SITRO-FI mantém pressão e cobra travessia 24 horas para caminhões na Ponte da Integração
Por Tribuna Foz dia em Notícias
SITRO-FI mantém pressão e cobra travessia 24 horas para caminhões na Ponte da Integração
Mobilização dos rodoviários força avanço nas negociações entre Brasil e Paraguai, mas sindicato de Foz alerta: “A luta continua”
Enrique Alliana - Jornalista
A mobilização dos trabalhadores do transporte rodoviário começa a produzir resultados na fronteira entre Brasil e Paraguai. Após a paralisação realizada no dia 3 de agosto de 2026, liderada por entidades sindicais do setor, os governos voltaram a discutir as condições para a passagem de caminhões pela Ponte Internacional da Integração, entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco.
Na linha de frente do movimento está o SITRO-FI – Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Foz do Iguaçu, que mantém a categoria em estado de greve e defende uma solução definitiva: ampliar progressivamente os horários até que a travessia de cargas funcione 24 horas por dia.
A paralisação contou com a participação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Paraná (FETROPAR), SINDICAM Santos, SINDICAM Cascavel e sindicatos dos rodoviários de Foz do Iguaçu, Sorocaba, Francisco Beltrão, Maringá, Dois Vizinhos, Pato Branco e Curitiba.
Pressão dos trabalhadores recolocou negociação na mesa
Para as entidades, a mobilização mostrou a capacidade de organização dos profissionais do transporte e foi decisiva para provocar uma reação das autoridades diante das dificuldades enfrentadas diariamente pelos caminhoneiros.
Com a pressão sindical e a possibilidade de retomada do movimento com maior intensidade, o Governo do Paraguai voltou à mesa de negociação com o Brasil para discutir mudanças na operação da Ponte da Integração.
Entre os avanços está a ampliação do período destinado à passagem dos caminhões em lastro — veículos vazios —, com redução de duas horas e meia na restrição existente e possibilidade de circulação entre 18h e 5h.
Para o SITRO-FI, entretanto, a mudança representa apenas mais uma etapa da negociação.
SITRO-FI quer caminhões circulando também durante o dia
A principal reivindicação defendida pelo sindicato é permitir que os veículos de carga possam utilizar a Ponte da Integração durante o período diurno, eliminando uma situação que obriga motoristas a permanecerem por longas horas aguardando no lado paraguaio da fronteira.
Segundo as lideranças sindicais, além dos prejuízos operacionais, o problema envolve diretamente a dignidade dos trabalhadores, que muitas vezes precisam enfrentar períodos prolongados de espera sem estrutura adequada de higiene, alimentação e segurança.
O entendimento é de que uma ponte construída justamente para melhorar a logística regional precisa oferecer condições compatíveis com a realidade do transporte internacional de cargas.
Categoria permanece em estado de greve
Apesar do avanço registrado nas negociações, o SITRO-FI informa que os trabalhadores permanecem em estado de greve. A estratégia é manter a pressão sobre governos e autoridades até que seja construída uma solução considerada efetiva para a categoria.
O presidente do SITRO-FI, Rodrigo Andrade de Souza, destaca que a paralisação de agosto demonstrou o peso da união dos trabalhadores e deixou claro que novas mobilizações poderão ocorrer caso as negociações não avancem.
“A mobilização realizada no dia 3 de agosto mostrou a força da categoria. O movimento foi crucial para que chegássemos até aqui, mas sabemos que novas mobilizações poderão ser necessárias para alcançarmos o nosso objetivo principal”, afirmou.
“A luta continua até conquistarmos condições dignas”
Para Rodrigo Andrade de Souza, o objetivo agora é transformar os avanços pontuais em uma solução permanente para quem trabalha diariamente no transporte de cargas entre os dois países.
“Nossa perspectiva é continuar avançando e consolidar uma solução definitiva para os trabalhadores do transporte rodoviário, garantindo que o transporte de cargas possa ser realizado durante o dia. Quando a categoria se une, se organiza e luta, conseguimos avançar. A mobilização trouxe resultados, mas a luta continua até conquistarmos condições dignas, humanas e seguras para todos os trabalhadores e trabalhadoras do transporte rodoviário”, concluiu.
Para o SITRO-FI, a mensagem deixada pela mobilização é clara: houve avanço, mas ainda não existe motivo para desmobilização. Enquanto caminhoneiros continuarem submetidos a longas esperas e restrições na fronteira, o sindicato promete manter a pressão.
A reivindicação final permanece sobre a mesa: Ponte da Integração aberta ao transporte de cargas 24 horas por dia, com segurança, estrutura e respeito aos trabalhadores.
