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Secretario da Prefeitura da "Piti" no UPA João Samek e depois foge

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BRAÇO DIREITO DO PREFEITO

Secretario da Prefeitura da "Piti" no UPA João Samek e depois foge

UPA não é palco, prontuário não é planilha e "carteirada" não é diagnóstico

Em menos de dez dias, a UPA João Samek deixou de ser apenas uma unidade de saúde para virar cenário de mais um espetáculo patético protagonizado por quem confunde cargo público com salvo-conduto.

O Secretário de Tecnologia, Inovação e Modernização Digital da Prefeitura de Foz do Iguaçu, Luiz Teixeira, resolveu novamente testar os limites da ética, da medicina e do bom senso. E, como já virou rotina, saiu de cena antes que o pano caísse, fugindo do local depois do "papelão".

Pela terceira vez em menos de dez dias, o secretário levou o filho menor de idade ao UPA e, como se estivesse em uma reunião de TI ou diante de um sistema que acredita controlar, passou a dar ordens médicas. Sem diagnóstico, sem exame, sem escuta clínica. O remédio? Uma injeção exigida na base da autoridade, não a científica, mas a do cargo. Afinal, na cabeça do secretário, estetoscópio parece opcional quando se tem "proximidade" com o General Silva e Luna.

A cena beira o surreal: um gestor de tecnologia tentando "debugar" a medicina à força. Como se o corpo humano fosse um software e a pediatra plantonista, uma usuária teimosa que se recusa a clicar no botão errado. Não satisfeito em tentar impor conduta médica, o secretário ainda ordenou que a profissional alterasse o prontuário da criança. Sim, alterasse. Porque, segundo ele, "conhece o sistema" e "sabe que dá". Eis a modernização digital aplicada à saúde pública: se o registro não combina com a vontade do secretário, que se mude o registro.

A médica, corretamente, disse não. Disse não à injeção sem diagnóstico, disse não à fraude de prontuário, disse não ao abuso de poder. O que se seguiu foi o "show": questionamentos, pressão, constrangimento público e a necessidade de chamar a coordenação médica. Diante do barraco armado na frente de pacientes e servidores, cogitou-se acionar a Guarda Municipal. Foi quando o secretário, fiel ao roteiro já conhecido, optou pela especialidade em evasão: fugiu levando a criança doente.

Apurou-se que não foi um episódio isolado. É a terceira vez que isso acontece naquela unidade. Três visitas, três confusões, três saídas apressadas. Parece padrão. O secretário entra como autoridade máxima, tenta mandar como se estivesse em casa, e sai correndo quando percebe que ali ainda existem profissionais que respeitam protocolos, leis e ética.

O caso escancara algo maior do que um comportamento individual: revela a cultura da "carteirada", do manda-quem-pode, obedecequem-tem-juízo. Mostra o desprezo por profissionais da saúde, tratados como meros operadores de sistema; e pela população, que espera horas por atendimento enquanto alguns acreditam ter fila VIP. Mostra, sobretudo, a perigosa confusão entre tecnologia e poder: saber mexer em sistema não autoriza ninguém a violar prontuários, constranger médicos ou brincar de médico com a saúde alheia.

A UPA não é palco político. Prontuário não é planilha editável ao gosto do secretário. E cargo público não transforma ninguém em médico, muito menos acima da lei. Se essa é a "inovação" prometida, talvez seja hora de atualizar o software da gestão: ética versão básica, respeito aos servidores e responsabilidade com a coisa pública. Porque, até agora, o único avanço visível foi na audácia e na velocidade da fuga.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 426, Página 5, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

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