargo de direção no Fozhabita. Meses se passaram sem qualquer movimentação ou cobrança pública. O silêncio foi ensurdecedor.
Diante da omissão política, o denunciante decidiu recorrer às instâncias competentes: Tribunal de Contas do Estado e imprensa. A atitude escancara o que muitos já suspeitavam: quando o sistema falha por dentro, resta ao cidadão apelar para fora.
Os fatos narrados indicam, no mínimo, improbidade administrativa. No pior cenário, podem configurar crimes graves de corrupção passiva. Agora, a gestão do general aguarda apenas a manifestação do Ministério Público e do TCE-PR. Até lá, a lanchonete segue funcionando, os prejuízos continuam e a conta, como sempre, sobra para o povo.
Em Foz do Iguaçu, a corrupção nem precisa se esconder. Ela senta, pede um café… e não paga a conta.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 426, Página 3, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

