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Quando os assessores enterram o projeto político de Gleisi Hoffmann

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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ASSESSORIA TÓXICA

Quando os assessores enterram o projeto político de Gleisi Hoffmann

O maior inimigo de Gleisi Hoffmann pode ter estado dentro do gabinete; A conta chegou: assessoria, prepotência e rejeição em alta

Na política, nada acontece por acaso. Toda decisão produz consequências, e toda estratégia equivocada cobra seu preço. O momento em que essa conta chega não é durante os discursos, nas redes sociais ou nas inaugurações de obras. O verdadeiro julgamento acontece diante das urnas, onde o eleitor transforma aprovação em voto e decepção em rejeição.

Maus assessores podem ter enterrado o sonho de Gleisi Hoffmann no Senado

Existe um velho ditado que diz que "quem avisa, amigo é". Mas há políticos que vivem cercados por assessores tão preocupados nos próprios salários, em agradar o chefe que deixam de cumprir justamente a função para a qual são pagos: dizer a verdade.

As três fases da vida política

Todo político costuma percorrer três etapas bem definidas. A primeira é a do chamado "político raiz". É aquele que vive diariamente entre os eleitores, conhece os problemas da comunidade porque enfrenta os mesmos desafios que qualquer cidadão. Não precisa de relatórios para saber onde falta asfalto, saúde ou segurança. Basta sair de casa.

Na segunda etapa surge o "político estadual". Já instalado na capital, passa a depender das lideranças regionais para manter contato permanente com sua base. Ainda existe um vínculo sólido com o interior, mas esse relacionamento exige interlocutores confiáveis.

Já a terceira fase é a mais perigosa: a do "político federal". Instalado em Brasília, distante da realidade cotidiana dos municípios, passa a enxergar sua base eleitoral através dos olhos dos assessores. Quando esses olhos enxergam mal, ou preferem esconder a realidade, começa o processo de isolamento político.

É justamente nesse momento que muitos líderes deixam de ouvir a população para ouvir apenas os aplausos do próprio gabinete.

Itaipu virou ponte... mas para o desgaste

No caso da ex-ministra e hoje deputada federal Gleisi Hoffmann, uma das principais apostas políticas foi ocupar espaços estratégicos na administração da Itaipu Binacional. Para a Diretoria-Geral foi indicado Enio Verri. Na Diretoria de Coordenação assumiu Carlos Carboni.

Nem a Itaipu conseguiu segurar a erosão política de Gleisi Hoffmann

A expectativa política parecia simples: aproximar a Itaipu das lideranças locais, fortalecer alianças históricas e consolidar uma base eleitoral robusta.

Na prática, segundo as críticas apresentadas, ocorreu justamente o contrário. Em vez de ampliar pontes, muitas delas teriam sido queimadas.

Lideranças tradicionais, que durante décadas sustentaram o projeto político do grupo, passaram a sentir-se desprestigiadas. Houve relatos de articulações para substituir antigos aliados por novos nomes, gerando divisões internas justamente onde antes existia unidade.

Enquanto isso, a percepção era de que interesses pessoais passaram a ocupar espaço maior que o fortalecimento do projeto coletivo.

Quem protege demais também afunda

Existe um dos maiores perigos da política moderna: o assessor que vende ilusões.

São profissionais que transformam qualquer crítica em "ataque da oposição", qualquer pesquisa negativa em "erro metodológico" e qualquer perda de apoio em "caso isolado".

Criam uma realidade paralela onde tudo está funcionando perfeitamente. O problema é que o eleitor não mora dentro dessa bolha.

A rejeição pode falar mais alto que a estrutura

Se dirigentes políticos realmente passaram anos acreditando que tudo caminhava bem enquanto suas bases eram desmontadas silenciosamente, talvez o maior erro não tenha sido a estratégia eleitoral, ma sim confiar em quem tinha a obrigação de alertar sobre o desastre.

Pesquisas recentes indicam um índice de rejeição elevado para Gleisi Hoffmann, chegando próximo de 60%. Em política, rejeição elevada representa um obstáculo importante, pois limita a capacidade de conquistar eleitores além da base consolidada.

A queda de Gleisi Hoffmann começou longe das urnas

Esse cenário, se confirmado nas urnas, pode revelar que estruturas administrativas, cargos estratégicos e influência institucional não substituem o trabalho permanente de manutenção das bases políticas.

A máquina pode inaugurar obras.

Os assessores podem produzir relatórios otimistas.

Os aliados podem repetir que está tudo sob controle.

Mas existe um personagem impossível de convencer com discursos internos: o eleitor.

E quando ele conclui que foi ignorado durante anos, costuma responder da forma mais dura possível.

Com um voto.

Ou, muitas vezes, com a ausência dele. Se esse cenário vier a se confirmar nas eleições para o Senado, talvez Gleisi Hoffmann descubra tarde demais que seu maior adversário não estava na oposição, mas sentado ao seu lado, dentro do próprio gabinete, dizendo diariamente que estava tudo bem enquanto o chão político desaparecia sob seus pés.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 440, página 5, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

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