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Quando o General descobre que "nepotismo" só vale para a família dos outros

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CÓDIGO DE ÉTICA PARA INGLÊS VER

Quando o General descobre que "nepotismo" só vale para a família dos outros

Foz do Iguaçu vira novela mexicana: madrasta, enteada, conselho amigo e um decreto que virou papel de bala

Enrique Alliana - Jornalista

Seis meses. Esse foi o tempo que o glorioso Código de Ética do prefeito General Silva e Luna conseguiu sobreviver antes de ser solenemente atropelado pela própria caneta que o assinou. Em julho ele decretou, em tom solene e cheio de moral administrativa, que nepotismo era coisa feia, proibida, vedada, banida, execrada, amaldiçoada e tudo o mais. Em janeiro, resolveu testar uma nova teoria jurídica revolucionária: “nepotismo não existe quando é conveniente”.

A matemática é simples: Patrícia Iunovich, vira presidente da Fundação Cultural. No mesmo Diário Oficial e sua enteada, Leilane Dalla Benetta, sai de um cargo comissionado ali dentro. Dois dias depois, magicamente, reaparece em outro cargo comissionado, agora no Centro de Convenções. Nada a ver uma coisa com a outra, segundo a Prefeitura. Coincidência. Do tipo que só acontece quando se tem um sobrenome certo e uma mesa cativa no poder.

E aí vem a parte mais deliciosa da história

A Prefeitura correu para dizer que não existe nepotismo porque a nomeação da enteada de Patrícia Iunovich foi feita por um “conselho independente”. Independente de quem? Do bom senso? Da moralidade administrativa? Ou só da vergonha na cara mesmo?

Porque o tal conselho do Ceconfi é composto por quem? Secretários municipais, diretores da Prefeitura, gente do primeiro e segundo escalões do governo Silva e Luna. Ou seja: o prefeito não nomeou diretamente, mas mandou seus próprios subordinados fazerem o serviço. É como dizer que o assalto não foi cometido pelo chefe da quadrilha, mas pelo bando inteiro que trabalha para ele.

Mas a cereja do bolo é que o próprio General Silva e Luna assinou um decreto dizendo que é proibido nomear familiares, inclusive por afinidade, e inclusive na administração indireta. O mesmo decreto que agora a Prefeitura finge que não existe, como se fosse um contrato de promessa de campanha.

Nota oficial esquece do próprio Código de Ética municipal

Na nota oficial, o governo cita a Súmula 13 do STF, como se estivesse dando uma aula de direito constitucional para a população. Só esqueceu de citar o próprio Código de Ética municipal, aquele que o prefeito mandou imprimir, divulgar e teoricamente a ser cumprido. Menos por ele próprio. É o famoso “vale tudo”, desde que seja para a família.

A lógica adotada é cristalina: quando o parente é do outro, é nepotismo; quando é da minha casa, é “interpretação jurídica”. Quando é a sogra do vereador virou um escândalo, a lei foi cumprida; quando a madrasta de uma forma ou outra emplaca a enteada, vira tecnicalidade administrativa.

E assim, Foz do Iguaçu vira uma espécie de novela das oito financiada com dinheiro público. Temos a madrasta no comando da cultura, a enteada no marketing do centro de convenções, um conselho cheio de amigos do rei e um decreto que virou peça de museu, exposto, bonito, inútil.

O mais curioso é que ninguém responde nada. Nem Patrícia, nem Leilane, nem o Gabinete do Prefeito. O silêncio é tão alto que parece gritar: “é isso mesmo, e daí?”. O Código de Ética, que deveria ser um freio, virou só mais um acessório de marketing institucional.

No fim das contas, o que General Silva e Luna conseguiu provar é que sua gestão é coerente apenas em uma coisa: a habilidade de criar regras para os outros e exceções para si. O resto é teatro.

E Foz do Iguaçu, mais uma vez, paga o ingresso para assistir à velha comédia brasileira: o poder público transformado em reunião de família.

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