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Sem precisar interromper mandato, vereadores de Foz vão tentar "subir" na carreira política em 2026

Por Tribuna Foz dia em Notícias

Sem precisar interromper mandato, vereadores de Foz vão tentar "subir" na carreira política em 2026
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ELEIÇÃO 2026

Sem precisar interromper mandato, vereadores de Foz vão tentar "subir" na carreira política em 2026

Ao menos 5 parlamentares já reafirmaram possível pré-candidatura mirando ALEP e Câmara dos Deputados

Na política, dizem que a esperança é a última que morre. Em alguns casos, porém, ela nem precisa morrer , basta disputar outra eleição. Em Foz do Iguaçu, 2026 promete ser o ano em que alguns vereadores tentarão dar aquele tradicional "upgrade" na carreira política sem precisar abrir mão do conforto do cargo atual. Afinal, se existe algo melhor do que arriscar, é arriscar… sem risco nenhum.

Pelo menos cinco parlamentares já anunciaram que pretendem disputar vagas mais altas na hierarquia política: Anice Gazzaoui (PP), Cabo Cassol (PL), Sidnei Prestes (Mobiliza), Valentina Rocha (PT) e Bosco Foz (PL).

A meta é clara: alguns querem chegar à Assembleia Legislativa do Paraná e outro sonha com a Câmara dos Deputados, em Brasília. Em outras palavras, a Câmara Municipal virou uma espécie de trampolim institucional. Daqueles em que o atleta salta, mas, se errar a manobra, cai de volta exatamente no mesmo lugar.

E o melhor de tudo: a legislação eleitoral permite essa ginástica política sem que o vereador precise interromper o mandato. Ou seja, dá para fazer campanha, pedir votos, prometer mundos e fundos e, se o eleitor não embarcar na aventura, basta voltar tranquilamente à cadeira da Câmara Municipal como se nada tivesse acontecido. É quase um estágio probatório da ambição política.

A lógica é simples: tentar subir nunca foi tão seguro. Se der certo, o político vira deputado. Se der errado, continua vereador, com salário, gabinete e mandato garantidos. Um verdadeiro plano de carreira público, com estabilidade emocional e eleitoral.

Enquanto isso, o eleitor acompanha esse desfile de pré-candidaturas como quem assiste a uma corrida onde todos já têm um lugar reservado no pódio. Nem que seja o mesmo de antes. A diferença é que agora os discursos ganham novo tempero: promessas mais amplas, discursos mais épicos e, claro, aquela súbita preocupação com problemas estaduais ou nacionais que, curiosamente, não eram tão urgentes quando o debate estava restrito à cidade.

Também chama atenção que, apesar da empolgação com voos mais altos, ninguém parece disposto a mirar o Senado ou algo ainda maior. Talvez porque algumas disputas ainda sejam consideradas território de "peixe grande", onde a competição envolve estruturas políticas e financeiras bem mais robustas. Melhor subir um degrau por vez, ou ao menos tentar.

No fundo, o cálculo eleitoral é quase uma aula de matemática política. Como o sistema proporcional depende do chamado quociente eleitoral e da soma de votos do partido, não basta ser popular: é preciso estar bem acompanhado na chapa. Assim, um candidato muito votado pode ficar de fora, enquanto outro menos votado pode acabar eleito graças ao desempenho coletivo do partido. A democracia brasileira tem dessas ironias aritméticas.

Por isso, nos bastidores, dirigentes partidários já tratam 2026 como um grande quebra-cabeça eleitoral. O desafio não é apenas ter candidatos, mas montar equipes capazes de somar votos suficientes para garantir cadeiras.

A corrida eleitoral de 2026 em Foz parece menos uma disputa e mais um experimento político: vereadores tentando provar que é possível subir na carreira sem precisar largar o emprego atual. Se conseguir, ótimo.

Se não conseguir, tudo bem também. Afinal, na política moderna, o importante não é apenas vencer. É garantir que, mesmo perdendo, o mandato continue intacto. Uma estratégia que, convenhamos, faria qualquer profissional de recursos humanos morrer de inveja.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 431, página 11, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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