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Foz do Iguaçu amarga "notas vermelhas" em Administração Financeira no painel do TCE-PR

Por Tribuna Foz dia em Notícias

Foz do Iguaçu amarga "notas vermelhas" em Administração Financeira no painel do TCE-PR
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GESTÃO ARTESANAL

Foz do Iguaçu amarga "notas vermelhas" em Administração Financeira no painel do TCE-PR

Com pontuação de apenas 4,79, município apresenta falhas graves na transparência de pagamentos e na organização da despesa pública; setor de execução orçamentária é o ponto mais crítico

Quando o Tribunal de Contas do Estado do Paraná divulga um painel técnico, cheio de números, gráficos e critérios, não está fazendo poesia. Está fazendo conta. E conta, como todo mundo aprendeu na escola, ou fecha… ou não fecha.

"Gestão nota 10… em tom de vermelho"

Em 2025, para a Prefeitura de Foz do Iguaçu sob o comando do Prefeito General Joaquim Silva e Luna, a conta simplesmente não fechou. Nota 4,79 em Administração Financeira. A famosa "nota vermelha". Aquela que ninguém gosta de mostrar para os pais, ou para o contribuinte.

Pode parecer só um número. Mas não é. Esse 4,79 significa que a forma como o dinheiro público é empenhado, liquidado e pago está longe do ideal. E quando o assunto é dinheiro do cidadão, "longe do ideal" é uma expressão bem elegante para evitar a palavra problema.

O ponto mais crítico foi a tal da "Execução da Despesa Orçamentária". Nota 2,43. Traduzindo para o português claro: planejar até que vai, executar é que complica. É como montar uma lista de metas de ano novo impecável e, em fevereiro, já ter desistido de todas.

"Transparência invisível: A arte de tirar 1,01 em pagamentos"

Mas nada supera o desempenho no Processo de Pagamento: 1,01. Sim, 1,01. Não é pegadinha, não é erro de digitação. É praticamente zero com esforço. Isso significa que há falhas graves justamente na etapa em que o dinheiro sai do caixa público e vai para alguém.

O relatório aponta problemas básicos. Não existem critérios claros para definir quem recebe primeiro quando os recursos são escassos. Ou seja, se o dinheiro está curto, não há regra transparente dizendo qual credor tem prioridade. Fica a dúvida: vale a ordem de chegada? Vale o tamanho da pressão? Vale o volume do telefonema?

"Foz descobre novo método de pagamento: Improviso orçamentário"

Também há falhas na divulgação da ordem cronológica de pagamentos. A lista de credores e eventuais mudanças nessa fila não são publicadas da forma como deveriam. E transparência que não é publicada deixa de ser transparência, vira confidência administrativa.

E tem mais: ainda existem processos manuais onde já deveria haver sistemas eletrônicos seguros. Em plena era da digitalização, quando bancos fazem transferências em segundos e aplicativos controlam até gasto de cafezinho, a administração pública ainda flerta com papelada e procedimentos frágeis. Risco de erro? Maior. Risco de problema? Também.

Antes do pagamento, a situação não melhora muito. As fases de empenho (quando o gasto é reservado) e liquidação (quando se confirma que o serviço foi prestado ou o produto entregue) receberam notas 2,22 e 2,00. Faltam registros eletrônicos oficiais que garantam rastreabilidade total. Faltam fluxos formais bem definidos. Faltam prazos claros para conferência de notas fiscais. Em resumo: falta organização sólida.

"Planeja como Suíça, executa como rifa de festa junina"

O mais curioso é o contraste. No planejamento, as notas são mais aceitáveis. O Plano Plurianual e a Lei de Diretrizes Orçamentárias ficaram acima da média crítica. Ou seja, no papel, a estrutura existe. A teoria está escrita. O problema começa quando sai do PDF e entra na prática.

É como se a prefeitura soubesse exatamente o que deveria fazer, mas na hora H preferisse improvisar. Planejamento digno de seminário técnico; execução digna de "vamos ver no que dá".

"Nota vermelha, mas com planejamento azul no discurso"

Para o cidadão comum, isso tem um significado simples: dificuldade de acompanhar quem está sendo pago, quando está sendo pago e se todas as etapas legais foram cumpridas. E quando o controle enfraquece, a confiança vai junto.

Especialistas costumam dizer que notas baixas em Administração Financeira são o primeiro sinal de alerta para problemas maiores no futuro. Rejeição de contas, aumento de passivos, desgaste político. O painel do TCE-PR não é enfeite digital. Ele existe justamente para indicar onde estão as falhas e exigir correção de rota.

"Quando o caixa aperta, a transparência some"

Mas, por enquanto, a realidade é esta: uma cidade internacional, referência turística, vitrine para o mundo, convivendo com práticas financeiras que não acompanham o mesmo padrão de excelência que se divulga nos cartões-postais.

O contribuinte paga imposto em dia. O comerciante cumpre obrigação acessória. O trabalhador tem desconto automático no salário. Já a administração pública, ao que parece, ainda está tentando decidir qual é a ordem da fila.

"Turismo internacional, finanças artesanais"

No fim das contas, a nota 4,79 não é apenas um número constrangedor em um painel técnico. É um recado. Um aviso de que não basta ter leis orçamentárias bonitas e discursos sobre responsabilidade fiscal. É preciso garantir controle, rastreabilidade e transparência real.

Porque, em gestão pública, improviso pode até render discurso criativo. Mas nunca fecha a conta.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 431, página 3, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

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