Vice-Prefeito Ricardo Nascimento tenta a qualquer jeito induzir que ele que trouxe melhorias para a Invasão do Bubas
Por Tribuna Foz dia em Notícias
OPORTUNISTA
Vice-Prefeito Ricardo Nascimento tenta a qualquer jeito induzir que ele que trouxe melhorias para a Invasão do Bubas
"Quando a selfie vale mais que a história e o oportunismo usado numa obra pública com cenário de campanha antecipada?"
Na política brasileira, há personagens que trabalham nos bastidores para transformar realidades. E há aqueles que aparecem depois, quando a obra já está em andamento ou praticamente pronta, com o capacete limpo, a roupa alinhada e o discurso ensaiado. Em Foz do Iguaçu, o vice-prefeito Ricardo Nascimento parece ter escolhido com convicção o segundo papel.
A reurbanização da chamada "Invasão do Bubas", por anos conhecida como a maior favela a céu aberto do Paraná, não nasceu de vídeos bem editados nem de discursos repetitivos nas redes sociais. Trata-se de um processo complexo, fruto de articulações institucionais sérias e de longo prazo, conduzidas ainda na gestão do ex-prefeito Chico Brasileiro, com apoio do Governo do Estado e do Tribunal de Justiça. Um esforço coletivo que exigiu planejamento, negociação e, acima de tudo, responsabilidade pública.
"Quando a memória é curta, o oportunismo cresce"
Mas, ao que parece, nas redes sociais do vice-prefeito, a história ganhou uma versão "diretor's cut": aquela em que ele surge como protagonista de um projeto que já estava em andamento muito antes de sua empolgação digital. Entre um vídeo e outro, Ricardo Nascimento fala, explica, repete, tudo na esperança de que, na insistência, a narrativa substitua os fatos.
Enquanto isso, a realidade segue menos glamourosa: um vice-prefeito com salário mensal de R$ 17.447,00, estrutura de assessoria custeada com dinheiro público e uma rotina aparentemente dedicada não à gestão, mas à autopromoção. Afinal, governar dá trabalho. Mas gravar vídeos, ao que tudo indica, rende mais engajamento.
"O Bubas é real. O protagonismo nas redes, nem tanto."
O curioso é que o próprio projeto do Bubas dispensa esse tipo de marketing oportunista. Com financiamento da Sanepar e contrapartida municipal de R$ 5 milhões, a região avança para sua fase de reurbanização. O que antes era sinônimo de abandono hoje se transforma em bairro estruturado, com saneamento, pavimentação e dignidade. Um exemplo concreto de urbanismo social que poderia ser celebrado com seriedade, mas que acaba sendo usado como pano de fundo para ambições políticas.
"A reurbanização do Bubas segundo o roteiro do oportunismo"
E aqui está o ponto central: não se trata de negar a importância de divulgar ações públicas, mas de questionar a tentativa de reescrever a história em tempo real. Porque uma coisa é comunicar resultados; outra, bem diferente, é tentar sequestrar méritos.
O Bubas não precisa de protagonistas de ocasião. Precisa de continuidade, respeito aos fatos e compromisso real com a população. Já os vídeos… esses podem até render curtidas, mas dificilmente resistem ao teste da memória coletiva.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 432, página 6, de autoria do Jornalista Enrique Alliana
