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4 RESTAURANTES POPULARES: Em Foz do Iguaçu o anúncio sai quente, mas o projeto ainda está cru

Por Tribuna Foz dia em Notícias

4 RESTAURANTES POPULARES: Em Foz do Iguaçu o anúncio sai quente, mas o projeto ainda está cru
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4 RESTAURANTES POPULARES

Em Foz do Iguaçu o anúncio sai quente, mas o projeto ainda está cru

"Prefeitura anuncia quatro restaurantes populares, mas o projeto ainda está em dieta de papel"

Em Foz do Iguaçu, a política municipal tem um talento especial: anunciar obras que ainda vivem apenas no confortável mundo das ideias. A mais nova iguaria servida no cardápio oficial da prefeitura são quatro restaurantes populares. Pelo menos foi isso que o prefeito Joaquim Silva e Luna anunciou na última sexta-feira, 6 de março de 2026.

Promessa Gourmet

A proposta é bonita: refeições baratas para a população, uma cozinha central abastecendo outras unidades e um projeto social que, no papel, parece digno de aplausos. O problema é que, quando se levanta a tampa da panela administrativa, o cheiro que sai não é exatamente de feijão fresco, é mais de desencontro mesmo.

A Rádio Cultura resolveu fazer aquilo que deveria ser rotina em qualquer democracia: perguntar como exatamente funcionaria a promessa. E foi aí que começou o espetáculo. Porque, dentro da própria prefeitura, as versões parecem ter sido preparadas por cozinheiros diferentes.

Enquanto o prefeito fala com entusiasmo em "quatro restaurantes populares", parte da equipe técnica menciona apenas "dois projetos estruturados". Um deles seria na Rua Quintino Bocaiúva, em um terreno pertencente ao Exército. Cuja cessão, detalhe importante, ainda está em processo de viabilização. Ou seja: primeiro anunciam, depois veem se o terreno existe de fato no mundo burocrático.

O outro projeto seria uma cozinha central na região Norte da cidade, nas proximidades do CER IV. Segundo o ex-secretário de Planejamento José Teodoro, esses dois projetos estavam prontos, aguardando apenas recursos. Mas ele mesmo acrescentou uma frase clássica da administração pública brasileira: "depois da minha saída, tudo pode ter mudado". Tradução livre: ninguém sabe muito bem em que pé está.

Prefeito fala em quatro restaurantes, mas na verdade a prefeitura ainda procura o primeiro

Já o atual secretário de Planejamento, Edinardo Aguiar, confirma que os projetos seguem "em andamento". Só que existe um pequeno detalhe chamado "Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV)", uma exigência obrigatória que ainda nem começou.

Em outras palavras, antes de servir a primeira marmita popular, ainda será preciso estudar se o restaurante pode existir. Um pequeno detalhe técnico que normalmente vem antes do anúncio, mas que em Foz do Iguaçu parece ser tratado como tempero opcional.

No meio desse enredo aparece também o deputado Fernando Giacobo, que teria prometido cerca de R$ 2 milhões em emenda parlamentar para uma das unidades. A verba, segundo a assessoria, está garantida desde o ano passado e só aguarda a apresentação do projeto.

O detalhe curioso é justamente esse: o dinheiro estaria esperando o projeto… enquanto o anúncio já foi servido ao público.

O orçamento total estimado para a iniciativa seria de R$ 4,97 milhões, dividido entre duas secretarias estaduais diferentes. Agora o município tenta juntar esses recursos para destiná-los ao mesmo objetivo. Ou seja, além de faltar estudo e definição clara de projetos, o dinheiro também está espalhado em diferentes gavetas administrativas.

E assim segue o roteiro.

O prefeito fala em quatro restaurantes.

A equipe técnica menciona dois.

O estudo obrigatório ainda vai começar.

O terreno ainda precisa ser oficialmente cedido.

E o dinheiro continua aguardando projetos que aparentemente ainda estão sendo cozinhados.

Enquanto isso, cidades como Cascavel já mantêm três restaurantes populares, na cidade de Toledo serve refeições de baixo custo em nada menos que oito unidades.

"Banquete de papel"

Já em Foz do Iguaçu, por enquanto, o único prato realmente pronto continua sendo o anúncio.

E não é exatamente a primeira vez que isso acontece. A cidade ainda convive com promessas que já viraram quase folclore administrativo: a trincheira do CTG Charrua, a trincheira do Jardim Jupira, o prédio monumental da nova prefeitura com quase 20 andares, a Av. Itaboraí e até o eterno drama dos buracos, um tema curioso para um prefeito que costuma se apresentar como "especialista em asfalto".

Diante desse histórico, talvez a população tenha aprendido a esperar uma coisa antes de acreditar em qualquer novo anúncio: a obra sair do PowerPoint e chegar ao chão.

Porque em Foz, aparentemente, promessa política continua sendo o único prato servido em grande escala. E esse, infelizmente, já está no cardápio há muito tempo.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 431, página 9, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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